Assassino Atemporal

Capítulo 348

Assassino Atemporal

(Mundo Congelado no Tempo, Perímetro do Castelo Bravo, ponto de vista de Leo)

Nunca Leo tinha sentido a pressão que a alma de um deus exercia sobre seu entorno—pelo menos até começar a se aproximar das paredes enegrecidas do Castelo Bravo e sentir, pela primeira vez, o próprio mundo começando a rejeitar sua presença.

Começou de forma gradual, como um peso que se deslocava e pressionava contra sua pele, mas quanto mais ele avançava na zona contaminada ao redor do castelo, mais o ar parecia engrossar, ficando mais pesado a cada respiração, como se cada sopro que ele inalasse fosse filtrado através de pedra líquida antes de chegar ao seu fluxo sanguíneo.

'Está mesmo sufocando,' pensou Leo, ao diminuir o ritmo, com os olhos afinados em uma cautela silenciosa.

Porque, quanto mais perto chegava de Castelo Bravo, mais percebia que respirar não era mais um reflexo, mas uma carga que exigia esforço consciente da sua mente para ser sustentada.

Parecia que, mesmo na sua morte, mesmo preso em sono profundo, a alma de Zharnok exercia uma pressão tão intensa e absoluta que fazia seus joelhos tremerem de revolta biológica.

Mais uma vez, foi lembrado de como era pequeno e insignificante comparado aos seres mais poderosos deste universo, ao sentir seu corpo encharcado de suor da cabeça aos pés, apenas pelo esforço de caminhar sob a aura repressora do castelo.

Por volta de um quilômetro de distância, algo mudou.

O vento, que tinha sido companheiro constante nesta altura da cadeia de montanhas, de repente desapareceu, como se o mundo além daquele ponto não tivesse espaço para movimento.

Em seu lugar veio um silêncio que não parecia natural, que não se acomodava, mas pairava—pressionando contra seus ouvidos, contra seus pensamentos, contra seu senso de equilíbrio, até que, naquele momento, ele parou de andar...

Ele parou, não porque viu algo se mover, nem porque percebeu uma armadilha.

Mas porque cada fibra do seu ser, os instintos que o guiavam através de sangue, veneno, traição e lutas por toda a vida, estavam todos lhe dizendo a mesma coisa agora.

'Atravesse essa muralha para entrar no Castelo Bravo... e morra.'

O Castelo Bravo não era uma ruína.

Era um aviso gravado em pedra, e o fato de ainda estar de pé, intocado, apesar de estar cercado por uma paisagem corrompida que devorou tudo ao redor, só reforçava o ponto.

A muralha que cercava o castelo tinha pelo menos sessenta pés de altura, construída com um mineral escuro, com veias que pulsavam suavemente sob o céu cinza e sem cor do mundo.

No centro, havia um portão enorme, alto o suficiente para passar um colosso sem precisar se abaixar, mas selado com duas correntes maciças e uma placa de aviso que dizia—

"Perigo! Não Abra".

Leo estava a cerca de trinta metros da entrada, suado da cabeça aos pés, com uma mão perto da empunhadura de sua adaga — por hábito — ao ver aquela placa de perigo e decidir, imediatamente, não agir por impulso.

"Não…" murmurou baixinho, deixando a palavra escapar entre os dentes como um sinal de cautela. Em vez de avançar, recuou, depois recuou mais uma vez, repetindo o movimento até se afastar cerca de cem metros da entrada.

Não havia necessidade de se lançar de cabeça naquele momento.

Após alguns cálculos rápidos e com base na conversa breve que teve com o Capitão… ele sabia que o próximo voo de evacuação de emergência não viria antes de mais 42 dias.

O que significava que tinha bastante tempo para planejar e executar seu roubo com calma, sem precisar se arriscar de forma imprudente.

"Academia Militar Rodova, Aula de Furtividade, Assassinato e Planejamento, regra número um para sobreviver:

Nunca entrar numa missão perigosa sem uma inspeção adequada e informações precisas!" Leo murmurou para si mesmo, lembrando-se dos ensinamentos de seus professores na Rodova, e começou a procurar um ponto de observação de onde pudesse fazer um reconhecimento do interior do Castelo Bravo sem precisar entrar.

