Assassino Atemporal

Capítulo 907

Assassino Atemporal

(Enquanto isso, Continuação da Transmissão ao Vivo da Execução, POV de Soron)

*SWOOSH*

A machadada de Helmuth rugiu perto do rosto de Soron novamente, tão próxima que o calor peeling-lhe a face e transformou o ar numa coisa cortante, enquanto a plataforma de execução cedia sob o impacto e rachaduras se espalhavam como raios presos na pedra.

Soron se moveu pelo espaço entre os golpes, ao invés de recuar, com adagas cruzando baixo enquanto deixava o ímpeto do berserker passar por ele; seus pés escorregaram meia passagem, depois outra, enquanto Helmuth se recuperava apenas com instinto bruto, a machadada invertendo o sentido de uma forma que deveria ser impossível sob as leis normais da física, mas que, de alguma forma, ainda assim não completava o golpe.

Cada troca de golpes carregava peso.

Não no sentido de dano ou sangue, mas daquele que distorce a atenção mesmo, forçando cada Monarca observador a se inclinar para frente enquanto lutavam para acompanhar movimentos que se recusavam a permanecer em sequência, enquanto a multidão gritava e arfava em ondas de atraso, suas mentes ficando para trás do que os olhos já tinham deixado de processar.

Para Helmuth, aquilo era uma luta por domínio.

Uma oportunidade de provar ao universo que ele era o maior guerreiro que já viveu.

No entanto, para Soron, nunca era tão simples assim.

Ele se via lutando não para matar Helmuth, mas para garantir o futuro do Culto, e por causa disso, não podia entrar nas sequências letais que usava para desmontar seus oponentes mais fortes — técnicas projetadas não para trocar golpes, mas para acabar com guerras em momentos.

“Não posso matá-lo… pelo menos ainda não. Se eu danificar seu corpo demais, perco o controle do tabuleiro.”

O pensamento passou limpo por sua mente enquanto sentia o peso de duas restrições pressionando seu estilo de luta.

A primeira vinha da própria formação Chakravyuh, que pressionava seus instintos e selava caminhos que ele normalmente tomaria sem pensar, vinculando-o ao tempo linear e ao espaço tridimensional.

Já a segunda restrição era autoimposta.

“Você não deve machucar o corpo dele.”

As palavras de Leo ecoaram do castelo de pedra, calmas e deliberadas, carregando o peso de uma decisão tomada há muito tempo, antes mesmo de este campo de batalha existir.

E enquanto o confronto continuava, o aço chorando contra o calor e a realidade gemendo sob seus pés, Soron sentiu seus pensamentos começarem a se dispersar… não por distração, mas por necessidade, enquanto sua mente viajava de volta à conversa que teve com Leo há algumas semanas.

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(Flashback, Castelo de Pedra, POV de Leo e Soron)

A xícara parou na metade do caminho até os lábios de Soron.

Seus olhos se levantaram lentamente, incrédulos, enquanto encarava o rapaz sentado à mesa oposta, vapor preguiçoso entre eles, como se a conversa que estavam tendo não fosse sobre desmontar deuses e reescrever o equilíbrio do universo.

"Você quer que eu faça o quê?"

Perguntou Soron, no final, com a voz baixa, incrédula, colocando a xícara com cuidado deliberado e puxando o puente do nariz, já sentindo uma dor de cabeça se formar.

No entanto, Leo não se assustou.

"Sim", respondeu calmamente, assentindo uma vez como se tivesse acabado de reafirmar algo óbvio.

"Quero que você lute com Helmuth, o Deus dos Berserkers, primeiro.

E quero que faça isso de uma forma onde você não machuque ele."

Leo reiterou, enquanto Soron soltava uma respiração curta e sem humor, inclinando-se na cadeira e encarando o teto de pedra por um instante, como se apelando ao próprio universo.

"Então, deixa eu entender direito," ele disse, os olhos voltando para Leo, agora afiados.

"Você quer que eu lute contra um Deus… sem realmente lutar contra ele…?"

Ele perguntou, enquanto Leo permanecia impassível.

"Sim, o que significa que você não pode usar as adagas de origem," continuou Leo com serenidade.

"Porque no momento em que você causar dano real ao corpo dele, acabou."

Esse dano seria permanente. Irreversível."

Ele cruzou as mãos na mesa.

