
Capítulo 345
Assassino Atemporal
(Mundo Congelado no Tempo, Planalto Espectral, ponto de vista de Leo)
Leo sentiu a dor oculta por trás das vozes do espectro ao apresentarem o terceiro enigma.
Sem dúvida, este foi de longe o enigma mais complexo que ele tinha ouvido, não por ser especialmente inteligente.
Mas porque era profundamente humano.
Não era uma questão de lógica, dedução ou percepção. Era uma questão de entender corações. De escolher qual amor era verdadeiro—quando todos os três irmãos acreditavam com igual desespero que ela era a única a quem ela adorava.
Leo fechou os olhos, deixando o silêncio se estabelecer, sem se apressar em uma resposta, enquanto tentava empatizar com cada história.
O primeiro irmão afirmou amar ela porque ela ria mais com ele e porque ela ia procurá-lo quando sua mãe ficava doente.
O segundo insistia que ela o amava porque sempre o buscava na multidão, confidenciava seus segredos mais profundos e gostava do seu calor e conforto.
O terceiro acreditava ser ele, porque ela o tinha beijado e nenhum outro, e porque ela olhava para ele com olhos diferentes dos outros dois.
Todos tinham razões válidas. Mas amor—amor verdadeiro—raramente se resume à razão.
Os pensamentos de Leo vagaram para uma mensagem que Elena lhe deu uma vez, quando ele ainda era um adolescente.
"Se algum dia quiser saber quem alguém realmente ama… observe quem ela protege no momento mais fraco."
Foi um comentário que ela fez de passagem, no entanto, ficou com ele para toda a vida.
'O que minha mãe disse naquela época é, definitivamente, o teste mais verdadeiro de amor… Se eu estivesse numa sala cheia das pessoas que mais amo, e uma explosão acontecesse de repente, jogando todos para trás… em quem eu olharia primeiro depois de levantar a cabeça? Com certeza seria essa pessoa que amo mais…' pensou Leo, enquanto, involuntariamente, seus pensamentos se desviaram para Amanda—o amor da sua vida.
E desta vez… ele não lutou contra isso.
Não fechou a porta para a dor, nem enterrou as memórias sob camadas de pragmatismo frio. Deixou-as escorrerem completamente—cruas, selvagens, sem filtro—enquanto imagens do sorriso dela, da voz, e de cada momento roubado que compartilharam floresciam atrás de seus olhos.
Ela não era perfeita. Nem sempre era a mais elegante ou prática. Mas ela era ela mesma, e para Leo, isso sempre tinha sido suficiente.
Ele se ricordou de como ela segurava sua mão quando ele comia rápido demais, encarando-o para que terminasse a comida na boca primeiro, antes de pegar outra colherada.
Ele se lembrou de como ela ficava com ele em silêncio após um dia difícil, sem perguntar nada. Como ela se iluminava toda ao falar sobre seus sonhos, mesmo sabendo que talvez nunca se realizassem.
Ele a amava.
Não porque ela o completasse, ou o fizesse sentir integral.
Mas porque… a felicidade dela importava mais para ele do que a própria vida dele.
Porque, se protegê-la significasse tornar-se um monstro para todo o universo, ele não hesitaria em ser um.
Porque ele sabia, bem no fundo da alma, que se todos os demais estivessem caindo, ela seria a primeira a quem ele buscaria.
Ele faria qualquer coisa por ela.
Mesmo que ela nunca olhasse para ele da mesma forma.
Mesmo que ela o esquecesse completamente.
Mesmo que amar ela o destruísse por dentro.
E enquanto esses pensamentos se cristalizavam em algo inquestionável, algo verdadeiro, Leo não percebeu a suave ondulação de cor florescendo ao seu redor.
Uma aura rosa suave—quente, silenciosa e incrivelmente pura—começou a subir da sua pele como uma respiração no ar do inverno, brilhando mais a cada batida do coração.
Não era raiva. Nem tristeza. Era amor, em sua forma mais vulnerável. Amor que não pede nada. Amor que simplesmente é.
Mas Leo permaneceu alheio a isso, de olhos fechados, coração aberto, enquanto começava a sentir de verdade o peso do enigma novamente.
Três irmãos. Três corações. Uma mulher.
O primeiro falou de risos e lealdade em momentos difíceis.
O segundo falou de conforto e intimidade emocional.
O terceiro… falou de presentes e intimidade física.
Mas nenhum falou do que perderam.
Amor verdadeiro não é uma competição.
Amor verdadeiro é sentir-se feliz mesmo que a pessoa que amamos esteja com alguém diferente.
Porque desejar que alguém seja feliz apenas quando estiver ao seu lado não é amor de verdade, mas sim amor próprio obsessivo.
