Assassino Atemporal

Capítulo 905

Assassino Atemporal

(Enquanto isso, no planeta Ixtal, ponto de vista de Leo)

— Por que você não experimenta isso? —

Na hora em que essas palavras chegaram a ele pelo livestream, arrepios percorreram a sua pele e sua respiração ficou presa por um instante, não porque ele ficou assustado ou desconcertado, mas porque algo profundo dentro dele já tinha reconhecido a intenção por trás delas, como se Soron tivesse alcançado o próprio espaço e pressionado um interruptor que jazia esperando ser acionado.

— É o sinal. —

Pensou Leo, enquanto se endireitava imediatamente, a tensão nos ombros transformando-se numa prontidão controlada, seu corpo respondendo mais rápido que o consciente, sua mão fechando-se uma vez antes de relaxar, enquanto seu olhar se endurecia e sua postura mudava o suficiente para que os Comandantes do Culto ao redor percebessem.

Sem que fosse dito uma palavra sequer.

Eles não precisavam falar.

No momento em que Leo virou as costas e deixou a projeção, a câmara de comando entrou em ação, não por pânico ou barulho, mas por uma eficiência treinada, enquanto relés acendiam, oficiais se posicionavam em alvos definidos, e sequências de implantação, preparadas com antecedência, finalmente passavam do planejamento para a execução.

*Passo* *Passo* *Passo*

Leo não olhou para trás.

Conforme avançava, sua mente se desviava das palavras de Soron e se concentrava na trajetória que ligava Ixtal ao 'Poço', o antigo mapa de túneis que Moltherak lhe confiara se desenrolando em seus pensamentos enquanto ele se lembrava da exata direção que precisava seguir para alcançá-lo.

— Vinte e quatro vírgula vinte e quatro graus. —

Já havia calculado isso com base no mapa antigo dias antes, sabendo com certeza que, naquela orientação precisa, alcançaria o 'Poço' após uma jornada árdua de aproximadamente quinze minutos dentro do Túneis Dimensional.

— Não posso errar agora… ou bilhões de vidas estarão condenadas ao meu lado. —

Pensou, ao escanear as vastas planícies além da estação de comando.

Planícies onde o Exército do Culto já estava em movimento.

Do horizonte, soldados avançavam em ondas disciplinadas rumo aos seus transportes, enquanto os Comandantes davam as últimas confirmações, destruidores levantando do solo um a um, com os motores rugindo ao serem ativados, suas bases inferiores brilhando enquanto os campos antigravidade entravam em ação, e fragatas e porta-aviões ajustando altitude e espaçamento para a decolagem imediata.

Leo caminhou pelo centro de tudo isso, sua presença traçando uma linha limpa no meio do movimento e do barulho, enquanto os pilotos se endireitavam instintivamente ao seu passo.

— Pilotos… não podem cometer erros hoje. —

Leo tinha dito a eles durante uma reunião privada horas antes, ao apertar as mãos de cada piloto do Culto, lembrando a todos sobre a importância de um tempo preciso e de absoluta exatidão nessa jornada perigosa pela quarta dimensão.

— Huff—

Ao soltar um suspiro profundo, Leo parou na beira das planícies, onde o chão inclinava-se um pouco e o ar parecia mais rarefeito, fechou os olhos e levantou a mão.

*Corte*

Ele atravessou o ar vazio, traçando uma linha estreita com precisão controlada enquanto começava a memorizá-la, a inclinação de entrada, antes de abrir o túnel dimensional.

— Isso foi exatamente 24,24°. —

Pensou, e então cortou novamente, e mais uma vez, até sentir-se seguro de que cada corte seguia o mesmo arco, a mesma orientação e o mesmo ângulo, sem precisar de correção consciente.

— Vinte e quatro vírgula vinte e quatro. —

Confirmou mais uma vez antes de abrir os olhos, enquanto espalhava sua aura de forma sutil, em busca de fragilidade dimensional ao redor.

Alguns segundos se passaram.

Então, ele sentiu.

Uma distorção tênue.