Não foi fácil… Contudo, após atravessar a linha do perímetro da 'Zona Morta' ao redor do castelo, onde nenhuma árvore crescia, encontrou uma árvore particularmente alta, antiga, de madeira blackwood, com galhos largos e grossos o suficiente para suportar seu peso.

Ele então subiu na árvore com esforço mínimo, escolhendo um ramo a cerca de vinte e um metros do chão, de onde poderia enxergar além da parede do castelo e boa parte do pátio interno.

Uma vez lá, começou a criar uma plataforma improvisada, transformando o ramo em seu acampamento de reconhecimento para as próximas horas.

Fez isso amarrando algumas cordas nos galhos, criando uma plataforma com elas, e se deitou nela, puxando de seu anel de armazenamento um binóculo, enquanto começava a escanear cada centímetro do castelo abandonado à sua frente.

O que viu lá dentro era exatamente o que esperava de um castelo abandonado.

Sem movimento.

Sem guardas.

Somente um pátio silencioso, cheio de azulejos quebrados, arcos rachados e banners desbotados, que pareciam de uma época antiga.

Parecia vazio e inofensivo, mas Leo confiava mais em seus instintos do que em seus olhos, e, como seus instintos lhe diziam que há mais perigo do que aparenta, ele esperou com paciência, continuando a observar o castelo sem se mexer.

O Castelo Bravo não era uma estrutura isolada.

Era um complexo inteiro, dividido em setores distintos, com a fortaleza central dominando o coração do espaço.

Esse edifício—mais alto que os demais, talvez cinco andares—foi construído com um mineral mais escuro que as paredes externas, quase obsidiano, com inúmeras runas gravadas em sua superfície que pulsavam suavemente com mana contaminada.

'Provavelmente lá dentro está a prisão da alma de Zharnok…' pensou Leo, ajustando levemente sua postura à medida que a pressão do próprio edifício dificultava manter o binóculo firme ao tentar focar suas inscrições.

Parecia que sua mente rejeitava a ideia de olhá-lo diretamente, pois, ao fixar seu olhar por tempo demais naquela construção, suas têmporas começavam a doer e seus pensamentos a se desenrolar, como se uma força invisível estivesse arranhando silenciosamente às bordas de sua consciência.

Por isso, desviou o olhar, baixando a visão até as estruturas auxiliares que circundavam o pátio.

Eram cinco ao todo.

A maior ficava na quadrante leste, com seus largos arcos e torres parcialmente ruínas, que sugeriam que um dia teria servido como quartel ou sala de treinamento.

O tempo não foi gentil com ela: metade do telhado desabou para dentro, e vinhas grossas de mana corrompida entrelaçavam-se pelas paredes como veias em carne envelhecida.

Nada se movia lá dentro, mas Leo podia sentir… que não era seguro.

Ele percebia uma presença poderosa repousando ali.

Ao norte, havia duas construções estreitas, simétricas e altas, quase como torres de vigia, embora não houvesse sinal de luz ou fogo de guerra no topo delas.

Elas pareciam imóveis—cadáveres esperando por uma ordem que não chegou há três mil anos.

Mas foi a menor edificação, escondida no extremo oeste atrás de uma fileira de árvores esqueléticas, que chamou mais a atenção de Leo.

Uma estrutura baixa, quadrada.

Sem torres.

Sem ameias.

Somente uma espessa placa rúnica e uma plataforma de pedra estendendo-se para fora como uma rampa.

'Essa deve ser a portal de teletransporte…' pensou Leo, lembrando-se de ter visto esse tipo de estrutura antes em diagramas.

Quatro encaixes para pilares de mana.

Um dial central, atualmente meio enterrado na poeira.

E um arco cristalino desabado, que se projetava de lado, como uma costela quebrada.

Ele deu um zoom maior, tentando distinguir as marcas na base de pedra.

Metade dos glifos estavam ilegíveis dali, mas a orientação era inconfundível—era um portal de teletransporte.

*Suspiro*

Leo inclinou-se um pouco para trás, afastando os binóculos ao exalar.

42 dias.

Esse era o prazo.

Quarenta e dois dias para consertar aquela porta, planejar seu roubo e sincronizar tudo perfeitamente… antes que o próximo avião de resgate fosse lá.

Comentários