
Capítulo 923
Assassino Atemporal
(Continuação da Transmissão Ao Vivo da Execução, O Poço)
“Que diabos você está fazendo, Mauriss? Finalmente perdeu a cabeça de vez? Sua cobra covarde e mentirosa?”
Kaelith estalou, a expressão se transformando em pura incredulidade enquanto seus olhos fixavam Mauriss, que se intensificaram, tornando-se afiados e perigosos ao perceberem que a adaga de origem em sua mão apertou-se apenas o suficiente para mostrar que aquela interrupção não seria esquecida.
No entanto, ao contrário do que esperava, Mauriss não parecia nem um pouco arrependido; se fosse algo, ele dava uma risada ainda mais alta com aquelas palavras, os ombros tremendo enquanto lentamente balançava a cabeça, mais com uma expressão de pena do que de remorso.
— Hahaha…
Mauriss riu abertamente, balançando a cabeça, levantando um dedo para apontar preguiçosamente primeiro para Soron, depois para Helmuth e, por fim, para Kaelith, como se os três fossem atores em um palco representando uma piada que só ele entenderia.
*Estrondo*
*Treme*
O chão sob o palco de execução tremeu violentamente quando Helmuth fincou o pé na pedra quebrada, uma força bruta emanando ao redor enquanto levantava o machado e apontava diretamente para Kaelith, sua expressão distorcida, selvagem e inflamando de raiva.
— Eu disse… não se intrometa na minha batalha, Kaelith.
— Então, que parte de NÃO INTERFERIR você não entendeu, hein? — exclamou Helmuth, sua voz carregando uma pressão suficiente para fazer o ar gemer, sua fúria igual à de Kaelith enquanto o Soberano Eterno finalmente virou o olhar para ele, o desprezo evidente em seu rosto.
— Já te deixei aproveitar sua diversão, Helmuth. Essa foi a última batalha.
— Vi uma oportunidade de acabar com Soron e aproveitei.
— PORQUE É ISSO QUE NOS TRAZEMOS…
— PARA ACABAR COM O CULTOS MALIGNOS —
respondeu Kaelith friamente, seu tom cortante de convicção, voltando sua atenção para Mauriss, que ainda ria, após justificar suas ações, antes de lançar um olhar cauteloso para Soron, que já regenerara totalmente seus ferimentos e respirava pesado atrás deles.
— Você é um tolo, Soberano Eterno…
Mauriss interveio naquele momento, sua risada suavizando-se enquanto roçava os ombros, estalava o pescoço e ajustava casualmente o cabelo, que não mais flutuava de forma estranha para o céu, mas se acomodava de volta sobre seus ombros em fios cuidadosamente arrumados.
— Como você já sabe, sou dotado da habilidade ‘Olho do Destino’.
E com essa habilidade, vi que mesmo se você perfurasse o coração do seu irmão, acreditando ser uma derrota certa na luta, ainda assim você não conseguiu acabar com ele.
— Porque seu irmão, teimoso que é, segura a vida por pouco tempo, até Helmuth empurrá-lo de lado com raiva, abrindo a oportunidade para Soron dar o último golpe antes que seu corpo finalmente desmorone.
— Um golpe… destinado a acabar com a sua vida —
explicou Mauriss com suavidade, suas palavras caindo uma após a outra enquanto as pupilas de Kaelith se dilatavam, a incredulidade cortando sua fúria como uma lâmina.
— Em sete de cada dez possibilidades, você morre.
— Os melhores filhos do Assassino Atemporal morrendo no mesmo dia.
— Mas vamos dizer que não gostei muito dessas probabilidades, então alterei essa realidade e garanti que você não precisasse suportar uma chance tão feia contra você… —
continuou Mauriss, com tom quase conversacional, enquanto Kaelith examinava instintivamente a aura ao seu redor, procurando por engano, e não encontrando nada, a veracidade dessas palavras pressionando desconfortavelmente seus sentidos.
— Então, pode me agradecer por ter salvo sua vida…
— E comece pedindo desculpas pelos insultos que lançou mais cedo.
— Porque, se não fizer isso…
— posso realmente ficar tentado a apoiar Soron em vez de você nesta batalha… —
Brincou Mauriss, seu sorriso se alargando enquanto a testa de Kaelith vibrava violentamente, uma veia saltando na têmpora ao ressurgir a fúria. Antes que pudesse responder, Helmuth voltou a intervir.
— Além disso, Soberano Eterno, não me importo se acredita ou não na história daquela cobra de topless.
— No entanto, o que realmente me importa é o fato de você ter demonstrado um enorme desprezo por mim.
— Há poucos segundos, eu estava a um passo de provar ao universo inteiro que sou um guerreiro superior ao seu irmão.
— E se você não me mostrar o respeito que mereço, não tenho problema algum em provar que sou superior a você também —
avisou Helmuth, sua machadinha abaixando-se o suficiente para sinalizar uma ameaça genuína, não uma advertência vazia, enquanto a atmosfera no centro da formação Chakravyuh ficava quase sufocante.
— Os três pilares da Facção Justa estavam em hostilidade aberta, com intenções de matar transbordando entre eles, enquanto Soron, ao fundo, respirava fundo, recuperando suas forças. Essa pausa repentina na batalha incessante era o descanso perfeito que ele precisava para estabilizar a respiração e reabastecer sua energia minguante.
— Foi por pouco… muito por pouco —
pensou Soron, puxando uma nova adaga do inventário.
— Tudo poderia ter desmoronado se aquela lâmina tivesse perfurado meu coração, se até um décimo de segundo tivesse acontecido de forma diferente, e o fato de ter chegado a isso me diz mais do que gostaria de admitir.
— Manter a distância de Helmuth foi um erro —
— Eu achava que ainda entendia os limites da força dele, que o Deus Besta era algo que eu podia medir, controlar com disciplina e controle, enquanto alimentava a ideia de que ainda era o guerreiro que um dia fui… —
— Mas não sou mais —
— Não sou mais a versão prime de mim mesmo, que permanecia invencível no auge, nem a lâmina que podia confiar apenas no instinto e no reflexo para atravessar batalhas prolongadas sem consequências —
— Se continuar lutando acreditando que ainda sou aquele homem, se continuar confiando em reações que chegam um pouco atrasadas, essa batalha vai terminar com meu corpo no chão —
— Helmuth já percebeu isso —
— Kaelith quase explorou essa fraqueza —
— E na próxima vez, não haverá interrupção —
— Se quero realmente chegar ao fim, se quero que meu povo sobreviva ao que está por vir, preciso aceitar a verdade da minha condição —
— Sou o lutador mais fraco aqui —
— E, por isso, não posso permitir-me orgulho —
— Nem impaciência —
— E nem trocar golpes só para provar algo que já não faz mais sentido —
— Tenho que desacelerar —
— Escolher meus momentos —
— E, quando chegar a hora… —
— É nisso que vou apostar tudo —
Concluiu Soron, ajustando a respiração e circulando a essência divina com mais cuidado por seu corpo machucado, enquanto seu olhar se levantava novamente para os três deuses hostis à sua frente.
A sorte tinha lhe permitido suportar o que parecia uma morte certa, mas certamente não haveria uma segunda chance se ele repetisse os mesmos erros.
Ele precisava compreender que já não era mais o guerreiro de antes; se a força por si só não fosse mais suficiente, então a sobrevivência teria que ser conquistada pelo julgamento, contenção e uma paciência forjada pelo conhecimento de que o próximo erro, dele ou deles, decidiria tudo.