
Capítulo 906
Assassino Atemporal
(Dentro do Túnel Dimensional, Ponto de Vista de Leo)
Logo ao entrar no túnel, Leo percebeu rapidamente que os próximos quinze minutos seriam os mais longos de sua vida, pois no momento em que a fenda se fechou atrás dele e o espaço distorcido se fechou, todo o peso da aura de Moltherak caiu sem limites, não mais dispersa pelo ar aberto ou pela distância, mas comprimida em um corredor estreito que forçava cada grama de pressão a agir diretamente sobre ele.
'Que droga… Eu realmente não quero suportar toda essa pressão, mas se eu não fizer isso e a desviar, então a carga recairá sobre as naves e os soldados que estão atrás de mim…'
Leo pensou, enquanto seu peito se apertava diante dessa implicação.
Infelizmente, ele era o líder nesta guerra.
O que significava que os homens e mulheres atrás dele estavam marchando para o perigo por sua causa.
Por isso, precisava fazer tudo ao seu alcance para protegê-los da melhor maneira possível.
'Mas, será que consigo suportar quinze minutos sob isso?'
A ideia surgiu sem aviso, não por puro pânico, mas de forma sombria e analítica, enquanto Leo imediatamente entendia que aquilo que estava suportando agora não era uma onda de choque ou um impacto inicial para ser resistido, mas uma carga contínua e implacável, algo que não diminuiria com o tempo, mas que se acumulava, camada por camada, até que sua vontade ou seu corpo falhassem.
*Apertar*
Seu maxilar se fechou com força.
'Estou ferrado… Talvez tenha passado do limite.'
Ele pensou, enquanto cada passo que dava no interior do túnel era respondido por uma força oposta que empurrava contra seus ossos.
*Tremor*
*Nublar*
Devagar, mas com firmeza, sua visão começou a ficar turva.
Apesar de não acontecer de uma vez, as bordas do túnel se mesclavam lentamente, as cores sangrando onde não deveriam, e a percepção de profundidade se distorcia o bastante para que a distância se tornasse pouco confiável, forçando-o a confiar mais no instinto do que na visão enquanto avançava.
'Muito cedo', pensou, rangendo os dentes enquanto forçava a respiração a entrar em ritmo.
'Se já está assim, não posso mais hesitar.'
Ele pensou, levantando novamente o braço.
*Golpe de lâmina*
A adaga de aura rasgou o ar distorcido no mesmo ângulo de antes, o movimento familiar trazendo estabilidade enquanto o túnel respondia instantaneamente, ampliando-se em uma fração sob a força redirecionada da orb de Moltherak, enquanto a pressão sobre seu corpo aumentava violentamente, como se o espaço exigisse um pagamento pela nova abertura.
*Corte*
Ele deu mais um passo adiante, agora com os joelhos tremendo abertamente, seus músculos quase cedendo, a tontura varando seu corpo, enquanto o túnel se inclinava com força para o lado antes de se realinhar, e um gosto de cobre invadia sua boca violentamente.
*Engolir*
Ele engoliu em seco.
'Ainda não.'
Logo atrás dele, a frota do Cult avançava em silêncio disciplinado.
Leo não olhou para trás.
Ele não precisava.
Sentia o peso deles através da tensão do túnel, do modo como o espaço resistia à expansão a cada segundo, enquanto destróieres, fragatas e porta-aviões pressionavam contra a passagem alargada, sua presença coletiva aumentando o peso que carregava, mesmo com o escudo de aura redirecionando essa carga para fora, garantindo que nada se revertesse contra os soldados que o seguiam.
'Tenho que protegê-los… Tenho que manter meus homens seguros…'
Leo pensou, pois essa era a linha que se recusava a atravessar.
Toda pressão para frente.
Todo retrocesso para dentro.
Mas nada podia vazar para trás.
*GOLPE DE LÂMINA*
*TREMOR*
*NUBLAR*
Outra rajada atingiu.
