Assassino Atemporal

Capítulo 902

Assassino Atemporal

(Continuação da Transmissão ao Vivo da Execução, 'O Poço')

A pausa momentânea que seguiu a troca de palavras entre Soron e Kaelith não durou muito, pois Helmuth nunca fora um Deus feito para a paciência, nem alguém que tolerasse silêncio quando o derramamento de sangue ainda era iminente.

Por isso, assim que surgiu a primeira oportunidade, deu um passo deliberado para frente, com as botas rangendo contra a pedra da plataforma de execução enquanto o calor emanado de seu corpo se intensificava.

"Hahaha—"

Ele deu uma risada, o ar ao seu redor torcendo-se visivelmente, como se fosse queimado apenas pela proximidade, seus ombros largos rolando uma vez enquanto ajustava sua pegada no machado de batalha maciço que descansava nas costas.

"Certo," Helmuth finalmente falou, sua voz carregada de uma tonalidade áspera e cortante que atravessava claramente a tensão, "Já esperei tempo demais para vocês dois, irmãos, terminarem esse papinho."

Ele puxou de trás e arrancou o machado com um movimento fluido, a lâmina gemendo ao rasgar o ar antes dele a empurrar para frente e apontar sua aresta diretamente para Soron, a lâmina brilhando suavemente enquanto o calor transbordava de sua superfície.

"Agora é hora de vocês lutarem um contra o outro como homens, Soron!"

A declaração ecoou nos terrenos da execução e se espalhou pela transmissão ao vivo, enquanto a expressão de Helmuth se torcia ainda mais, assumindo um aspecto selvagem, com veias saltando no pescoço enquanto a aura infernal que emitia se intensificava, ondas de calor opressivas que obrigavam os menos resistentes a recuarem instintivamente.

Soron não vacilou.

Permaneceu na mesma posição, relaxado, com o olhar firme, como se a explosão de Helmuth fosse só barulho, seus olhos vagando preguiçosamente do machado para o Deus que o empunhava.

"Só você?" perguntou calmamente Soron, quase com curiosidade, inclinando levemente a cabeça.

"Tem certeza?"

Seu olhar desviou brevemente, primeiro para Kaelith, depois para Mauriss, que descansava confortavelmente em seu trono, antes de voltar a Helmuth, com um brilho sutil de diversão, enquanto os lábios do berserker se curvavam para cima em resposta.

"Queria provar isso há muito tempo," disse Helmuth, sua voz aumentando de volume enquanto seu peito se expandia e sua aura brilhava mais forte.

"Que sou eu. Helmuth. O Deus dos Berserkers. Que é considerado o maior guerreiro que já existiu na história do universo."

Ele deu mais um passo para frente, o machado arrastando por breves instantes contra a pedra, faíscas voando enquanto a lâmina riscou uma ranhura superficial na plataforma.

"Não você," continuou, apontando a arma em direção a Soron.

"Nem seu pai, o chamado Assassino Atemporal."

Seu sorriso se alargou, entrando numa expressão insana.

p>"Mas eu."

Ele se endireitou completamente, abrindo um pouco os braços enquanto o calor ao seu redor aumentava.

"Sou o mais forte!"

A declaração soou com uma convicção absoluta, não proveniente de dúvida, mas de uma obsessão moldada por incontáveis guerras.

Por um breve momento, a plataforma permaneceu silenciosa.

Então Soron tossiu com desprezo.

De forma cômica, ao mesmo tempo, Kaelith fez o mesmo.

O som foi pequeno, quase desdenhoso, mas a reação compartilhada chamou atenção instantaneamente, os dois irmãos trocando nenhum olhar, suas expressões espelhadas transmitindo o mesmo pensamento não dito: que Helmuth, mesmo ousando se colocar ao lado de seu pai, beirava o absurdo.

Mauriss riu.

"Hahaha…" riu o Deus do Caos, encostado em seu trono, entrelaçando as mãos com um deleite teatral.

"Vai ser divertido."

Ele se mexeu levemente, cruzando uma perna sobre a outra, com os olhos brilhando de interesse.

"Se ao menos minhas criadas aqui estivessem para me alimentar com uvas descascadas, aí teria sido perfeito," continuou Mauriss, suspirando de forma exagerada.

"Mas também não está ruim assim."

Ele se inclinou um pouco para frente, de modo que sua presença pressionasse sutilmente o espaço selado.

"Vou respeitar o desejo de Helmuth e não me envolver nesse duelo," disse com leveza, levantando um dedo.

"Porém, tenho uma condição."

Seu sorriso se afiado.

"O vencedor deve me permitir arrastar o corpo do Deus morto," disse Mauriss sem hesitar.

"Pois tenho desejos específicos e alguns experimentos que gostaria muito de realizar."

Helmuth e Soron trocaram olhares idênticos, severos e alertas, antes de voltar sua atenção um para o outro, sem oferecer a Mauriss nem mesmo uma satisfação de resposta.

Soron respirou fundo lentamente.

Seus ombros rolaram uma, duas vezes, enquanto levantava a cabeça e estalava o pescoço em uma série suave de estalos, o som se dissipando na quietude que se seguiu, antes de mover as mãos em direção à cintura.

Com movimentos lentos, desembainhou duas facas longas.

Não eram os punhais do Consertador de Rancores;

Simplesmente suas lâminas habituais.

De design simples, de cor escura, suas bordas limpas, mas sem nada de extraordinário à primeira vista, faltando a aura inconfundível do metal de origem que os deuses passaram a associar às armas feitas para matar suas próprias espécies.

Os olhos de Helmuth se estreitaram.

Assim como os de Kaelith.

Até Mauriss se inclinou um pouco para frente, com curiosidade afiada ao ver as armas nas mãos de Soron.

'Metal de origem não?'

A compreensão os atingiu quase ao mesmo tempo.

Uma leve onda de surpresa atravessou ambos, pois uma lâmina comum, por mais bem feita que fosse, não podia ferir permanentemente um Deus, sua eficácia desaparecendo rapidamente contra a regeneração divina, tornando seu uso em uma luta assim praticamente uma piada.

"Eh?"

Helmuth ponderou, soltando uma risada incredulamente baixa.

"Você, mestre culto, não tem uma lâmina de metal de origem com você?" perguntando com uma ponta de ofensa por trás da zombaria.

"Ou acha que eu não sou digno o suficiente para que você a empunhe?"

Ele perguntou com sarcasmo, enquanto os lábios de Soron se curvavam para cima.

A expressão foi lenta, deliberada.

"Claro que é o segundo caso," respondeu Soron com calma, os olhos fixos em Helmuth.

"Seu fraco berserker."

Ele zombou ao provocar, e a expressão de Helmuth se quebrou.

O calor ao seu redor explodiu para fora enquanto sua aura se intensificava violentamente, a pedra sob seus pés rachando em linhas irregulares, lançando sua cabeça para trás e rugindo, com um som bruto e primal, sem racionalidade.

"ARGHHHH CHEGA! VOCÊ É UM HOMEM MORTO!"

ele anunciou, antes de avançar com a lança, trazendo o machado numa arcada ardente, a fúria concentrada ao seu redor, enquanto se aproximava em um piscar de olhos, a intenção de matar evidente e única.

*Passo*

Soron mudou sua postura.

Facas baixas.

Olhos aguçados.

E quando Helmuth avançou atravessando a plataforma de execução, a transmissão ao vivo congelou na beira do impacto, bilhões ao redor do universo prendendo a respiração enquanto o primeiro golpe de uma batalha entre Deuses finalmente começava.

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