Assassino Atemporal

Capítulo 884

Assassino Atemporal

(

Castelo de Soron, ponto de vista de Leo

Leo refletiu por um longo momento sobre a lição de Soron antes de eventualmente concordar com a cabeça, compreendendo, enquanto juntava as mãos em punho e fazia uma reverência profunda diante dele, um gesto sincero e natural.

"Obrigado pela aula", disse Leo, enquanto se endireitava lentamente.

Soron acenou com a cabeça, sua expressão permanecia inalterada, calma e distante como sempre, como se toda a troca tivesse sido apenas uma conversa passageira, antes de virar um pouco a cabeça, claramente querendo encerrar o dia ali.

"Líder de Seita", chamou Leo.

Soron fez uma pausa.

Leo hesitou por meio segundo, então coçou a nuca levemente, um gesto desajeitado que soava estranhamente humano na presença de um Deus.

"Embora eu aprecie a lição filosófica", disse Leo, escolhendo bem suas palavras, "ainda quero trocar golpes com você uma única vez."

Ele pediu, enquanto Soron olhava de volta para ele, uma sobrancelha levantando-se levemente.

"Só uma chance", continuou Leo. "Não para vencer. Não para provar nada. Quero apenas entender quão grande é realmente a diferença entre nós."

Por um momento, Soron o estudou em silêncio, então uma risada baixa escapou de seus lábios, quente e sincera.

"Por que não", disse Soron facilmente, um brilho de diversão surgindo em seus olhos enquanto ele se virava completamente para encarar Leo novamente, a adaga de madeira repousando de novo em seu aperto.

"Quer que eu vá com mais calma com você?" perguntou Soron tranquilamente, "ou quer ver minha verdadeira força..."

Ele perguntou, e Leo respondeu sem hesitar.

"Sua verdadeira força,"

"Só consigo entender o abismo entre nós se você não segurar nada de volta."

"Embora eu saiba que, se você liberar sua força máxima desde o começo, provavelmente nem vou conseguir me mover..."

"Então, ao menos, deixe eu ser o primeiro a atacar."

Ele pediu, enquanto Soron observava-o por um breve momento, então assentiu uma vez.

"Muito bem", disse simplesmente, fazendo um gesto para que Leo se preparasse, enquanto Leo respirava fundo, devagar, e recuava, seu cérebro clareando enquanto revia as palavras de Soron mais cedo, cuja lição ainda ecoava alto em seus pensamentos.

'Criatividade.'

Ele pensou, firmando sua postura, as adagas penduradas soltas ao lado, enquanto sua aura começava a se espalhar, não mais comprimida defensivamente, mas distribuída de forma fina por toda a arena, enquanto mana pulsava por seus circuitos em um padrão deliberado e estranho.

'Deveria usar aquele movimento', pensou Leo, os olhos fixos na forma imóvel de Soron, enquanto sua mão apertava quase imperceptivelmente as adagas, sua concentração se estreitando até que o restante da arena desaparecesse ao fundo.

O Deus não se moveu.

Não se preparou.

Não reagiu.

Simplesmente permaneceu lá, relaxado e aberto, honrando sua promessa como se o que Leo estava prestes a tentar nem fosse digno de atenção, sua postura frouxa, peso distribuído uniformemente, a adaga de madeira descansando tranquilamente na mão, como se o combate tivesse acabado ali mesmo.

'Ele nem assumiu uma postura de combate, mas ainda assim não vejo uma oportunidade...'

Leo pensou, enquanto a calma de Soron o deixava mais inquieto do que qualquer hostilidade visível poderia fazer.

Algo nela parecia errado, como se o próprio mundo estivesse esperando por um sinal que já tinha perdido, enquanto Leo respirava fundo e começava a circulação de mana de forma mais agressiva, sua aura se espalhando para fora em resposta, enquanto seus músculos se preparavam tencionados.

Ele se moveu.

Somente meia passada.

O suficiente para começar a se aproximar.

E Soron desapareceu.

Não em um borrão.

Não com uma explosão de velocidade.

Simplesmente sumiu, enquanto o espaço bem na sua frente esvaziava sem transição, seus olhos ainda fixos no contorno de Soron por uma fração de segundos além do que a realidade permitia, como se sua própria percepção tivesse ficado para trás.

'Onde—' ele se perguntou, a confusão passando por sua mente enquanto seus instintos avisavam tardiamente.

Algo tocou seu estômago.

No começo, Leo não sentiu aquilo como dor, pois a sensação chegou abafada e densa, como uma pressão pesada sendo aplicada de uma só vez, comprimindo músculo e respiração juntos, como se um peso invisível tivesse sido pressionado contra seu centro.

Depois, a pressão aprofundou-se.

O ar foi violentamente arrancado de seus pulmões enquanto seu diafragma se contraía, sua respiração escapando dele de forma quebrada e silenciosa, enquanto sua visão se distorcia e se dobrava para dentro, a arena inclinando-se drasticamente enquanto a sensação se espalhava lentamente, ondas implacáveis.

Uma dor veio um batimento cardíaco depois.

Não aguda.

Não explosiva.

Mas devoradora.

Ela se expandia a partir do ponto de contato, rastejando pelas costelas e descendo pela coluna, inundando seus membros de fraqueza enquanto ele percebia vagamente que seus pés não tocavam mais o chão.

"AH—"

Seu corpo levantou.

Não jogado.

Deslocado.

O mundo girou de lado enquanto a força finalmente atingia sua consciência, as pedras borrando sob ele enquanto o equilíbrio se quebrava completamente, seus músculos se recusando a responder enquanto seus pensamentos começavam a se fragmentar sob a estranha sensação de algo estar profundamente errado.

'O que acabou de acontecer...' ele pensou fraco, enquanto a dúvida dissolvia antes mesmo de se formar por completo.

'Por que não havia linhas de intenção atrás do ataque dele? Por que não vi aberturas ou rota de ataque?'

Ele se perguntou, enquanto sua aura, que tinha espalhado de forma fina e ampla pelo arena em preparação, desaparecia instantaneamente, não sendo destruída nem esmagada, mas completamente dispersa, como uma névoa levada pelo vento forte, deixando-o quase totalmente exposto.

Sentiu-a recuar.

Sintetizou o vazio onde ela estivera, e o vazio o aterrorizou mais do que a dor.

'Ainda estou longe demais para entender como é o pico...'

ele pensou, enquanto a escuridão se aproximava pela periferia de sua visão e sua consciência começava a sumir.

*SUSTO*

Seu corpo caiu com força no chão de pedra, os olhos já rolando para trás, enquanto Soron permanecia acima dele com um sorriso suave no rosto.

"Então é isso que o pai via todo dia quando eu o desafiava no nível Monarch..."

Murmurou, enquanto memórias antigas o invadiam.

Memórias de quando ainda era apenas um Monarch fraco, e seu pai era o Deus, ao se abaixar e fechar as pálpebras de Leo antes de se virar para partir.

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