"E um corpo permanentemente danificado é uma mercadoria bem menos valiosa para o que vem a seguir."

Soron o encarou.

Por um bom tempo.

Forte.

"Você até se ouve, garoto?" Soron finalmente disse, com incredulidade misturada à irritação.

"Quer que eu lute com um Deus sem matá-lo, sem torná-lo inválido, sem usar as ferramentas que realmente tornam isso possível."

Ele se inclinou para frente agora, com os antebraços apoiados na mesa, o olhar pesado.

"Você entende que eu não sou tão superior a Helmuth que possa levar essa luta na brincadeira… certo?

Um erro, uma avaliação errada, e não terei uma segunda chance."

Explicou, enquanto Leo assentia sem hesitar.

"Sei que não será fácil," disse Leo.

"E sei que há uma chance real de que você não consiga isolá-lo totalmente quando o caos explodir."

Ele fez uma pausa rápida, depois continuou, com o olhar firme.

"Mas minha justificativa para escolher Helmuth é simples….

De todos os deuses atualmente vivos—

Helmuth, Kaelith e Mauriss são, provavelmente, os mais fortes.

Mas Helmuth, em particular, tem o corpo mais forte e a mente mais fraca."

Soron franzou a testa levemente.

"Ou pelo menos," acrescentou Leo, "é o que sua reputação sugere."

Ele recostou-se um pouco.

"Assumindo que você planeja matar Kaelith.

E assumindo que Mauriss seja tão perverso e calculista quanto você me avisou que ele é."

Os olhos de Leo se endureceram.

"Isso deixa Helmuth como o único alvo viável para meu plano.

Porque, se há alguém cuja mente Moltherak possa dominar—

deve ser alguém cujo fraqueza de vontade seja proporcional à força física."

O cômodo ficou em silêncio.

Soron respirou fundo, passando uma mão pelo rosto antes de sacudir a cabeça.

"…Detesto que isso faça sentido."

Ele se endireitou de novo, os olhos se estreitando.

"Mas mesmo que tudo saia exatamente como você quer," disse Soron,

"mesmo que eu consiga isolar Helmuth do resto…"

Ele fez um gesto vago com uma mão.

"Ainda há uma dimensão inteira além do Abismo que separa O Poço do Mundo Congelado pelo Tempo."

Não é como se tivesse uma porta conveniente por onde eu possa empurrá-lo e dar por encerrado."

Leo assentiu, sem se surpreender.

"Sei que não há," disse ele.

"Mas também sei que Moltherak ainda pode viajar pela quarta dimensão."

Os olhos de Soron piscaram.

"A única coisa que ele não consegue fazer," continuou Leo,

"é re-aparecer por conta própria no espaço tridimensional."

Ele se inclinou para frente, com a voz baixa.

"O que significa… se você encontrar uma forma de abrir um portão da quarta dimensão e empurrar Helmuth para dentro dele—"

Leo olhou para Soron.

"—podemos deixar Moltherak esperando do outro lado."

A silence se estendeu.

Soron recostou-se novamente, encarando a fumaça que subia de seu chá não tocado.

"…e deixar que as coisas sigam seu curso natural a partir daí," murmurou o Deus, enquanto Leo concordava com um aceno.

*Suspiro*

Soron exalou fundo e sacudiu a cabeça.

"Entendi," disse por fim.

"Faz sentido logico."

Seus olhos se aguçaram.

"Mas você está esquecendo de um detalhe muito importante."

Leo levantou uma sobrancelha.

"Não posso abrir portões da quarta dimensão enquanto estiver trancado dentro do Chakravyuh," disse Soron, decididamente.

"Então, me diga… como exatamente você espera que eu empurre ele para a quarta dimensão se não consigo acessá-la?"

Soron perguntou, enquanto, pela primeira vez desde o início da conversa, Leo sorriu.

Não de modo convencido.

Não de forma arrogante.

Mas com uma certeza serena.

"Deixe a desmontagem do Chakravyuh comigo… Eu cuido dessa parte."

Garantiu, enquanto a memória se despedaçava.

O aço gemia.

O calor aumentava.

De volta ao Poço, as adagas de Soron cruzaram novamente enquanto a machadada de Helmuth descia, seus olhos se afiaram com clareza renovada, pois agora a luta não era mais sobre sobrevivência—

Era sobre executar um plano preciso… um plano que decidiria o destino do Culto.

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