
Capítulo 350
Assassino Atemporal
Nas próximas 24 horas, Leo refletiu seriamente sobre se valia mesmo a pena arriscar sua vida tentando aquela missão ou não.
Embora não fosse do tipo de homem que se acovarda diante do perigo… Essa missão era diferente.
Chegou a um ponto, ele achava, em que todo guerreiro tinha que se questionar se a recompensa realmente justificava o risco, e se havia alguma chance de sucesso de fato. Ou se estavam sendo iludidos, perseguindo sonhos impossíveis.
Pela primeira vez em muito tempo, Leo não se sentiu confiante na resposta.
Ele observou, esperou e anotou tudo com detalhes excruciantes do seu ponto de observação. E, embora houvesse momentos em que o castelo parecia silencioso e passivo, era impossível esquecer o fato de que um espectro de nível Transcendente, muito mais forte do que ele, tinha sido completamente apagado com um único ataque do soldado de armadura prateada.
Sendo um defensor ferrenho da filosofia de que nenhuma missão vale a pena mourir por ela, Leo sentiu que talvez essa fosse aquela que estivesse além de suas capacidades atuais.
Mas então… uma pontinha de esperança surgiu.
Ao seu longo período de vigília, Leo notou repetidamente como bestas e espectros de nível Grandmaster que vagavam pelas paredes eram deixados ilesos pelo soldado de armadura prateada.
Até mesmo quando as criaturas se aproximavam do prédio central, cheirando ao redor, ou quando uivavam ou atacavam uma à outra no pátio, o espectro encapuzado de armadura prateada dentro do quartel nunca se mexia.
Nem uma única vez.
Isso lhe dava esperança.
"Então é isso…" Leo estreitou os olhos. "O soldado só se move contra ameaças reais. E tudo que está abaixo de um certo nível… não é uma ameaça."
Ele tirou essa conclusão, percebendo que, em certas situações, ser fraco podia ser uma vantagem.
Talvez por ser mais fraco que uma barata diante do soldado, parecia que ele não despertaria interesse demais dele.
E se isso fosse mesmo verdade, então talvez, só talvez, ainda houvesse uma chance de completar essa missão.
Não era muito.
Mas era o suficiente para manter uma faísca de esperança.
Assim, no quarto dia, logo após o padre ter voltado para dentro do prédio central após sua ronda matinal, Leo tomou a decisão de entrar no Castelo Bravo.
Não para roubá-lo.
Ainda não.
Mas para examinar a única coisa que poderia decidir se toda aquela missão era suicídio ou se ainda tinha salvação — o portal de teletransporte.
Porque, sem ele funcionando, não havia plano de fuga.
E sem um plano de fuga funcional, não havia missão.
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Tudo em seus movimentos era calculado, sua respiração leve e controlada, seus sentidos extremamente aguçados, ao ponto de até o estalo imperceptível das folhas corrosivas sob suas botas parecer ensurdecedor.
Ao passar da cerca—para o pátio de Castelo Bravo—ele sentiu imediatamente.
A pressão mudou.
Não apenas pela sensação sufocante, mas na essência, como se olhos invisíveis agora o observassem a cada passo.
A mana corrompida aqui era mais densa—mais pesada, mais lenta, como se tivesse sido mergulhada em decadência espiritual e deixada apodrecer por milênios.
Cada passo era um teste de força de vontade.
"Pois é, hoje pode ser meu último dia de vida," murmurou Leo interiormente, ajoelhando-se, com uma mão segurando firme o punhal, enquanto a outra rastreava mentalmente os pontos de teletransporte de [Stormflash Traverse] até a parede mais próxima.
Ele memorilizou isso três vezes.
E mais uma.
Se qualquer coisa se movesse, ele desapareceria dali em um instante, sem olhar para trás.
Seus nervos gritavam, seu coração pulsava tão forte que temia que fosse ouvir no silêncio do pátio, mas, de alguma forma—nada respondeu.
