
Capítulo 347
Assassino Atemporal
Enquanto isso, no planeta Tithia, no Pátio Privado de Treinamento do Quarto Ancião
Até alguns meses atrás, o pátio de treinamento privado do Quarto Ancião era um lugar tranquilo, coberto por árvores belas e arbustos pequenos que ajudavam a acalmar a mente durante os treinos. No entanto, apenas alguns meses após Aegon Veyr começar a treinar ali, não restava uma única folha viva.
Ele estava de torso nu, no centro da arena, braços soltos ao lado do corpo, respirando de forma firme mas lenta, como se seu corpo tivesse se acalmado, mas seu sangue ainda estivesse fervendo sob a pele.
Ele tinha acabado de lançar um de seus ataques mais poderosos, e o ar ao redor ainda permanecia quente pelo calor residual, com brasas tênues ainda se contorcendo e subindo do chão ao seu redor, dançando e se apagando antes de alcançarem seus tornozelos.
"Meu Senhor... Meu Senhor…"
Um único assistente se aproximou lentamente, cada passo hesitante, como se estivesse em dúvida se valeria a pena correr o risco de ser despedaçado por entregar sua mensagem ou não.
Ele segurava um pergaminho firmemente com ambas as mãos, suas vestes grudando nele pelo suor que não vinha do calor, mas do medo.
"Senhor Veyr", disse o assistente, esforçando-se ao máximo para parecer calmo, mesmo que a voz tremer ligeiramente, "o Quarto Ancião emitiu novas ordens."
Veyr não olhou para ele imediatamente, virou a cabeça preguiçosamente para a extremidade oposta do pátio, onde uma das antigas colunas de treinamento tinha se destruído ao meio ainda sem ter sido reparada.
O assistente interpretou isso como permissão para continuar.
"Ele contratou um instrutor de etiqueta para começar o treinamento de boas maneiras com você, a partir de amanhã cedo, ao primeiro raio de sol", completou, abaixando a cabeça em sinal de reverência e aguardando um golpe que não veio.
Por alguns segundos, prevaleceu o silêncio.
Então, os lábios de Veyr se abriram, formando um sorriso sutil — não um sorriso que transmitisse paz, mas aquele que fazia o coração acelerar por motivos errados.
"Um instrutor de boas maneiras…", repetiu, lentamente, virando-se para encarar o assistente com aquele olhar meio semicerrado, indecifrável. "Para me ensinar a sentar, sorrir e tomar sopa corretamente?"
O assistente abriu a boca, mas não falou nada; Veyr deu um passo à frente, depois outro, reduzindo a distância enquanto sua voz ficava mais baixa.
"Preste atenção", disse, inclinando levemente a cabeça, com olhar afiado e tom calmo, quase agradável. "Se esse instrutor botar o pé neste pátio… se ele arriscar respirar o mesmo ar que eu estou respirando—"
Sua mão tremeu levemente, como se tentasse alcançar a lâmina que não estava ali.
"—Eu cortarei as pernas dele até o joelho, ensinarei sobre postura, e colocarei o que sobrar do maxilar dele na porta, para que o próximo idiota enviado para ‘polir’ minha imagem lembre-se de quem eu sou antes de tentar me derrubar."
O pergaminho escorregou das mãos do assistente, caindo silenciosamente no chão.
Ele caiu de joelhos logo depois, rosto pálido, testa pressionada contra a pedra enegrecida, enquanto começava a murmurava desculpas desconexas.
Mas justo antes de Veyr dar outro passo à frente, uma voz entrou no pátio — firme, cansada e completamente sem humor.
"Você não fará isso, Veyr", disse o Quarto Ancião, sua sombra se estendendo pelo pátio enquanto vinha pelo corredor sul, com suas vestes deixando para trás poeira a cada passo lento.
"Você fará exatamente o que eu mandar", continuou, sem interromper sua caminhada, entrando direto no espaço de Veyr e parando apenas quando estavam frente a frente.
Veyr não recuou. Não desviou o olhar.
