
Capítulo 875
Assassino Atemporal
(Planeta Granada, ponto de vista de Mauriss)
A chuva caía interminavelmente dos céus escurecidos, não em tempestades, mas em agulhas finas, cada gota atingindo a superfície do oceano infinito abaixo e sumindo sem deixar vestígio, enquanto os relâmpagos rasgavam o céu com cicatrizes violentas e o trovão rolava em roncos baixos e amused, como se o próprio planeta estivesse complicitado na loucura que se desenrolava nele.
No centro de tudo, sobre a única faixa de terra que ousava se levantar acima do mar, Mauriss permanecia descalço e sem camisa, sua pele pálida reluzindo com a chuva, seus cabelos longos flutuando de forma quase grotesca ao redor da cabeça enquanto inclinava a cabeça para trás e ria.
"Ha… haha… Hahahaha…"
No começo, não era um riso alto.
Nem explosivo.
Era apenas um som suave, cheio de respiração, que escapava de seus lábios enquanto a chuva escorria pelo seu rosto, como se o próprio céu estivesse sussurrando uma piada particular que só ele poderia entender.
"Hehehe…"
O riso crescia.
Devagar.
De modo incontrolável.
Até ecoar por todo o mar vazio, ricocheteando tanto no trovão quanto nos relâmpagos, enquanto Mauriss abria os braços e recebia a tempestade como um velho amigo.
"Ohh… finalmente tomei uma decisão," murmurou, com a voz leve, quase brincalhona, enquanto seus olhos brilhavam com um prazer descontrolado. "Foi o caçador a minha vida toda, saboreando a perseguição, desfrutando a adrenalina de encurralar presas que nunca tiveram chance…"
Ele deixou escapar um suspiro silencioso, quase saudosista, enquanto seus dedos agitavam-se levemente.
"Mas esses últimos dias," continuou, sorrindo ainda mais largo, "percebi algo bastante fascinante."
Um relâmpago atingiu o oceano atrás dele, iluminando sua expressão por um instante rápido.
"Existe uma diversão especial em também ser a presa."
Ele riu novamente, a chuva escorrendo pelo queixo enquanto balançava a cabeça lentamente, parecendo divertir-se com sua própria revelação.
"Soron…" Mauriss falou suavemente, quase com carinho, como se estivesse conversando com um espectro. "Entre você e eu, realmente não sei quem viveu uma vida melhor."
Seus olhos se voltaram para o horizonte, onde a tempestade e o mar se fundiam num vazio sem fim.
"Você," continuou, "que passou toda a sua existência sendo caçado, esperando pacientemente por vingança, seu ódio mantendo você aquecido por séculos…"
Sua expressão se torceu.
"Ou eu?" perguntou, tocando levemente o próprio peito. "Quem está entediado há tanto, tanto tempo."
O trovão voltou a rolar.
Mauriss exalou, de forma lenta e dramática.
"A vida eterna é longa," disse, com a voz abaixando. "E solitária."
Finalmente, abaixou os braços, a água da chuva escorrendo de seus dedos de volta para o oceano abaixo.
"Se devo viver para sempre," continuou pensativamente, "então preciso entreter a mim mesmo."
Seus olhos brilhavam intensamente.
"E para fazer isso…" sussurrou, um arrepio de empolgação percorrendo-o, "talvez eu deva fazer de todo o universo meu inimigo."
A silêncio que se seguiu foi breve.
Depois, ele riu novamente.
Mais alto desta vez.
"Ohh, como seria fascinante?" Mauriss cantou, com os ombros tremendo de diversão. "A cara deles quando finalmente perceberem que o Enganador…"
Ele se inclinou um pouco para frente, o cabelo molhado escorrendo.
"…os enganou."
Seus lábios se abriram lentamente enquanto ele inspirava, saboreando algo que só ele podia sentir.
"A surpresa," murmurou.
"A raiva."
"O ódio…"
Ele fechou os olhos.
"Mmmm…" Mauriss suspirou, a voz tremendo de prazer. "Já está delicioso."
Outro relâmpago cortou o céu, congelando seu sorriso numa luz branca intensa, sua expressão não mais brincalhona, mas completamente descontrolada, como se estivesse à beira de algo imenso e irreversível.
"HAHAHAHAHA—"
Ele riu, o som rasgando sua garganta com um prazer sem limites enquanto rolava pelo mar tempestuoso, incrivelmente sombrio, virando as costas para o oceano infinito e caminhando em direção à única estrutura escavada na rocha, enquanto a chuva ainda drenava de seus ombros nus e os relâmpagos continuavam a dançar atrás dele, como uma zombaria divina.
"Independentemente do que aconteça com Soron,"
Mauriss murmurou, com uma voz leve e alegre.
"Acho que vou me divertir bastante muito em breve."
Seus lábios se curvaram mais uma vez, não em um sorriso comum, mas em algo mais afilado, mais cheio de expectativa, enquanto a tempestade engolia sua figura e a risada permanecia por um segundo a mais do que devia, ecoando de forma estranha antes de desaparecer no trovão.
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(O Mundo Detido no Tempo, ponto de vista de Leo)
*Buf…* *Buf…*
Leo estava no centro da área de treinamento isolada, o suor escorrendo pelas costas e empapando a pedra sob seus pés enquanto seu peito subia e descia pesadamente, seus músculos tremiam de exaustão, e sua aura lentamente se acomodava de volta ao seu corpo como uma fera que finalmente retorna à jaula.
Apesar de toda a fadiga querendo derrubá-lo de joelhos, um sorriso de vitória permanecia gravemente estampado em seu rosto.
"Consegui…" Leo murmurou, com a voz rouca, mas firme, enquanto cerrava os punhos e sentia a energia residual ainda zumbindo pelos ossos. "Finalmente aprendi todos os movimentos proibidos da seita."
Por dois anos inteiros, cada momento que ele não gastava treinando técnicas de salto espacial foi investido nessa obsessão singular, pois sempre que tinha mesmo que fosse um fragmento de tempo livre, voltava à mesma técnica repetidamente, refinando, endurecendo, forçando seu corpo e alma a se adaptarem.
Era o movimento proibido que ele memorizou há muito tempo do acervo da Guilda da Serpente Negra.
Aquele que seu corpo tinha sido fraco demais para suportar na época, quando até tentá-lo era como convidar a própria morte.
Mas agora, como Monarca e alguém que dominava a aura, ele finalmente conseguiu dominar a técnica proibida e também aprendeu a executá-la sem efeitos adversos.
*Splash*
Leo se endireitou lentamente, limpando o suor da testa enquanto olhava para o campo de treinamento vazio ao seu redor, o Mundo Detido no Tempo testemunhando silenciosamente sua transformação.
"Com isso," disse em voz baixa, o sorriso se tornando uma expressão resoluta e perigosa, "sinto que estou finalmente pronto para a guerra."
Declarou enquanto guardava sua adaga e colocava seu manto de assassino.
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FIM DO VOLUME 8 — O Último Alicerce.
Até o próximo volume,
'Uma Nova Era de Caos'
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