— Lá está… —

Pensou, ao dar um passo à frente e conjurar uma adaga de aura antes de abrir um Túneis Dimensional com ela, sem hesitar.

*FOGUEIRA*

*FUSO*

A realidade se rasgou.

Cores se misturaram enquanto o túnel dimensional se abria, o vento soprando de forma errática, enquanto o espaço se recusava a se estabilizar, a abertura mal grande o suficiente para passar um corpo humano, tremendo sob tensão nos seus limites.

— Consegui… abri o túnel, mas preciso ampliá-lo para que os jatos do exército possam passar. —

E para isso, preciso da esfera de Moltherak.

Pensou Leo, ao alcançar seu anel de armazenamento e retirar a esfera de aura que Moltherak lhe dera há algumas semanas.

Mesmo lacrada, ela pressionava seus sentidos como uma tempestade enroscada.

— Preciso de quinze minutos. Só quinze. Vamos torcer para que eu consiga suportar sua pressão até lá. —

Rezou, enquanto dava camadas de um escudo de aura grosso ao seu redor, uma após a outra, até abrir a esfera e liberar a aura do antigo Dragão.

*VIBRAÇÃO*

*TREME*

Uma aura violenta irrompeu para fora em uma onda caótica, atingindo os limites do túnel enquanto a realidade gemia sob a pressão, a abertura se ampliando rapidamente, substituindo finesse por força bruta, fazendo o chão tremer sob os pés de Leo.

*Oscilação*

Leo sentiu suas pernas fraquejarem enquanto a pressão o atingia, sua visão turva e o sangue subindo até a garganta.

— Droga, estou ferrado—

Pensou Leo, ao morder com força o sangue que queria escorrer, forçando seu corpo a obedecer à sua vontade.

— Então é esse o verdadeiro poder do Moltherak… —

Percebeu, ao sentir a verdadeira força de uma intenção assassina de um tirano compactada em uma pequena esfera.

— Pegue essa esfera, garoto, e estoure-a bem na entrada do Túneis Dimensional, pouco antes de atravessá-lo. —

— Enquanto sua aura não for forte o suficiente para deixar um exército passar, a minha consegue. —

— Então, desde que consiga suportar minha pressão, uma esfera deve permitir que você e seu exército atravessem com segurança até seu destino. —

Moltherak tinha dito ao entregar a esfera, mas, na época, parecia um plano mais simples do que agora.

— É forte demais… é forte demais… —

Pensou Leo, ao perceber o quão impossível era para ele suportar aquela pressão insana por quinze minutos consecutivos, mas, mesmo assim, reuniu toda sua determinação e avançou, sabendo que o fracasso nesta fase não era uma opção.

*Passo*

*Passo*

Devagar, com deliberada precisão, entrou no Túnel Dimensional, a fenda se expandindo ainda mais enquanto engolia a esfera caótica por completo.

*FUSÃO*

*TREME*

Agora parecendo uma grande rachadura no espaço, o túnel se ampliou o suficiente para acomodar naves, enquanto a distorção se estabilizava em algo quase estável, o ar vibrando como se a própria realidade estivesse segurando a respiração.

— Pilotos, — disse Leo calmamente, sua voz passando instantaneamente pelos relés de comunicação espalhados pelas planícies — Sigam-me. Agora.

Ordenou, enquanto os Destruidores alinhavam-se primeiro, deslizando suas cascas em posições precisas, com as fragatas seguindo atrás e os porta-aviões ajustando altitude e orientação, os motores rugindo em disparos sincronizados enquanto toda a frota se formava numa fila única, apontada diretamente para o túnel.

Um por um, as naves seguiram Leo na fenda, sumindo no espaço distorcido enquanto o Exército do Culto finalmente se movimentava, deixando Ixtal para trás e marchando em direção ao Poço, a uma batalha entre Deuses, e para salvar seu Dragão, Aegon Veyr.

Seu Deus e Mestre do Culto tinham pedido ajuda.

E o Dragão Sombrio havia atendido ao chamado.

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