
Capítulo 346
Assassino Atemporal
(Mundo Congelado no Tempo, Além da Plataforma Espectral, Ponto de Vista de Leo)
Foi só quando Leo atravessou a Plataforma Espectral que ele abriu novamente o Livro sagrado, para confirmar sua descoberta da quinta cor de aura.
Ele não esperava encontrar duas cores de aura em tão rápida sucessão, mas o teste de sabedoria acabou sendo uma surpresa extremamente favorável para ele.
*Brilho*
Tinta dourada brilhava nas páginas brancas e vazias do livro assim que ele o abriu, pois o manual realmente reconhecia sua observação da quinta cor de aura.
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> Você descobriu a cor 'Rosa', a cor do Amor.
> O amor é uma força sem forma, mas não sem peso, e sua aura não mancha, mas permanece.
> O amor dá força para suportar fardos que nenhum homem deveria carregar, e resistir a tempestades que nenhuma alma deveria suportar.
> Ele aguça a determinação. Amacia a raiva. Dá origem ao sacrifício.
> Amar verdadeiramente é doar sem medida, proteger sem orgulho, permanecer quando toda razão exige que você vá embora.
> Mas amor cego não é sagrado.
> Amor cego é podridão.
> Leva os homens a betray suas próprias virtudes, abandonarem seus propósitos, e se perderem nas sombras da luz de outro.
> Discernimento é o equilíbrio.
> Avançar com o amor no coração, sem perder de vista o caminho, é o verdadeiro teste da vida.
> Pois o Amor é tão puro quanto perigoso.
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A tinta secou tão rápido quanto surgiu.
A página ficou imóvel.
E Leo, agora fixando o suave brilho dourado do manuscrito, deu uma longa e feliz respiração.
"Então já são cinco… Finalmente encontrei cinco das sete cores necessárias para completar o primeiro nível do Livro Sagrado!" Leo comemorou, ao entender mais um aspecto deste manual.
Progredir nesta técnica era lento e trabalhoso quando não havia avanços, porém, quando uma iluminação surgia, ele conseguia entender duas cores em apenas duas horas.
"Não é à toa que o manual avisou que o Kaelith é o único a dominar essa técnica….
Se não for com sorte, a pessoa pode ficar presa numa etapa por anos.
Porém, se tiver uma alta compreensão e sorte, consegue concluir uma fase em um mês…." Leo murmurou, balançando a cabeça de um lado a outro, enquanto fixava o castelo destruído, agora visível a cerca de duas milhas de montanha.
Se realmente não houvesse mais obstáculos no caminho, como a espectro havia insinuado, então ele poderia chegar à entrada em um dia, ou no máximo, um dia e meio.
Contudo, sabendo que essa era a parte mais perigosa de sua missão… e que a alma de um Deus antigo o aguardava lá dentro… Leo decidiu que seria mais prudente esperar até estar totalmente descansado e alerta.
Pois não se sabia que horrores poderiam esperar por ele ao chegar.
(Enquanto isso, de volta no Planeta Dente-Gêmeo, Escritório do Guildmaster)
O escritório de Dupravel permanecia em silêncio absoluto, salvo pelo som constante de alguém roendo madeira, enquanto Dupravel, cada vez mais à beira da loucura, devorava os lápis de madeira sobre sua mesa como se fossem petiscos.
Antonio estava na porta, com as mãos presas atrás das costas, observando seu velho amigo comer madeira com olhares de pena e compaixão, enquanto falava com uma doçura reservada a crianças e loucos.
"O Governo Universal começou a atacar o Planeta Juxta", falou calmamente, olhando para Dupravel com cautela. "Um dos principais objetivos militares… é recuperar Darnell. Eles listaram isso na Agenda de Guerra."
Dupravel não se mexeu.
Estava curvado na cadeira reforçada que Antonio mandou fazer após seu cérebro começar a desintegrar-se, projetada especificamente para suportar a pressão dos seus nacos longos de unha e marcas de arranhões profundos que ele deixava.