"Todos vocês…"
"Ela amava todos vocês, mas nenhum de vocês realmente a amava—" Leo respondeu finalmente, ao abrir os olhos e olhar diretamente para a névoa à sua frente, onde o espectro inicialmente desaparecera.
"Ela tratava todos vocês com bondade, e mostrava um lado diferente dela para cada um, baseado no que lhes pareceria adorável."
"Mas não acredito que nenhum de vocês a amasse realmente, porque se fosse assim, vocês não estariam brigando entre si tentando provar que ela amava apenas um."
"Pelo contrário, deveriam ficar felizes por ela ter um coração grande suficiente para amar os três—" Leo disse com voz sombria, enquanto uma pequena lágrima se formava em seus olhos.
Essa não era uma resposta vinda da cabeça dele, mas do coração, baseada na sua compreensão do verdadeiro amor e nos sentimentos por Amanda.
Não era uma resposta que ele se sentisse especialmente confiante em dar.
Principalmente em um teste de sabedoria.
Porém, era uma resposta em que acreditava, pois alinhava-se com sua própria ideia de amor verdadeiro.
Por um longo momento, permaneceu o silêncio.
Apenas silêncio pesado, trêmulo, que se agarrava ao Planalto Espectral como orvalho em um campo de sepulturas.
Então, sem aviso, a névoa à frente se moveu—despedaçando-se como se fosse puxada para trás por mãos invisíveis—e o espectro reapareceu, emergindo lentamente na visão.
Porém, desta vez… algo era diferente.
A forma do espectro não permanecia mais ereta e acusadora, pois sua postura tinha mudado.
Seus olhos—três conjuntos brilhando tenuemente por três cabeças ligadas—não estavam mais ardendo com um vermelho raivoso.
Ao contrário, cada cabeça se virou para as outras, não em desafio, mas em vergonha.
O olhar vermelho, antes brilhante, agora escurecia para um marrom apagado, pois, pela primeira vez desde a chegada de Leo, nenhum deles conseguiu encarar seu olhar.
Cada par de olhos caiu lentamente para o chão, pesado de culpa, enquanto seus rostos começavam a mudar.
Barbas ressequidas e linhas profundas desapareciam. A pele distorcida, olhos nublados, idade fantasmagórica se desprendiam como tinta seca, revelando uma tela por baixo—até que, por um instante passageiro, Leo viu o espectro como ele realmente era.
Três jovens homens atraentes. Idênticos no corpo, únicos na expressão.
Um com um sorriso travesso. Um com um olhar calmo e pensativo. Um com um sorriso tímido e juvenil.
E naquele momento de clareza, livre de tempo, loucura ou magia amaldiçoada, Leo finalmente viu não monstros, não enigmáticos, não espectros…
Mas homens.
Homens destruídos e arrependidos.
A cabeça à esquerda falou primeiro, a voz roçando como se estivesse lembrando como ser honesto.
"Você está certo…" ele sussurrou. "Nós não a amamos de verdade. Não do jeito que ela merecia."
A cabeça do meio fechou os olhos, como se estivesse em dor.
"A magia deste mundo… nos distorceu. Nossos pensamentos. Nossos corações. Alimentou nossa inveja, fez nossas mentes se desgarrarem ao longo dos séculos… até que não conseguimos mais ouvir a voz dela. Apenas acusações entre nós."
E a cabeça da direita terminou a verdade.
"Nós a assassinamos." Suas palavras caíram pesado como uma pedra.
"Porque não suportávamos a ideia de que ela amasse um de nós mais do que os outros."
"É o ato que mais nos arrependeremos na vida."
"Não deixamos este lugar há mais de três mil anos. Ficamos ao lado do túmulo dela… tentando lembrar do rosto dela. Tentando se redimir pelo que fizemos. Tentando acreditar que ela pode nos perdoar de além da morte algum dia."
Enquanto sua voz se dissolvia no vento, o próprio planalto começou a tremer—suavemente, como um batimento cardíaco retornando a um corpo moribundo.
Então, a pedra sob seus pés brilhou, sua cor cinza opaca começou a mudar e formar rachaduras, e inscrições brilhantes de uma lápide antiga emergiram na terra coberta de névoa.
[ NA MEMÓRIA DE RUTH ]
Delicada. Honesta. Eterna.
"Você é um homem melhor do que nós… Mortal. Você ganhou nosso respeito, e o direito de seguir adiante."
"Nenhum espectro irá mais atormentar sua jornada daqui para frente—" disse a cabeça do centro, enquanto a névoa se dispersava completamente, revelando o caminho reto à frente, e o contorno quebrado de um castelo distante.