"Por quê?" perguntou, não com desdém, mas com dúvida genuína. "Meus modos já estão bons... Sou um guerreiro, lembra? Não um político como você—"
Cruzou os braços, com a voz carregada de desprezo enquanto seu olhar ficava mais frio.
"Não vou mudar quem eu sou para agradar a vontade de velhos tolos como você, ou da população que ainda lamenta a morte do seu antigo dragão, Noah."
O ancião exalou, não com raiva, mas com o peso de alguém que perdeu a energia até para discutir antes mesmo de começar a conversa.
Simplesmente levantou a mão e pressionou a testa, passando devagar o dedo acima da testa, como se tentasse evitar que uma dor de cabeça o rasgasse.
"Acabei de receber a notícia de que a facção justa lançou um ataque coordenado a Juxta", murmurou, balançando a cabeça lentamente enquanto os dedos permaneciam na têmpora. "Poucas horas atrás, enviaram dezenas de navios que foram destruídos pelo nosso escudo de mana… e já tive que participar de várias reuniões hoje, antes mesmo de terminar meu chá da noite."
Ele abaixou a mão e fixou novamente o olhar em Veyr.
"Não estou com disposição para discussões, não hoje."
Houve uma longa pausa, e por um momento, parecia que o ancião ia se virar e ir embora — mas então seu tom mudou, ficando muito mais sério.
"Você não é mais o único candidato ao título de Dragão", disse de forma direta, enquanto a cabeça de Veyr se inclinava de lado, não por descrença, mas por curiosidade.
"...O quê?"
"Você ouviu bem", respondeu o ancião, agora com a voz mais baixa, como testando até onde aquela declaração iria cutucar. "Você tem concorrente. E não é qualquer concorrente. É um concorrente de verdade."
A mandíbula de Veyr se apertou, embora o restante do corpo permanecesse imóvel.
"Não me faça rir", disse, bufando. "Não tenho concorrente. Sou Aegon Veyr. Nasci sem rival."
"Você tem sim concorrente", insistiu o ancião, impassível. "O nome dele é Leo Skyshard."
Com isso, a postura de Veyr mudou, um pouco, não por medo, mas por reconhecimento.
"...Leo Skyshard?" repetiu, com a voz mais suave agora. "A estrela ascendente das Circuits deste ano? O queridinho do lado justo?"
O ancião assentiu uma vez.
"Aparentemente, ele está sendo criado pelo Twelfth Elder. Dizem que ele sempre teve laços com o Cult, e ouvi seu nome sendo sussurrado junto ao de Noah por alguns Anciãos...
Veyr estreitou os olhos, não por raiva, mas por consideração, enquanto o Quarto Ancião se aproximava ainda mais, com expressão dura.
"Você não é mais a única opção que temos, e aqueles anciãos que toleravam sua arrogância porque não tinham alternativas… Não serão tão permissivos agora."
Virou-se e começou a caminhar.
"Precisamos te pôr em ordem, Veyr. Deixar você apresentável, pelo menos por fora. O último Dragão, Noah, se portava com postura e contenção, mesmo enquanto queimava cidades até o chão."
Parou na beira do platô.
"Os anciãos e o povo querem alguém que lembre dele. Então você fará essas aulas. Sem perguntas. Sem recusar."
Veyr ficou calado por um momento. O vento varria o pátio como um sussurro, levantando as pontas de suas roupas, levando o cheiro de cinza e calor.
Finalmente, após uma longa pausa, passou a mão pelos cabelos molhados e soltou um suspiro agudo.
"...Tudo bem."
Disse a palavra com uma expressão de amargor.
"Deixarei o instrutor vir. Que tente me ensinar a agir como uma marionete em um robe de seda."
Recoheu a lâmina que havia largado mais cedo, girando-a uma vez entre os dedos.
"Mas envie uma mensagem aos anciãos que duvidam de mim…"
Sua voz agora estava calma. Fria.
"...Não me importa quantos torneios Leo Skyshard já ganhou. Se colocá-lo numa luta até a morte contra mim… ele não vai aguentar cinco movimentos."