
Capítulo 888
Assassino Atemporal
(Algumas horas depois, 'A Fossa', ponto de vista de Veyr)
A atmosfera única de 'A Fossa' atingiu Veyr no instante em que chegaram, pesada e opressiva, carregando o cheiro de ferro, suor, pedra queimada e sangue antigo que tinha se infiltrado tão profundamente no chão que parecia permanente.
*Rangido* *Rangido*
As correntes ao redor de seus pulsos apertaram-se e o arrastaram para frente como um animal acorrentado sendo conduzido ao abate, enquanto Raymond andava à sua frente casualmente, segurando a corrente frouxamente como se estivesse guiando um cachorro, com postura relaxada e indiferente, enquanto seus passos ecoavam ritmicamente contra a trilha de pedra arenosa e negra.
*Arranhar* *Trovão*
Veyr cambaleou uma vez antes de se estabilizar, seus pés descalços raspando dolorosamente contra o chão áspero enquanto era puxado para frente, passando por fileiras de bárbaros altos alinhados pelo corredor, suas enormes silhuetas cobertas de armaduras marcadas e enfeites ósseos, com armas rudimentares descansando em seus ombros, enquanto olhares cheios de violência gritavam sua atenção a cada passo.
"Grrr—"
"Sssslh!"
Baixos rosnados reverberaram pelo grupo.
Seguiram-se silvos.
Dentes à mostra.
Expressões distorcidas de ódio enquanto reconheciam o que ele era—
O Dragão Culto, um símbolo, um prêmio destinado a morrer para seu entretenimento, enquanto ondas de intenção assassina se aproximavam dele, densas o suficiente para se saborear.
"Venha lutar comigo, se tiver coragem! Eu te matei aqui mesmo!"
Desafios de um bárbaro, enquanto Veyr simplesmente sorria em resposta.
Não era um sorriso de coragem, nem de orgulho.
Era um sorriso fino, cansado, carregado de desprezo silencioso, como se intimidação nesse nível sequer mais o atingisse.
"Para de sorrir, fraco, ou vou quebrar seus dentes."
Um dos bárbaros falou, avançando meia passada, enquanto suas mãos ficavam brancas ao redor do cabo de seu machado, veias pulsando no pescoço enquanto a raiva transbordava dele.
Veyr baixou levemente as pálpebras ao virar a cabeça na direção dele, seu olhar passando por cima dele sem pressa ou preocupação, como se estivesse olhando para algo já morto.
"Ah, é mesmo. Eu sou um homem morto de qualquer jeito. Você acha que ainda me importo com alguns dentes quebrados?"
Veyr respondeu calmamente, a voz cansada mais do que assustada, e as palavras caíram com peso inesperado, fazendo o bárbaro congelar.
Sua raiva vacilou no meio do suspiro, enquanto a confusão se espalhava pelo seu rosto, a fúria simples que o alimentava alguns instantes atrás, sem lugar para se fixar, pois sua lógica limitada tinha dificuldade em reconciliar a ausência de resistência.
Ele lançou um olhar de canto para seus companheiros de clã, depois voltou para Veyr, seus olhos nublados de incerteza.
"Esse aqui não tem fogo. É patético."
O bárbaro murmurou, recuando para a formação enquanto seu interesse desaparecia.
"Hmpfh,"
Raymond resmungou suavemente e puxou a corrente novamente, arrastando Veyr em direção a uma cela reforçada esculpida diretamente na parede de pedra, com barras grossas marcadas com runas de contenção recém-traçadas que ainda brilhavam suavemente, enquanto empurrava Veyr para ela.
*CREEEEK*
A porta da cela rangeu ao abrir, enquanto Raymond empurrou Veyr para dentro, sem cerimônia, as correntes fazendo barulho alto enquanto ele cambaleava para frente antes de se estabilizar, os botas raspando na pedra enquanto levantava a cabeça.
E então ele sentiu.
Uma presença.
Pesada.
Opressiva.
Seu olhar subiu lentamente, um medo se formando instintivamente no peito ao fixar os olhos na figura já esperando dentro da cela.
Mauriss estava sentado em um banco de pedra, com uma perna cruzada sobre a outra, postura relaxada a ponto de parecer zombeteira, enquanto seu cabelo longo flutuava para cima de forma pouco natural, como se a gravidade tivesse decidido não agir sobre ele, olhos afiados, calculistas e parcialmente divertidos, como um predador que já se entediou de sua presa.
"Ora, ora, ora. Se não é o filho do traidor do juramento."
Mauriss disse suavemente, sua voz controlada e deliberada, enquanto seu olhar nunca dirigia a atenção a Veyr, mas permanecia fixo em Raymond, que se enrijeceu instantaneamente.
"L-l-lorde Mauriss?"
Raymond gaguejou, a garganta apertada, os ombros recuando involuntariamente, suor escorrendo pelos temores enquanto a atenção de Mauriss se fixava nele como uma vise.
Veyr, por sua vez, sentiu algo mais frio que medo escorrer por sua espinha, não pânico, mas algo pior — uma sensação de reconhecer uma presença tão além dele que até a resistência parecia inútil.
Seus instintos gritaram em alerta enquanto sua respiração travava, incapaz de compreender a escala do poder que irradiava daquele homem sentado ali.
Outro Deus.
E, ao contrário de Raymond, esse parecia elaborado, intencional e infinitamente mais perigoso.
*BANG*
A porta da cela se fechou com um estrondo ensurdecedor, o metal reverberando na pedra enquanto o som ecoava por mais tempo do que o normal.
Veyr não se virou.
Continuou olhando para Mauriss, o maxilar cerrando-se ao finalmente aceitar a realidade do lugar onde estava.
"H-há quanto tempo, meu senhor? É uma honra revê-lo....."
Raymond disse, enquanto Mauriss sorria de orelha a orelha, ouvindo seu medo.
"Ah, Raymond, tenho estado simplesmente brilhante desde que você atacou o Culto e matou o Charles.
Devo dizer, foi um ponto de virada na história deste universo.
Desde então, tenho me divertido tanto o tempo todo.
Então, preciso agradecer a você, meu garoto.
Obrigado por incentivar seu pai a quebrar o juramento sagrado entre nós e permitir que você se tornasse Semi-Deus.
Pois, sem isso, eu nunca teria tanta diversão."
Mauriss afirmou, enquanto gotas de suor começavam a escorrer livremente pela testa de Raymond agora.
O olhar predatório nos olhos de Mauriss assustava mais do que a fúria de seu pai jamais faria.
"Não... não, não, meu senhor, você está enganado."
Meu pai nunca me permitiu me tornar semi-deus, eu apenas o enganei.
Ele NUNCA quebraria conscientemente um juramento sagrado entre você e os deuses...."
Raymond tentou se defender, quando Mauriss imediatamente fez uma escárnio em resposta.
"Ah, por favor... Não venha falar de enganar alguém na minha frente, garoto.
Eu tenho enganado deuses desde antes de você estar na bolsa do seu pai.
Então, guarda a dramática para outro lado, quer? Eh?"
Mauriss disse, levantando-se e dando uma palmada nas costas de Raymond, como se fosse um garoto travesso, nada mais, antes de sair da cela como se Veyr nem estivesse lá.
O Trapaceiro nem sequer reconheceu o Dragão, como se não ligasse para ele at all.
Foi só então que Veyr percebeu que, mesmo tendo ele o destino de ser executado em breve, era apenas isca para atrair o grande peixe.
A execução nunca foi sobre ele.
E não era ele quem os deuses realmente buscavam.