
Capítulo 924
Assassino Atemporal
(Enquanto isso, no ponto de vista dos Observadores)
Ru Vassa não se moveu.
Suas mãos permaneciam firmes, dedos entrelaçados na grade de energia que formava a barreira, enquanto energia divina fluía continuamente de seu núcleo, mantendo o coração do Chakravyuh mesmo com o caos eruptando dentro dele. Sua expressão era calma para o universo, enquanto sua mente lutava para entender o que tinha acabado de presenciar.
'NÃO.'
A palavra ressoou uma única vez, cortante e absoluta, enquanto ela mordia a língua e lutava para conter o impulso de gritar até ficar sem voz.
'MAURISS, SEUS IDIOTA DE MERDA, SE OS DOIS IRMÃOS MORRESSEM, NOSSOS GRANDES CLANES TERIAM SE TORNADO OS NOVOS SENHORES DO UNIVERSO!
POR QUE VOCÊ NÃO PÔDE FICAR DE BOCA FECHADA E NÃO FAZER NADA POR UMA VEZ?'
Ela se perguntava, enquanto tentava, sem sucesso, controlar sua fúria, pois sabia no fundo que uma chance como aquela nunca mais se apresentaria.
Da mesma forma, Mu Shen, que também mordia a língua ao lado dela, sentiu os mesmos pensamentos passarem por sua cabeça, reconhecendo o quanto essa havia sido uma grande oportunidade perdida.
'Que pena…'
O pensamento surgiu silenciosamente, sem calor ou raiva exterior, enquanto seus olhos permaneciam fixos no centro do Chakravyuh, onde a certeza escapou de suas mãos justamente no último instante.
'Que importa, que pena de merda.'
Ele pensou novamente, pois, para ele, isso não era um momento digno de raiva ou traição emocional, mas uma confirmação, a prova final de que Mauriss sempre foi uma variável imprevisível disfarçada de aliado, um ser que valorizava mais os resultados do que a lealdade, e a diversão mais que a estabilidade, escolhendo mais uma vez a imprevisibilidade quando a ordem estava ao alcance.
'Se os dois irmãos tivessem morrido ali,' ele raciocinou calmamente, já recalculando as consequências mesmo enquanto a essência divina continuava a jorrar dele sem interrupção, 'todos nós teriamos saído muito beneficiados com a morte dele... incluindo ele.'
A conclusão formou-se clara em sua mente enquanto ele traçava a cadeia de desfechos que teria seguido, como o Culto e o Governo Universal teriam colapsado por dentro sem seus pilares, como os Grandes Clãs teriam se colocado à frente não como conquistadores, mas como inevitabilidades, preenchendo o vazio deixado para trás, tornando-se governantes na ausência de guerra aberta, enquanto Mauriss e Helmuth tinham a oportunidade de dividir o resto do universo em domínios silenciosos e incontestados.
Porém, em vez disso, Mauriss escolheu preservar o desequilíbrio.
Como se território não significasse nada para ele.
Como se o controle, por si só, o aborrecesse.
Como se a lentidão do caos fosse mais desejável do que a possessão.
—
Enquanto isso, a uma curta distância, Raymond permanecia parado, com as mãos tremendo levemente enquanto as palavras de Mauriss ecoavam em sua mente com cada vez mais clareza, cada repetição o obrigando a confrontar pensamentos que nunca tinha permitido que permanecessem por muito tempo.
'Tio… ele também tinha matado o pai?'
A percepção atingiu-o com mais força que o medo.
Pois, por um breve, vergonhoso momento, a ideia não parecia completamente aterrorizante.
Um futuro sem Kaelith significava liberdade de uma presença que dominava todos os aspectos de sua existência, uma vida onde cada decisão dele não mais seria pesadas à sombra do pai, onde expectativa, julgamento e destino herdado finalmente poderiam aliviar seu pescoço.
Porém, esse mesmo futuro assustava-o igualmente.
Pois Kaelith, embora fosse um microgerente, também era seu maior escudo.
Sem ele, Raymond sabia exatamente qual seria o futuro à sua espera: na melhor hipótese, seria forçado à escravidão pelos Grandes Clãs ou por Mauriss.
Na pior, seria morto impiedosamente.
A sobrevivência do pai o protegia tanto quanto o limitava.
E assim, alívio e medo se entrelaçaram dentro de seu peito, inseparáveis e igualmente cortantes, enquanto assistia Kaelith ainda de pé, respirando, desafiando.
'Ainda não consigo sobreviver sem meu pai… não até me tornar um Deus também', pensou Raymond, sentindo-se vazio com a ideia, percebendo o quanto dependia do pai, mesmo nesta fase avançada da vida.
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(Enquanto isso, pelo Universo afora, ponto de vista dos Civis)
Em inúmeros mundos, as transmissões ao vivo mergulharam numa incredulidade atônita.
Pessoas olhavam para as telas em silêncio, bocas entreabertas, mentes lutando para entender o que tinham acabado de presenciar, enquanto uma execução se transformava em uma disputa interna, e deuses, que deveriam representar unidade, agora estavam divididos na frente de toda a cosmos.
"O… o Lord Mauriss acabou de salvar o Senhor Cult Soron?"
"Não, isso não faz sentido."
"Por que ele iria parar isso?"
Sussurros percorriam galerias de visualização, praças de cidades, residências privadas e câmaras militares, confundindo medo com dúvidas, enquanto os espectadores assistiam às cenas repetidas vezes, buscando lógica onde o instinto dizia que não havia nenhuma.
No começo, uma suspeita surgia.
"O Lord Mauriss desertou para o lado das trevas?"
"Vendeu sua alma ao Culto?"
"Isso é algum tipo de enganação?"
Mas, à medida que sua explicação se espalhava, enquanto analistas e estudiosos começavam a juntar as peças do que motivou Mauriss, a inquietação não desaparecia, apenas se aprofundava, pois entender a lógica por trás de suas ações não acalmava ninguém.
Pelo contrário, fazia o momento parecer pior ainda.
Ver os três pilares centrais da Facção Righteous se voltarem uns contra os outros, revelando que não eram nem unificados nem alinhados, mas movidos por prioridades diferentes, egos distintos e visões completamente opostas de vitória, destruía a compreensão comum do universo que acreditavam existir.
Pois, se até mesmo os deuses que reverenciavam não podiam concordar numa fração de segundo em que tudo parecia ao alcance da certeza, o que dizia sobre o futuro que tanto tentavam proteger?
As pessoas se mexiam de forma desconfortável.
Alguns sentiam raiva.
Outros, medo.
Alguns experimentavam algo mais próximo de a realidade que conheciam estar se desfazendo.
Pois aquilo que assistiam não era mais um simples conflito entre certo e errado, ordem e caos, carrasco e criminoso.
Era uma implosão.
Uma fratura exposta ao público.
E, enquanto os comentários mostravam o que acontecia após, as discussões, a tensão e o próprio Deus Cult que deveria estar morto e, no entanto, permanecia vivo, uma única ideia se espalhava silenciosamente pelo universo.
'Qual é a verdadeira verdade?'
'O universo realmente funciona como supomos?'
'Seríamos nós os tolos o tempo todo?'
Finalmente, os civis começaram a ver os deuses pelo que realmente eram.