
Capítulo 349
Assassino Atemporal
(Mundo Congelado no Tempo, Viveiro no Topo da Árvore com Vista para o Castelo Bravo, Ponto de Vista de Leo)
Nos dois dias seguintes, Leo observou dois fenômenos estranhos acontecerem dentro das muralhas do castelo, enquanto monitorava constantemente a antiga fortaleza de seu poleiro improvisado, atento a qualquer atividade incomum.
No primeiro dia, pouco horas após começar a observar o castelo, ele viu movimento pela primeira vez.
Deveria ser o amanhecer, com o céu começando a clarear levemente, quando um espectro surgiu do coração da fortaleza central, vestido com vestes brancas impecáveis.
A borda do vestido do espectro arrastava-se pelo chão sem resistência, como se a própria gravidade não ousasse puxar a roupa do ser, enquanto se movia lentamente pelo castelo, mas sem objetivo definido.
Em uma das mãos, segurava um incensório longo e prateado, sem fogo, mas que de alguma forma deixava um rastro de fumaça azul translúcida que se enrolava pelo pátio como vapor saindo de brasas quentes.
A presença dele não era demasiadamente hostil, mas também não parecia inofensiva.
Ao fazer uma única volta pelo pátio, com os pés translúcidos flutuando poucos centímetros acima dos mosaicos trincados, Leo percebeu como a mana corrompida ao redor das muralhas recuava levemente sempre que passava por ali, como se tivesse medo de manchar o caminho do ser.
Então, exatamente quinze minutos após sua aparição, o espectro voltou para a fortaleza e desapareceu atrás de suas portas seladas, deixando o pátio mais uma vez livre de vida ou movimento.
Leo não piscou nem falou, apenas fixou o olhar na trilha de fumaça que permaneceu por quase uma hora após a partida do espectro, antes de ser lentamente absorvida pelas paredes do castelo.
Com doze horas de intervalo, exatamente no momento que Leo supôs ser o pôr do sol neste mundo congelado no tempo, o espectro reapareceu com o mesmo incensório apagado na mão, realizando a mesma órbita tranquila ao redor do pátio, como um relógio.
"É um padre…" Leo murmurou, juntando as peças do padrão ritualístico, "Ou uma relíquia cumprindo o papel de um sacerdote… ainda caminhando pelos terrenos do castelo e rezando para um Deus morto."
O fato de se mover sem hesitação ou variação sugeria programação ou loucura.
Mas a aura que emitia dizia o contrário.
Porque, mesmo de longe, Leo podia sentir a pressão mudar a cada vez que o ser passava perto do trecho da parede mais próximo dele.
Embora não olhasse diretamente para ele, Leo ainda sentia a respiração ficar pesada ao ver o padre passar por ali.
'O padre é, pelo menos, uma criatura do nível monarca... A pressão que ele exala é forte demais para ser apenas um espectro de nível transcendente!' Leo concluiu internamente, percebendo o quão perigoso era entrar no edifício central, onde o padre supostamente residia pelas próximas 24 horas.
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Embora o primeiro dia tenha sido chocante, foi no segundo que o castelo revelou algo muito mais perturbador. Algo que fez o coração de Leo disparar e seus instintos gritarem mais alto do que nunca.
Começou quando um grupo de quatrobestas emergiu da borda oeste da floresta corrompida.
De seu poleiro, Leo reconheceu-os como Lobos Ash de nível Grande Mestre, seus pelos prateados-pretos ondulando com mana instável, parecendo cães ferozes perseguindo mais um instinto do que uma presa.
Eles se moveram com cautela, farejando o limite ao redor da muralha do castelo, até circulá-la lentamente até encontrarem um pequeno buraco de cerca de dois pés de largura por quatro de altura, pelo qual entraram.
'Vamos lá —' pensou Leo, observando nervoso por sinais de alarme ou reações exageradas vindo de dentro das muralhas, mas nada aconteceu.
O padre com o incensório não apareceu, nem a ameaça que ele poderia sentir de estar lá dentro, pois, mesmo com os lobos farejando os mosaicos do pátio e andando de forma impetuosa, nenhum dano foi causado.
Depois de dez minutos farejando e circulando pelo chão rachado, com uma arrogância que só as feras possuem, os lobos rosnaram baixinho e foram embora do mesmo jeito que vieram, deixando Leo incerto se seu medo do perigo oculto no castelo era exagero ou real?
Mas então… algo mais aconteceu que fez seu coração saltar do peito.
Mais ou menos uma hora depois, outra figura se aproximou da encosta norte, uma espectro blindada, que parecia avançar em direção ao castelo com sede de vingança nos olhos.
A espectro blindada exalava a aura de um combatente Transcendente e, pelo que parecia, dirigia-se direto ao edifício central, indo em linha reta após entrar nas fronteiras do castelo.
'Vamos lá!' pensou Leo novamente, o aperto na mão inconscientemente se apertando ao redor da faca, esperando que esse fosse o verdadeiro teste dos perigos dentro do castelo!
E foi exatamente isso, pois, ao avançar pelo pátio comum em direção ao edifício central, o espírito dentro da casamata se moveu.
Um espectro de armadura prateada, alto e imponente, empunhando uma lâmina estranha que parecia quase um garfo de afinação quebrado, apareceu diante do desafiante transcendente, e então, num instante, neutralizou a ameaça.
*ESTOURO*
O ar se torceu. A pedra rachou. A luz dentro do pátio distorceu-se, como se fosse tragada por um buraco negro no centro daquele cavaleiro prateado.
E assim — o espectro de nível transcendente que veio atacar o castelo foi derrotado e apagado da existência para sempre.
"Que porra foi aquela?" Leo sussurrou, assustado, enquanto a respiração travava na garganta, e tudo dentro do pátio — incluindo uma corvo manchada de azar, empoleirada na parede — foi destruído ao meio.
O ataque não foi só um golpe comum.
Foi um domínio.
Um campo de morte envolvido em precisão, lançado por uma criatura que nem parecia completamente desperta.
A boca de Leo secou ao perceber o peso dessas possibilidades, maior do que o peso dos binóculos nas mãos dele.
"Isso aqui não é só um castelo… é uma fortaleza com segurança automática de nível monarca," sussurrou, apoiando as costas na árvore, lentamente afastando os binóculos, com a mente em choque.
"Como diabos vou conseguir invadir aquilo, quanto mais roubar algo de dentro?" refletiu, considerando que, além dos perigos internos, os riscos que já se viam do lado de fora tornavam essa missão praticamente impossível de iniciar.