Assassino Atemporal

Capítulo 882

Assassino Atemporal

(Do dia seguinte, Castelo de Soron, ponto de vista de Leo)

O suor escorria em pequenas gotas na testa de Leo enquanto ele absorvia a pressão da aura de Soron sem desmoronar, sua respiração lenta e controlada mesmo com os pulmões em chamas e o corpo protestando.

‘Que porra é essa de pressão?’

Ele se perguntava, enquanto a arena de treinamento ao seu redor começava a parecer menor do que deveria, não por causa de seu tamanho, mas por causa de quem estava na sua frente, enquanto Leo se tornava consciente de cada sensação dentro de si, a tensão nos ombros, o esforço nas panturrilhas, o leve tremor nos pulsos enquanto ajustava sutilmente sua empunhadura.

*Engole*

Soron permanecia de frente para ele, relaxado a ponto de ser irritante.

Seu postura era solta, os ombros descontraídos, enquanto uma única adaga de madeira repousava leve na mão, como se fosse uma ideia passageira, e não uma arma, sua expressão calma, concentrada, e levemente amused, como alguém assistindo uma criança tentando algo, em vez de enfrentar um adversário de verdade.

‘Droga. Nem parece que ele está tentando,’ pensou Leo, a sensação de impotência pesando mais do que a própria aura, fazendo-o involuntariamente recuar um passo.

A pressão emanada por Soron era constante e implacável.

E embora o Grande Deus não parecesse estar usando nem mesmo uma fração de sua força máxima, Leo já sentia que estava chegando ao limite.

Apesar de ter um escudo de aura ativado, que mitigava parte da pressão, ele ainda se via forçado a regular consciente o fluxo de mana só para se manter de pé, como se o próprio ar tivesse decidido que ele precisava de permissão para ficar em pé.

*Apertar dentes*

Leo apertou com força as duas lâminas de aço nas mãos, os cabos escorregando de suores, enquanto a tensão se propagava desde os olhos até os antebraços, como se cada músculo do corpo estivesse sendo drenado só para manter contato visual.

Seu adversário hoje era um Deus.

De verdade.

Um ser que tinha domínio sobre quatro dimensões.

E ele tentava resistir a ele.

O convite de Soron tinha chegado sem aviso naquela manhã, um pedido breve, quase casual, para um combate na arena do castelo, como se aquilo fosse algo normal, e não algo que deveria ter abalado Leo até a raiz.

‘Tô mesmo fazendo isso,’ pensou Leo na hora.

Porém, agora, sob aquela pressão silenciosa e sufocante, ele finalmente entendeu por que chances assim nunca deveriam ser comuns, enquanto cada segundo sob o olhar de Soron arrancava sua confiança e a substituía por algo muito mais verdadeiro.


*Deslocamento*

Soron se moveu levemente, a adaga de madeira girando preguiçosamente entre os dedos, e Leo reagiu instantaneamente a esse movimento, enrijecendo a coluna enquanto seus sentidos se apertavam, o instinto avançando à frente do raciocínio ao alertá-lo de que aquela calma era enganosa.

‘Ele ainda não se mexeu,’ percebeu Leo.

‘E eu já estou quase suando frio.’

A ideia o inquietava, enquanto os olhos de Soron o varriam, medindo mais do que julgando, e foi aí que ele percebeu que aquele combate nunca fora sobre vencer ou perder.

Porque se Soron realmente quisesse derrotá-lo, já teria perdido sua vida milhares de vezes.

*Suspiro*

Leo exalou lentamente, forçando o tremor a sair de sua respiração enquanto levantava as lâminas um pouco mais alto, o suor escorrendo de seu queixo na pedra abaixo.

Não era uma luta para vencer.

Era uma lição.

E tudo que Soron pretendia ensiná-lo provavelmente levaria muito tempo para ser compreendido por conta própria, por isso aquela oportunidade era dourada.

"Você consegue perceber onde erra, Dragão das Sombras?"

Soron perguntou naquele instante, sua voz calma e controlada, mas carregando um peso que pressionava tão forte quanto sua aura, enquanto Leo sentia a pergunta pesar mais do que qualquer golpe físico poderia ter causado.

Leo cerrava a mandíbula, a pressão na arena se apertando ao redor dele enquanto olhava fixamente para os pés do deus em repressão.

"Acho que em todo lugar," respondeu honestamente, as palavras saindo sem hesitação. "Não há um só lugar onde eu não falhe."

Por um breve instante, Soron deu uma risada, o som suave e espontâneo, como se a resposta de Leo o divertisse mais do que o desapontasse, mas ele balançou lentamente a cabeça, os olhos ainda fixos em Leo com uma concentração silenciosa.

"Pois é," disse Soron com um sorriso tênue, "mas essa é a resposta de quem está à beira do colapso, não de quem tenta sobreviver."

Ele deu um único passo à frente, sem ameaçar ou apressar-se, mas a pressão na arena mudou instantaneamente, fazendo os músculos de Leo se tensionarem por instinto.

"Pense de forma mais específica," continuou Soron, sua voz paciente mais do que ensinando. "Se amanhã você enfrentar um adversário mais forte, mais rápido, mais experiente, qual é a primeira coisa que você precisa minimizar para que a luta seja, ao menos, um pouco justa?"

Leo franziu o cenho, as sobrancelhas se juntando enquanto a dúvida ecoava em sua mente.

'Força?'

Não. Essa diferença não poderia ser diminuída em uma única batalha.

'Velocidade?'

Também parecia insuficiente, algo que poderia ser explorado, mas não eliminado.

Ele respirou lentamente, se ajustando enquanto tentava dissecar o problema do jeito que Soron queria, peça por peça, mas todas as respostas que chegavam pareciam incompletas, como se estivesse rodeando algo fundamental sem tocá-lo de fato.

'Durabilidade?'

Mas durabilidade apenas atrasava o inevitável.

'Técnica?'

A técnica importava, mas sozinha não poderia preencher lacunas tão enormes.

Os pensamentos de Leo se embaralhavam, a frustração crescendo à medida que percebia que cada solução que considerava exigia tempo, aperfeiçoamento ou poder que ele não tinha naquele momento, tornando-as inúteis para uma batalha que aconteceria no dia seguinte.

Seu aperto nas lâminas se apertou sem perceber enquanto buscava algo, qualquer coisa, que pudesse transformar uma luta impossível de vencer em uma que pudesse suportar.

Nada surgiu.

O silêncio se estendeu.

Soron não o interrompeu.

Não o guiou.

Não o salvou.

Simplesmente esperou.

Leo finalmente exalou, os ombros relaxando um pouco enquanto inclinava a cabeça e olhava de volta para Soron, a confusão clara em seus olhos, apesar de tentar disfarçar.

"Eu não sei..." reconheceu silenciosamente, a sensação cortando mais fundo do que qualquer ataque poderia ter feito.

E ao encarar o olhar firme de Soron, Leo entendeu que aquele momento de não entender era exatamente onde a lição começava.

Comentários