
Capítulo 889
Assassino Atemporal
(O Poço, ponto de vista de Mauriss)
Mauriss saiu da cela com um sorriso faceiro estampado no rosto, revivendo o momento na cabeça, saboreando-o repetidamente — o ritmo, o timing, a expressão de Raymond ao mencionar engano e testículos, encerrando com absoluta certeza que tinha sido uma das melhores frases que tinha dito nesta década.
'Essa acertou em cheio.'
Pensou, com os lábios se contorcendo de satisfação enquanto seu peito se aquecia de orgulho.
'Deve ter parecido ridiculamente legal para aquele jovem dragão, não?'
A ideia o divertiu ainda mais enquanto levantava o olhar e escaneava ao redor, apenas para notar vários bárbaros o encarando com confusão aberta, expressões sem filtro, sem nem ao menos demonstrar medo — uma falta de cortesia que, para Mauriss, era completamente evidente.
Eles eram enormes, com cicatrizes, semiarmados, agrupados em bandos fracamente organizados perto da área de contenção, os olhos fixos nele com a mesma curiosidade vazia que observam um de seus próprios.
Mauriss piscou uma vez.
Depois duas.
Olhou para baixo, examinando-se.
Pecho nu.
Sem manto divino.
Sem armas.
Sem trajes cerimoniais.
Apenas carne, cicatrizes, e arrogância, enquanto a compreensão de que os idiotas acreditavam sinceramente que ele era um deles lhe invadia a mente.
"Não. Não. Não."
Murmurou Mauriss, uma expressão lenta, ofendida, se formando no rosto enquanto ele pressionava o ponte da nariz com as mãos.
"Não sou um idiota como vocês, idiotas demente."
Disse, antes de bater levemente com o pé na pedra, momento em que o mundo rompeu.
*KABOOM*
Um estrondo sônico ensurdecedor se fez ouvir sob ele, o ar colapsando violentamente para dentro, as pedras rachando em um anel cada vez maior enquanto ele desaparecia num piscar de olhos, deixando os bárbaros arremessados para trás como folhas em tempestade.
A onda de choque se espalhou ainda longe após a sua ausência.
Acima, o céu se fechou ao redor de seu avanço, enquanto ele avançava como uma lança lançada, o espaço bendizendo-se obediente à sua frente, enquanto a distância se tornava irrelevante — sua trajetória cruzava centenas de quilômetros em um único instante.
A terra abaixo se tornava borrão.
As montanhas encolhiam.
Rios se transformavam em linhas finas.
Depois um calor repentino.
Uma caldeira de vulcão adiante se abriu como uma ferida, o roxo de magma vagando levemente sob a rocha emite uma luz tênue de magma residual muito abaixo, enquanto cinzas se dispersam preguiçosamente pelo ar.
"...."
Mauriss aterrissou no topo do vulcão silenciosamente, seus botas tocando suavemente a pedra que queimava de preto, como se a própria gravidade hesitasse em conte-lo.
*Sussurro*
*Sussurro*
*Sussurro*
A machadada de Helmuth moveu-se em arcos precisos e brutais, cada golpe atravessando o ar com tamanha perfeição que o espaço por onde passava parecia permanentemente alterado, a lâmina vibrando com um zumbido sutil enquanto a força do ataque alterava a própria realidade.
Seu corpo era colossal mesmo pelos padrões divinos, músculos volumosos e tencionados sob uma pele marcada por cicatrizes, veias à mostra, enquanto ondas de calor emanavam dele com força palpável.
Cada movimento era eficiente.
Cada passo, intencional.
O ápice do que deveria ser um guerreiro de machado.
Mauriss cruzou as mãos atrás das costas e observou.
Ele não falou.
Ele não interrompeu.
Simplesmente ficou ali, ciente de que Helmuth odiava ser vigiado enquanto treinava — e que, ao ficar parado, cedo ou tarde, o Deus Bárbaro iria perder a tranquilidade.
*GOLPE*
Tal como esperado, um golpe potente de machado veio sem aviso, uma força tão grande que poderia dividir dois planetas ao meio.
"HAHAHA!"
Mauriss riu, reagindo com calma enquanto levantava dois dedos, pegando o ataque pelos punhos.
*FSSSHH—*
A força avançou o suficiente para rasgar a pele, formando uma linha fina de sangue onde a essência divina tocava a carne, sangue emergindo por um breve momento antes de escorrer livremente.
*Gota*
Uma única gota de sangue soltou-se de seu dedo enquanto Helmuth congelava de nojo, e Mauriss sorria descaradamente.
"Hmm. Que ataque poderoso."
Disse, levando o dedo à boca para lamber a gota lentamente, os olhos revirando de excitação, o ar preso na garganta, a expressão se derretendo em puro êxtase — algo que só aumentava a irritação de Helmuth.
*Suspiro*
Por fim, Mauriss suspirou satisfeito, saboreando o gosto enquanto Helmuth bufava de frustração, a irritação emanando dele como calor, enquanto pegava novamente seu machado e se virava, voltando ao treino sem sequer olhar na direção de Mauriss.
"Hoje não me incomode, impostor."
Disse Helmuth com a voz seca, enquanto seu machado continuava a mover-se.
"Se quer diversão, ache em outro lugar, porque hoje não estou a fim de te acompanhar."
Outro golpe acertou, agora mais pesado que o anterior.
"Nos próximos quarenta horas preciso entrar no ritmo de batalha."
Seus pés mudaram de postura enquanto a força se agitava por seu corpo.
"Quando Soron chegar, preciso estar em condição física e mental máxima."
O machado atingiu o ar mais uma vez.
"E, pra isso, você precisa desaparecer."
Adiantou Helmuth, enquanto Mauriss balançava a cabeça em decepção e fazia cócegas na cabeça já recuperada.
"Tch."
Disse, sacudindo lentamente a cabeça enquanto balançava seu dedo já curado.
"Chego cedo, trago convidados, provo drama familiar, e esse é o tratamento que recebo."
Suspirou dramaticamente.
"Achava que a Toca seria mais divertida dois dias antes da execução. Mas você, Helmuth, me decepcionou ao preferir treinar ao invés de uma companhia tão agradável—"
Ele provocou, porém Helmuth não respondeu, todo foco do Deus Bárbaro agora exclusivamente na rotina de treinamento, enquanto Mauriss o observava por mais alguns momentos, notando sua respiração controlada, a agressividade medida, a forma como Helmuth já se preparava para a guerra mais do que para o espetáculo, até que, por fim, virou-se e foi embora, derrotado.
'Que tédio.'
Pensou Mauriss, sentindo a reação de Helmuth apagar sua animação ainda mais.
Com um último olhar para a caldeira, Mauriss recuou e desapareceu novamente, o espaço se fechando em seu redor enquanto ele partia, sem mais provocações — relutante em irritar Helmuth de verdade antes do evento principal.
'Depois que Helmuth morrer... uma das primeiras coisas que farei será varrer todos os bárbaros babacas deste universo.'
Eles copiam meu estilo demais.'
Pensou Mauriss, com um sorriso leve, visualizando as gritos, o caos e o silêncio que viriam — à medida que o universo descobria que a imitação, especialmente de seu estilo, era o pecado que nunca seria perdoado.