Assassino Atemporal

Capítulo 876

Assassino Atemporal

Assassino Atemporal: Volume 9, "Uma Nova Era de Caos"

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"Homens não fazem guerra por terra, por deuses ou por sobrevivência.

Eles fazem guerra para serem vistos.

A paz permite que muitas mentiras persistam, que muitos homens pequenos se julguem suficientes, que hierarquias frágeis fiquem de pé sem serem testadas.

A guerra revela essas mentiras por completo.

Ela força cada alma a responder a uma única pergunta que tem evitado a vida toda.

'Quem você é na essência, quando não há mais nada para se esconder por trás?'

E quando a resposta os assombra, os homens não mudam.

Simplesmente a chamam de destino e marcham adiante."

— Arquivista Halden Vire, Sobre a Natureza do Conflito Vol.2

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(Há mais de 2 milênios, ponto de vista do Assassino Atemporal, Planeta Ixtal)

O Assassino Atemporal estava sentado na sala de chá do castelo de pedra, como costumava fazer, com uma mão descansando de leve ao redor de uma xícara de porcelana enquanto vapores subiam em enroladas espirais, o calor se acomodando em seus dedos enquanto ele desfrutava da paz e da tranquilidade.

A sala estava silenciosa, não por falta de vida, mas por respeito. Suas paredes de pedra estavam lisas pelo desgaste de séculos de conversas que remodelaram o universo, e até o vento lá fora parecia mover-se cuidadosamente, como se tivesse medo de ofender o soberano do universo.

*Passo*

*Passo*

Passos se aproximaram.

Ele não se virou.

Nunca precisou.

Kaelith entrou na sala com a confiança natural de quem sabia que sempre era bem-vindo aqui, assentando-se na cadeira em frente ao pai e servindo-se de chá sem pedir, imitando o gesto que observava há mil vezes.

*Trrr…..*

O Assassino Atemporal lançou um olhar de relance por cima da borda da xícara, um sorriso leve se formando nos cantos de seus lábios.

"Então," ele disse ao colocar a xícara, com um tom divertido mais do que curioso, "você finalmente voltou a passar as tardes com o velho."

Kaelith sorriu levemente e recostou-se.

"Pensei em fazer isso hoje," respondeu levantando sua própria xícara.

"Você sempre diz que as melhores conversas acontecem quando não há nada urgente, e como hoje você parece livre, pensei: por que não te acompanhar?"

Ele explicou, enquanto o Assassino Atemporal assentia com um leve som de aprovação.

"Uma frase bem formulada... dá a impressão de que você veio aqui sem um objetivo específico, apenas para passar tempo comigo...

Mas isso não é verdade, pois, se não estivesse assim, sua aura não vacilaria e eu não perceberia a mentira."

"Você realmente ficou eloquente."

Comentou o Assassino Atemporal, enquanto Kaelith mordia o lábio, envergonhado.

Sabia que seu pai era inteligente, mas tinha esperança de que sua astúcia não fosse descoberta hoje.

Infelizmente para ele, ainda não sabia exatamente como enganar o pai de fato.

Os dois ficaram em silêncio por um momento, o chá esfriando lentamente entre eles, até que Kaelith tomou coragem e revelou suas verdadeiras intenções.

"Pai, estive revisando a formação Chakravyuh recentemente e tenho algumas dúvidas…."

Começou, com o olhar vagando na direção da arcada aberta, a voz casual, quase desinteressada.

"Percebi que nunca te perguntei de verdade sobre alguns limites dela... e por que você a desenhou do jeito que fez…."

Kaelith explicou, enquanto o Assassino Atemporal levantava uma sobrancelha, seu sorriso paternal se aprofundando.

"Ah," ele disse, inclinando a cabeça levemente.

"Então agora você se interessou por formações?"

Perguntou, enquanto Kaelith apenas encolhia os ombros em resposta.

"Tenho que achar uma maneira de alcançar Soron," respondeu como se fosse uma verdade óbvia.

