Assassino Atemporal

Capítulo 886

Assassino Atemporal

(Planeta Ixtal, Acampamento do Culto, Tenda do Conselho)

O silêncio permaneceu na tenda de comando por longos momentos após Leo terminar de falar, pesado e imóvel, enquanto as projeções brilhantes do mapa de guerra lentamente se apagavam e desapareciam, deixando os cinco Monarcas do Culto de pé ao redor da mesa, apenas com seus próprios pensamentos como companhia.

Por várias batidas de coração, ninguém falou.

Su Pei foi o primeiro a levantar o olhar, olhando para Darnell Nuna, apenas para descobrir que o homem já o encarava de volta, com uma expressão rígida e difícil de decifrar.

Do lado oposto, Anderson Silva lentamente massageou a ponte do nariz, enquanto Mickey James recostava-se contra uma das colunas de suporte da tenda, com os braços cruzados no peito, queixo cerrado como se ranger os dentes pudesse de alguma forma tornar o plano menos louco.

Dupravel Nuna permaneceu imóvel, com os olhos fixos na mesa onde as projeções estavam há momentos atrás.

Já, na extremidade oposta da tenda, Dumpy sentava-se com as pernas cruzadas, costas eretas, braços cruzados confortavelmente, olhos semi-cerrados, com um sorriso confiante e discreto eternamente gravado em seu rosto verde largo.

— Ainda dá tempo de fugir, não é? —

A ideia surgiu silenciosa, quase tímida, em mais de uma mente.

— Não podemos simplesmente participar desta guerra? —

Ninguém disse em voz alta.

Mas ao cruzarem os olhares, brevemente e depois novamente, todos reconheceram a mesma inquietação refletida de volta, o outro homem tendo as mesmas dúvidas que eles.

— O plano do Senhor é insano… —

Todos pensaram ao mesmo tempo, ao perceberem que o plano exigia perfeição.

Não havia redundâncias.

Não havia redes de segurança.

Não havia espaço para heroísmo ou improviso.

Se um deles falhasse, os demais não apenas sofreriam por isso, mas colapsariam por causa disso, o que significava que o plano praticamente não tolerava erros.

*Suspiro*

Eventualmente, Dupravel exalou lentamente e endireitou-se, quebrando o silêncio com pura força de vontade.

— A parte assustadora do plano do Senhor é que nenhum de nós age de forma independente. Somos todos elos de uma única corrente, e essa corrente só é forte quanto seu elo mais fraco. Não basta que quatro de nós estejam firmes. Cada frente precisa vencer, pois no instante em que mesmo um cair, os outros também desabarão como um castelo de cartas. —

As palavras ficaram no ar dentro da tenda.

Mickey James passou a mão pelo rosto, respirando fundo lentamente.

— Este é o plano mais perigoso que já ouvi na minha vida. —

Anderson Silva assentiu uma vez.

— Perigoso parece pouco. —

Su Pei, que até então permanecia em silêncio, soltou uma risada curta e abafada ao rolar os ombros e se endireitar.

— Bom, não vou fingir que não estou assustado. Mas, ao mesmo tempo, meio que entendo. É assim que se fazem lendas. Ou eu morro sem deixar rastro, ou me torno o Su Pei do Culto, um nome que será lembrado por mil anos. —

Seus palavras ficaram no ar.

Mickey deu uma risadinha e fez um gesto de ombros.

— Quando você coloca assim, fica difícil dizer não. —

Anderson deu uma risadinha baixa.

— Uma chance de glória eterna parece tentadora. —

Darnell Nuna finalmente falou, com a voz firme apesar da tensão que cozia na tenda.

— Se o Senhor acredita que essa é nossa melhor chance, então vou até o fim. —

Um por um, seus olhares se voltaram para a última presença na tenda.

Dumpy permaneceu sentado, imóvel, com a expressão inalterada.

Depois, seu sorriso se alargou um pouco.

Confiante.

Relaxado.

Como se essa guerra já estivesse decidida.

E por motivos que nenhum deles conseguiu explicar completamente, essa confiança sozinha aliviou um pouco o peso esmagador no peito deles.

— Desde que nasci uma rãzinha, ainda não vi o Plano do Senhor falhar nem uma vez. —

Ele e Chaosbringer, quando esses dois fazem um plano, a vitória é praticamente garantida. —

Dumpy garantiu, suas palavras logo suprimindo parte da tensão na sala, permitindo que todos permanecessem mais erguidos.

— Acho que a vida de mim e dos meus homens depende de cada um de vocês nesta sala. Então não vacilem… —

Dupravel avisou, enquanto o peso dessas palavras se depositava fortemente sobre a tenda do conselho, não mais uma questão de estratégia ou abstração, mas algo dolorosamente pessoal.

Por um breve momento, ninguém respondeu.

Então, Darnell Nuna deu um passo à frente, colocando os pés com firmeza silenciosa enquanto seu olhar se movia de Dupravel para os outros.

— Não vamos —

ele disse simplesmente, com certeza genuína. — Se a corrente quebrar, não será por minha causa. —

Anderson Silva o seguiu, erguendo-se de onde estava, sua tensão anterior substituída por uma calma afiada e focada.

— Meu front também vai resistir —

disse ele. — Seja o que for que os Justos nos joguem, garantirei que não chegue até os outros. —

Mickey James desceu do suporte, rolando os ombros uma vez, com o som do metal ajustando-se suavemente na tenda.

— Para mim, isso é fácil. —

— Nenhum Guerreiro Justo vai atravessar minha unidade. Se o sinal for acionado, vamos agir exatamente como planejado. —

Su Pei respirou fundo lentamente, assentiu com um leve sorriso nos lábios, não de confiança definitiva, mas de aceitação.

— Bom, acho que agora estamos todos enfiados demais para recuar. —

Seus olhos se encontraram novamente, desta vez não procurando, mas confirmando, enquanto algo sutil, porém importante, mudava no ar — o medo dando lugar ao compromisso, a dúvida cedendo para o propósito.

No extremo da tenda, Dumpy finalmente destravou os braços e se levantou, aumentando um pouco sua altura, com uma expressão que flertava com o divertimento ao olhar ao redor da sala.

— Se alguém cometer um erro ou se meter em problema... então eu vou esmagar os inimigos de vocês e rescatar vocês como uma princesa. —

Ele decretou, e a simplicidade na fala provocou uma risada curta e incrédula de Mickey, enquanto até mesmo a expressão severa de Anderson suavizou um pouco.

Aquilo foi suficiente.

Não reconforto.

Não certeza.

Mas ímpeto.

Dupravel assentiu uma vez, lentamente, com cuidado, decidindo que não olharia para trás agora.

— Ou vencemos juntos, ou caímos juntos —

ele declarou, sem que ninguém contestasse.

Do lado de fora, os sons distantes de quatro bilhões de soldados continuavam ininterruptos, com treinamentos, formações se ajustando, armas sendo verificadas e re-verificadas, enquanto a máquina da guerra avançava implacavelmente com precisão milimétrica.

Dentro, cinco Comandantes e um sapo estavam alinhados sob o peso de um plano que exigia perfeição.

E, pela primeira vez desde que Leo terminou de falar, nenhum deles duvidava se poderia fugir.

Eles apenas se perguntavam se seriam merecedores do que viria a seguir.

E se essa poderia ser a guerra que os tornaria lendas.

Comentários