
Capítulo 901
Assassino Atemporal
(Enquanto isso, a bordo de uma Nave de Destruição do Clã Su, POV de Su Yang)
*Shing*
*Shing*
*Ruídos da transmissão ao vivo*
Su Yang afiava sua espada contra uma pedra de amolar com movimentos firmes e aprendidos, o ritmo do arranhar do metal contra a pedra preenchendo o silêncio entre as explosões de áudio distorcido da transmissão ao vivo que passava na holoscreen à sua frente, enquanto faíscas brilhavam brevemente a cada passada e desapareciam tão rápido quanto surgiram, refletindo a tensão crescendo em seu peito enquanto a imagem de Soron piscava na projeção.
A lâmina já estava afiada o suficiente para cortar cabelo, mas ele continuava, mais por hábito do que por necessidade, enquanto seus olhos permaneciam fixos na tela onde deuses trocavam palavras destinadas a abalar o universo, enquanto suas mãos se moviam por instinto, ancorando-o em algo simples e familiar.
"Ainda não consigo acreditar no que estou vendo…."
Su Yang murmurou baixinho, a pedra de amolar desacelerando um pouco enquanto suas sobrancelhas se franziam.
"Pensei que a Dissidência Justa estivesse retirada da segurança de vários mundos ricos em recursos só para fazer uma exibição como essa, tudo porque estavam convencidos de que o Culto precisava ser destruído publicamente em vez de silenciosamente…"
Ele exalou pelo nariz.
"É imprudente. Arrogante. E, pela primeira vez, essa arrogância está jogando a favor da gente."
Finalmente, ele fez uma pausa, levantando a lâmina para inspecionar sua margem, antes de colocar tanto a espada quanto a pedra de lado, enquanto sua atenção se voltava completamente ao quadro maior que se formava em sua mente.
"Um planeta como Notam não fica exposto por muito tempo. Todo mundo sabe o que ele guarda. Pedras de mana, ligas raras, amplificadores de circuito natural… recursos que podem fortalecer um clã por gerações se forem bem assegurados."
Seus dedos se fecharam lentamente.
"Esse tipo de oportunidade muda o destino de um clã."
Ele falou, enquanto atrás dele, a presença de Su Tang permanecia calma e imóvel, o patriarca do clã sentado com as mãos entrelaçadas de forma relaxada, assistindo tanto a seu filho quanto a transmissão com o mesmo olhar atento, seu semblante indecifrável.
"Você não está errado na sua avaliação, filho," disse finalmente Su Tang, sua voz baixa e deliberada.
"Mas você ainda não está vendo o quadro completo. Está pensando como guerreiro, quando o que precisa aprender é a pensar como o próximo patriarca."
Su Tang orientou, enquanto Su Yang levantava uma sobrancelha às suas palavras.
"O que você está vendo na tela não é só uma execução que não afeta o Clã Su…
É um ponto de virada. E o que dele sair certamente terá consequências graves para nós também."
Disse Su Tang, inclinando-se para frente o suficiente para descansar os antebraços na mesa.
"Se o Culto colapsar como ameaça credível hoje, a Dissidência Justa precisará de outra coisa para apontar, algo mais para se unirem contra, e o Clã Su se tornará o próximo grande vilão do universo."
Não havia acusação em seu tom, apenas um aviso.
"Então sim, Notam está vulnerável. O momento é excelente. E hoje mesmo pode fortalecer a fundação do Clã Su."
Uma breve pausa se seguiu.
"Mas não confunda oportunidade com segurança, ou impulso com inevitabilidade… Pois o poder conquistado na confusão é sempre mais duramente examinado quando a ordem retorna."
Su Tang orientou pacientemente, enquanto Su Yang finalmente assentia em silêncio, sua mente inexperiente começando a entender o quadro mais amplo pela primeira vez, ao perceber que vinha assistindo à transmissão ao vivo do ponto de vista errado.
Até então, cada olhar para a transmissão só lhe trazia entusiasmo, focado unicamente no fato de que muitos dos comandantes e guerreiros mais poderosos da Dissidência Justa estavam reunidos na Fossa em vez de proteger seus planetas de origem.
E embora essa ausência facilitasse que esses planetas fossem alvos fáceis no presente, o que ele não tinha considerado era o futuro que seguia de uma ação assim.
Porque enquanto hoje parecia auspicioso para o Clã Su, amanhã, como seu pai apontou, permanecia incerto, no mínimo.
O Clã Su planejava invadir, saquear e destruir 9 planetas da Dissidência Justa hoje, na esperança de que a riqueza acumulada sustentasse sua sociedade por muitos séculos.
No entanto, dependendo do desfecho da guerra de hoje na 'Fossa', seu movimento poderia passar despercebido ou rotular o clã como o próximo grande vilão do universo.
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(Enquanto isso, no Planeta Ixtal, POV de Leo)
Leo estava na frente da sala de comando, ombros eretos, costas retas, seu olhar fixo na grande projeção da transmissão ao vivo que pairava no ar à sua frente, enquanto a luz variável da Fossa banhava seu rosto e refletia levemente em seus olhos.
Ele mal piscava.
Ao seu redor, os Comandantes do Culto estáticos em formação, presença pesada mas disciplinada, mas Leo não virou para reconhecê-los, seu foco permanecia fixo em uma única figura na tela, observando cada pequena mudança na postura de Soron, cada pausa entre suas palavras, cada fração de movimento que pudesse carregar um significado além do que era falado em voz alta.
'Ainda não…'
O pensamento surgiu silencioso, controlado, enquanto seus dedos lentamente se fechavam em punhos e se apertavam ainda mais, a tensão servindo para ancorá-lo, e não para dominá-lo.
'Soron ainda não deu o sinal.'
Ele mudou um pouco de peso, ajustando a mandíbula enquanto seus olhos acompanhavam a troca na transmissão ao vivo, revendo cada plano que tinham preparado, cada rota traçada pelo espaço hostil, toda frota posicionada além do alcance da detecção, tudo equilibrado na ponta de um ataque.
Essa era a parte de Leo que ele odiava.
A espera.
Não porque duvidasse do plano, mas porque entendia o custo de um timing errado, pois um movimento um pouco cedo ou atrasado destruiria tudo.
'Ele está ganhando tempo.'
Leo pensou, enquanto sua expressão se tornava mais dura, a realização se firmando com certeza e não com pânico, ao perceber o ritmo deliberado das palavras de Soron, a forma como ele mantinha a atenção sem se precipitar e como se recusava a entrar em um confronto precoce.
*Huff–*
Leo exalou lentamente pelo nariz, forçando seu aperto a relaxar o suficiente para manter o controle, lembrando-se de que Soron já havia passado por coisas piores e que havia suportado séculos de decadência, traições e perseguições sem se quebrar.
Ao seu lado, ninguém falou, mas Leo sentia a prontidão no ambiente, a fome contida por uma ação que refletia a sua própria, enquanto todos os Comandantes aguardavam pelo mesmo que ele:
Um sinal.
Uma confirmação.
Um momento em que a contenção deixaria de ser útil.
Leo se inclinou um pouco para frente, os olhos estreitando enquanto a transmissão continuava, sua atenção se aguçando e não vacilando.
'Quando chegar…'
Seus dedos se flexionaram uma vez.
'Não vou hesitar.'
Pois no instante em que Soron desse o sinal—
A equipe do Culto marcharia para resgatá-lo.