"Ele me superou como guerreiro, e como irmão mais velho, preciso encontrar uma forma de ficar à frente dele de novo…"

Confessou, enquanto o Assassino Atemporal dava uma risada suave, calorosa e despretensiosa.

"E eu que achava que você só vinha aqui para tomar um chá da tarde com o velho…"

Provocou o Assassino Atemporal, fazendo Kaelith rir mais uma vez, com vergonha.

"Não sou tão filial assim, pai, acho que você bem sabe disso," disse, balançando a cabeça. "E Soron também não."

O Assassino Atemporal o estudou por mais um momento, depois assentiu.

Desde que seus filhos se tornaram deuses, pareciam ter deixado de se importar com sua aprovação e passaram a ser seus próprios homens, deixando de ser tão dedicados a ele na sua obrigação filial.

"Faça sua pergunta, filho. Vou sempre te ensinar tudo o que puder."

Disse, independentemente, inclinando-se um pouco para frente, com o olhar curioso brilhando, demonstrando sincero interesse em saber o que Kaelith pensava sobre sua formação.

"Você criou o Chakravyuh de modo que quatro semi-deuses pudessem alimentar seu núcleo, certo?"

Começou Kaelith, e o Assassino Atemporal assentiu em concordância.

"Para que até guerreiros que não são deuses completos possam se unir e derrotar deuses, selando o eixo dimensional quaternário e forçando-os ao reino tridimensional…"

"Sim,"

Respondeu o Assassino Atemporal calmamente, interrompendo a pergunta de Kaelith.

"Um poder tremendo nunca deve ficar sem coleira."

Esclareceu, enquanto Kaelith concordava com a cabeça.

"Mas e se o núcleo fosse alterado," ele perguntou, olhando de volta para o pai, "e em vez de semi-deuses, quatro deuses alimentassem a formação? E eles usassem sua aura para bloquear completamente a quarta dimensão?"

Questionou, e o Assassino Atemporal demorou a responder imediatamente.

Em vez disso, colocou a xícara com cuidado deliberado, os dedos permanecendo por um instante mais do que o necessário, com os olhos se estreitando sutilmente — não em desconfiança, mas em cálculo.

"Por um curto período, a formação resistiria a si mesma."

Disse finalmente, enquanto Kaelith se inclinava para frente, atento.

"Mas uma vez que ela se estabilizar," continuou o Assassino Atemporal, levantando a mão, anéis geométricos tênues se formando entre eles, sobrepostos por camadas de luz e lei que se dobravam para dentro, "o Chakravyuh se tornaria imparável."

Os anéis se apertaram, o espaço ao redor deles se distorcendo sutilmente nas extremidades.

"Se quatro deuses alimentam o núcleo," declarou, fixando o olhar em Kaelith, "então ninguém poderá escapar dele."

Kaelith hesitou, engolindo em seco um pedaço de saliva.

*Engolir*

"Certamente," disse com cuidado, "você conseguiria se libertar, pai, afinal sua força supera a soma de todas as forças dos outros deuses."

Elogiou, enquanto o Assassino Atemporal soltava uma risada sincera, balançando a cabeça.

"Não, meu filho," afirmou com a expressão mais suave. "Nem eu mesmo."

Kaelith parou de leve, momentaneamente.

"O Chakravyuh é uma formação especial…."

Continuou o Assassino Atemporal, sem perceber a sombra pesada que se formava nos olhos de seu filho.

"Fiz para que os deuses nunca pudessem estar acima das consequências. Permite que guerreiros mais fracos se unam e matem um deus, se necessário."

Os anéis se dissiparam no nada.

"Mas se os deuses usarem contra outro deus," ele prosseguiu de tom absoluto, "quem estiver no centro já estará morto."

Kaelith baixou o olhar lentamente, absorvendo cada palavra com a reverência de um aluno.

Porém, sob aquela calma, algo mais se formava.

Não raiva.

Não ódio.

Mas compreensão.

Pois, naquele instante, Kaelith percebeu que o maior guerreiro que já existiu tinha acabado de explicar, sem querer, exatamente como ele poderia ser morto algum dia.

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