
Capítulo 885
Assassino Atemporal
(Planeta Ixtal, Acampamento do Culto, Ponto de Vista de Leo)
*GASP*
Leo acordou com uma inspiração aguda, seu corpo se tremendo levemente, sua consciência se restabelecendo antes mesmo dos olhos se abrirem completamente. A primeira coisa que sentiu foi uma dor surda e latejante, irradiando do abdômen.
Sua mão se moveu instintivamente para lá.
*Gemido*
A dor aumentou levemente ao toque, não tão forte a ponto de incapacitar, mas persistente o suficiente para lembrá-lo de que o que Soron tinha feito não foi gentil, mesmo que parecesse fácil.
'Que ataque foi esse?'
Pensou Leo, seus pensamentos lentos e pesados enquanto olhava para o teto de lona de uma pequena tenda, com a luz filtrando-se suavemente pela fibra, enquanto os sons distantes do acampamento do Culto chegavam quase como uma brisa silenciosa.
Ele ficou lá por alguns segundos a mais, respirando com tranquilidade enquanto observava o ambiente ao seu redor.
O cheiro sutil de pano tratado e terra ainda permanecia no ar, enquanto o murmúrio baixo de soldados treinando ecoava lá fora.
No entanto, ele não se prendeu nesses sons por muito tempo, pois logo a memória de ter sido nocauteado voltou à sua mente.
'Ele simplesmente sumiu….'
Pensou Leo, revivendo toda a sequência de eventos na cabeça.
Soron desaparecendo.
A pressão.
O impacto.
A forma como tudo terminou antes mesmo de realmente começar.
'Charles tinha me avisado sobre isso…
Ele tinha me alertado para não confiar demais na intenção.'
Pensou Leo, suas sobrancelhas se franzindo levemente enquanto a lembrança surgia.
Na época, Leo não tinha entendido completamente o que o homem fumacento queria dizer.
A intenção sempre foi confiável. Infallível, até. Contra Monarcas e tudo abaixo deles, a intenção revelava aberturas, trajetórias, caminhos de morte, tornando o combate quase transparente.
Porém, o ataque de Soron hoje não tinha nada disso.
Sem linhas de intenção.
Sem aviso prévio.
Sem fluxo perceptível, pois sua intenção o traiu pela primeira vez na vida.
*Suspiro*
Leo soltou lentamente o ar enquanto essa percepção se firmava, não com pânico, mas com clareza.
'É frágil. A intenção funciona com seres que ainda operam dentro do mesmo entendimento que eu, mas os Deuses estão além disso.'
Percebeu, ao compreender a verdade.
Contra imortais que se movem além da terceira dimensão, ela é apenas uma muleta.
No entanto, estranhamente, ele não se sentiu amargurado.
Sequer, sentiu-se irritado.
Pelo contrário, sentiu-se aliviado.
'Melhor agora do que depois. Melhor em um treino do que na luta real.'
Pensou Leo, enquanto seus dedos se contorciam levemente contra a cama, sua mente mais uma vez viajando ao momento antes de perder a consciência.
'Não foi só a intenção. Eu nem consegui usar minha técnica especial.'
Percebeu, enquanto a inquietação aumentava.
Ele já tinha começado a se mover.
O fluxo de mana tinha iniciado.
A técnica tinha sido ativada.
E, ainda assim, Soron o controu no meio do movimento, nocauteando-o antes que a técnica pudesse se manifestar, numa velocidade simplesmente além de sua compreensão.
'Eu nem cheguei a tentar um ataque. Nem tinha a habilidade para isso.'
Pensou Leo de forma sombria, percebendo que a diferença entre ele e um Deus era ainda maior do que pensava inicialmente.
"Mhmm–"
Ele se ajustou, levantando-se com um leve gemido enquanto sacudia os ombros e se esticava cuidadosamente, suas músculos protestando levemente.
'A forma como ele dispersou minha aura também foi estranha. Ainda não entendo como ele conseguiu.'
Pensou Leo, mexendo lentamente os dedos antes de parar.
'Mas pelo menos eu vi com meus próprios olhos agora…'
Pensou, sentindo uma felicidade silenciosa por ter testemunhado uma força máxima, o que transformou essa sessão de treino em uma vitória indireta para ele.
*Estalido*
*Estalido*
Leo se colocou completamente de pé, girando os ombros enquanto endireitava-se, com a dor já começando a diminuir ao seu retorno à recuperação.
"Enquanto salvo Veyr, preciso evitar adversários do nível de Deus a qualquer custo. Ainda não estou preparado para enfrentá-los assim, no meu estágio atual,"
murmurou Leo em voz baixa, respirando devagar com calma.
"Se vierem atrás de mim, minha melhor estratégia é rezar e fugir."
Concluiu, sem vergonha, reconhecendo seus limites e decidindo ficar bem dentro deles para garantir sua sobrevivência.
"Faltam doze dias… apenas doze."
ele lembrou a si mesmo, pensando no prazo para a execução de Veyr e tudo que precisava alcançar até lá, sendo a reunião com os Monarcas do Culto a tarefa mais importante, onde detalhava o plano de guerra com precisão.
"Não posso cometer erros…"
murmurou, as palavras saindo dele em um tom baixo, mais como uma promessa a si mesmo do que uma declaração para alguém ouvir, enquanto seus pensamentos se organizavam com frieza e eficiência.
Essa guerra não seria vencida por paixão ou ódio.
Seria vencida por precisão.
Leo sabia que, assim que chegasse o dia da execução de Veyr, a Facção Justa já estaria em alerta máximo, com seus elites preparados, suas armas prontas e suas armadilhas armadas em antecipação à retaliação.
Isso significava que qualquer desvio, atraso ou mal-entendido por parte de seus Comandantes poderia desencadear um desastre para o Culto.
'Cada Monarca precisa entender o propósito por trás de cada movimento, não apenas as ordens em si.'
Pensou, enquanto a imagem da próxima reunião se delineava na sua mente.
Ele os guiaria por todas as fases do plano de guerra, passo a passo, explicando não só onde atacariam, mas onde não atacariam, quais formações eram isca, quais legiões podiam ser sacrificadas, e quais respostas dos Exércitos Justos eram aceitáveis ou exigiam mudança imediata.
Eles eram suas lâminas.
E lâminas que não atuam em uníssono são inúteis.
'Preciso que pensem três passos à frente, não que repliquem no momento.'
Refletiu Leo, enquanto pensava em como salvar Veyr exigiria que todos dessem 110%, sem margem para erros.
Os próximos doze dias não seriam de treinar soldados ou refinar formações.
Esses sistemas já estavam em execução.
Em vez disso, o foco seria na sincronização.
Em garantir que, quando o primeiro sinal fosse dado, quatro bilhões de vidas se movessem como uma só, sem hesitação, sem dúvida e sem erro.
*Inalar*
Leo respirou mais uma vez com firmeza, sentindo a dor no abdômen diminuir ainda mais enquanto sua determinação substituía a reflexão.
Percebeu que não tinha mais tempo a perder com erros do passado, porque a maior guerra do último milênio se aproximava rapidamente.
E, acima de tudo, seu trabalho era garantir que o Culto não fraquejasse sequer uma vez quando ela chegasse.