Mais forte.
Mais profunda.
Sua visão se colapsou por um instante, a escuridão engolindo totalmente o túnel antes de uma luz saltar de novo com um estouro violento, seu pé escorregou e seu corpo foi lançado à frente, dentes cerrados enquanto ele mal conseguiu se segurar antes que a perda do equilíbrio se transformasse em um colapso completo.
*Gotejar*
Sangue escorria do seu nariz, suspenso por um instante antes de ser despedaçado pelas correntes instáveis.
'Foco.'
Ele pensou enquanto levantava novamente o braço, ignorando o protesto de dor no ombro.
*GOLPE DE LÂMINA*
Vinte e quatro vírgula vinte e quatro graus.
Sempre exato.
Sempre deliberado.
Seus dedos estavam dormentes agora, a adaga de aura tremendo levemente em sua mão enquanto a pressão de Moltherak roía sua resistência, inundando seus circuitos com poder que nunca deveriam sustentar por tanto tempo, enquanto seu crânio pulsava violentamente, cada batida como uma explosão atrás dos olhos.
'Isso não é força,' percebeu vagamente.
'É uma overdose.'
O túnel se intensificou.
*TREMER*
*Zzzzt*
A realidade se agitou, suas paredes estremecendo violentamente enquanto o colapso ameaçava, obrigando Leo a abrir novamente o corredor antes que a distorção se revertesse para dentro.
*Golpe de lâmina*
A sensação ficou mais pesada agora, cada corte derrapando por uma resistência mais espessa do que antes, enquanto a pressão sobre seu corpo aumentava proporcionalmente, como se o túnel exigisse uma homenagem crescente a cada metro avançado.
*Pantinho* *Pantinho*
A respiração dele ficou ofegante.
Não só por exaustão, mas pelo modo como a aura de Moltherak comprimida o ar, esmagando seus pulmões até que cada respiração fosse insuficiente, seu peito queimando enquanto forçava oxigênio num corpo que queria se apagar desesperadamente.
'Continue se movendo,' disse a si mesmo, as palavras sem esperança ou conforto.
'Parar agora significa fracasso.'
Ele pensou, dando um passo, depois outro.
*Tremor*
As pernas dele tremiam descontroladamente agora, o equilíbrio sustentado apenas pela vontade, enquanto sua visão se fragmentava novamente, se sobrepondo em camadas que se recusavam a se alinhar, forçando-o a piscar forte e confiar na memória para guiar seu próximo movimento.
*Golpe de lâmina*
O túnel se alargou lentamente.
Aquela hesitação o assustava mais do que a dor, pois não podia deixar de duvidar se aquele corte tinha sido feito no ângulo correto.
'Não ouse fechar,' pensou com força.
'Não agora.'
'Quando bilhões de vidas dependem de você…'
Encorajou-se, enquanto a aura se intensificava novamente, mais forte desta vez, o poder de Moltherak pressionando com hostilidade aberta, como se ressentisse de uma obediência prolongada, a força batendo com força suficiente para fazer as costelas de Leo rangir, um estalo interno afiado ecoando no peito enquanto a dor ardente roubava sua respiração.
*TREMOR*
Seus joelhos cederam, e por um breve instante ele pairou à beira do colapso, antes de se endireitar novamente.
Não de forma suave.
Não de forma limpa.
Mas em pé.
'Não… Não hoje…'
As palavras o sustentaram, enquanto levantava novamente o braço.
*Golpe de lâmina*
O túnel se alargou.
A frota avançou.
E Leo seguiu mais fundo no espaço distorcido, carregando um exército, o poder de um Dragão antigo, e uma decisão que não poderia mais ser desfeita, ciente com uma certeza sombria de que isso era apenas o começo, e que o verdadeiro teste não era se ele conseguiria abrir o caminho—
Mas se conseguiria manter-se consciente tempo suficiente para continuá-lo.