Sem padre.
Sem guarda.
Sem qualquer sinal de consciência vindo do quartel ou da torre central.
Passo após passo, com dor e ansiedade, Leo atravessou o pátio rachado, escondido atrás de escombros, escorregando entre arcos desabados, mantendo-se baixo e grudado às paredes até que, finalmente… finalmente, o antigo portal de teletransporte entrou em seu campo de visão.
Era como uma relíquia esquecida—meio enterrada em pedra e fuligem, coberta de musgo doentio que pulsava sutilmente com mana, sua moldura circular rachada em vários pontos, mas, de resto, intacta.
Ajoelhou-se ao lado, passando os dedos pelos símbolos gravados na borda externa, retirando com cuidado a sujeira, num gesto quase reverente.
"Vamos ver com o que estamos lidando…"
Os glifos antigos eram carregados de símbolos de tempos passados, alguns fundidos à própria pedra pela corrosão da mana.
Mas a matriz central do portal—aquela que definia coordenadas e estrutura de trânsito—ainda era reconhecível.
Leo puxou seu caderno e rabiscou rapidamente.
Ele traçou o agrupamento de glifos centrais.
Confrontou com as teorias de teletransporte que aprendeu na Conclave.
E após vários minutos longos, exalou com força.
"Não está quebrado…" sussurrou. "Só em modo de espera… com uma nova matriz de energia e eu colocando as coordenadas corretas, essa coisa enferrujada ainda pode me levar para fora."
O cristal que capacitava a entrada de mana, próximo à base, tinha rachado e secado há muito tempo, sem dúvida pelo abandono de milênios, mas as veias de linhas ley ainda corriam sob o pátio. Eram tênues, mas presentes.
Se conseguisse substituir o cristal de captação…
Se conseguisse suavizar as antigas veias de mana e ativar a antiga circuito, consertando o condutor de mana antigo.
E se não fosse morto antes de concluir tudo isso…
'Então talvez… só talvez… eu consiga ativá-lo do lado de dentro do pátio. Definir o destino e usá-lo para sair na hora certa.'
Refletiu, enquanto verificava novamente o pátio à procura de sinais de perigo.
Seu coração ainda pulsava forte no peito, e ele não se sentia seguro dentro das muralhas do castelo.
Sutilmente, sentia que uma única respiração errada poderia ser o suficiente para engolir o castelo inteiro, mas, novamente, nada ameaçava.
'Ainda há esperança… preciso pensar nisso com mais calma—' concluiu Leo, e saiu em um borrão, retornando ao seu ponto de observação no topo da árvore para organizar seus pensamentos.
O plano era claramente extremamente perigoso, demandando que ele saísse com frequência do ponto de vista para reparar o portal ao longo dos dias seguintes, mas, talvez…
Ele pudesse consertar a tempo antes que a próxima dimensão chegasse, usando-o para escapar, se tudo estivesse alinhado.
"O que faço? Tento a missão? Ou me retiro agora, mantendo minha vida intacta?" sussurrou Leo, passando a mão pelos cabelos molhados, sentindo uma gota de suor escorrer pela coluna.
Sabia que os riscos de tentar essa missão eram altos demais.
No entanto, com os possíveis prêmios ligados a finalmente reunir-se com sua família, a ideia de desistir depois de tanto caminhar deixava um gosto amargo na boca.
"Droga—" amaldiçoou, cerrando a mandíbula, enquanto olhava para o castelo e, depois, para o céu, onde o rosto de seus familiares surgia entre as nuvens cinzentas.
Seu corpo tremia, não só de medo, mas de saudade.
Do desejo de estar longe por tempo demais, e, mesmo contra seu bom senso, ele quase cedeu a uma ligação emocional.
"Não vim até aqui para desistir agora," murmurou, a voz quase um sussurro, quase um sinal de que iria partir.
"Fiz meu nome conquistando o impossível como 'OChefão'… agora vamos ver se realmente fiz jus a ele."