Parecia um tuaregue, com cabelos selvagens, barba espessa e desgrenhada, ombros cobertos pelo manto rasgado de uma criatura que há muito abandonou qualquer traço de postura de cavalheiro.
Só o movimento lento e deliberado de seu peito indicava que ele ainda estava vivo — e ouvindo.
*Inalar*
Antonio respirou cuidadosamente, continuando a falar sem elevar a voz.
"A última missão de nível ouro da Seita… está se espalhando. Quase todos os nossos operativos do nível Grande Mestre entraram no Mundo Congelado na busca dela." Antonio falou com hesitação, ajustando suas vestes.
"A promessa de uma recompensa gigante, 6,5 bilhões de MP… até os mais disciplinados estão agindo recklessly."
O dedo de Dupravel tremeu uma vez.
Antonio prosseguiu.
"Mas por causa dessa distração, nossas missões de nível branco e verde estão sofrendo. Nossa taxa de sucesso caiu quase cinquenta por cento nesta semana. Clientes civis estão ficando frustrados. Contratos planetários estão expirando. Os fóruns estão cheios de reclamações."
Ele fez uma pausa, deixando o peso do que iria dizer cair lentamente.
"A galáxia já começa a nos chamar de uma casa em caos, Guildmaster. Eu entendo o quanto Darnell é importante — de verdade, entendo — mas acho que há uma maneira melhor. Mandar onda após onda para aquele reino amaldito, que provavelmente não vai gerar resultados positivos… está se tornando uma busca sem sentido e pode prejudicar nossas bases a médio e longo prazo."
Por um momento, o silêncio voltou, sem interrupções… infinito.
Então… Dupravel exalou.
Uma respiração longa e gutural.
Sua cabeça levantou lentamente — olhos semi-fechados, nublados por sombras.
As linhas no rosto dele não eram apenas rugas. Eram cicatrizes. Troféus de um mundo que rasgou pedaços de sua mente e se recusou a devolvê-los.
Ele olhava para Antonio como se estivesse enxergando através de fumaça.
E então, com uma voz trêmula de ferrugem, carregada de algo quase humano, ele rosnou —
"Não… interrompa… a missão."
Sua voz cortava o ambiente como garras na metal.
"Darnell… meu sangue. Meu filho. Meu filho não ficar… nas mãos daquele covarde."
Antonio cerr-ou a mandíbula, imóvel.
"Mesmo que a guilda queime," murmurou Dupravel, com os ombros tremendo sob o esforço de manter-se de pé. "Mesmo que o universo cuspa. Nós vamos trazê-lo de volta."
Ele bateu a mão na mesa — não por raiva, mas como se estivesse se ancorando na realidade.
"Sem cancelar. Sem pausar. Manda mais, se for preciso."
Ele se inclinou para frente, a voz baixando para um sussurro que ainda fazia tremer as paredes.
"Reputação… é nome. Darnell… é sangue."
E com isso, sua cabeça caiu de novo — como se o esforço de falar tivesse esgotado o pouco de coerência que ainda restava.
Antonio não respondeu.
Simplesmente abaixou a cabeça, virou-se e foi embora.
Não adiantava discutir com um homem que sobreviveu quatro mil dias no Mundo Congelado…
Porque a verdade era… nem todo ele tinha voltado.
*Estouro*
Ao fechar a porta do escritório, Antonio finalmente ranger os dentes e bateu o pé de raiva, incapaz de acreditar que Dupravel, mesmo naquele estado lamentável,… se recuse a parar de perseguir seu filho!
"Meu Deus, Darnell… aquele garoto foi uma maldição para esta guilda desde que nasceu.
E, com certeza, será a desgraça que nos condenará a todos—" Antonio amaldiçoou enquanto caminhava pelo corredor, sua capa esvoaçando atrás de si como uma bandeira moribunda, os passos ecoando numa casa que já não parecia mais simbolizar nada além de perda.
Ele não olhou para trás.
Porque, lá no fundo, já sabia —
As Serpentes Negras não sobreviveriam a essa crise.
Nem com um louco no comando…
E um prisioneiro para um príncipe.