Assassino Atemporal

Capítulo 872

Assassino Atemporal

(Planeta Ixtal, Castelo de Soron)

Leo se aproximou do castelo de Soron com passos contidos e reservados, seu ritmo mais lento do que o necessário enquanto seus olhos permaneciam fixos nas antigas portas de madeira que se erguiam à sua frente, com a superfície escurecida pelo tempo e pelos elementos. Ele se perguntava se deveria bata e esperar como um convidado que busca permissão, ou simplesmente empurrar as portas e entrar, como achava que era adequado para o vice-líder de seita do Culto.

'Hmm... o que devo fazer?'

Ele refletiu, por um breve momento, considerando as duas opções.

'Como o número 2 do Culto, talvez eu não precise esperar pelo Enviado, mas, se há alguém neste universo que merece minha reverência e respeito sinceros, esse alguém é o Soron.'

'Então, por respeito à sua senioridade, talvez fosse melhor esperar...'

Leo ponderou, enquanto, após alguns segundos de silêncio e reflexão, exalava suavemente, optando pela contenção, levantando o punho com a intenção de tocar a campainha, ao invés de forçar a entrada—

Porém, antes que seus punhos tocassem a porta, ela rangeu lentamente, abrindo-se sozinha, a madeira maciça se separando sem resistência, como se antecipasse sua chegada, enquanto uma presença ressoava do interior, vasta e inconfundível.

"Entre... Dragão das Sombras,"

A voz de Soron ecoou de dentro do castelo, calma, porém carregada de autoridade, ao se dirigir a Leo pelo seu título oficial, e não pelo nome.

Leo pausou por meio instante, depois sorriu levemente, abaixando a mão e entrando no castelo, as portas se fechando atrás dele com um estrondo surdo. O aroma familiar de pedra molhada, cobre e ervas medicinais preencheu seus sentidos, trazendo lembranças das poucas vezes que visitara aquele castelo com Charles.

*Passo*

*Passo*

*Passo*

Ao avançar em direção ao interior, ele sentiu a presença persistente da morte no ar, enquanto a atmosfera ao seu redor se transformava sutilmente. O calor do braseiro não conseguia mascarar o cheiro fétido de decadência, como se algo fundamental tivesse murchado ali há muito tempo e nunca tivesse realmente saído, seu podridão infiltrando-se na própria respiração do ambiente.

*Cheiro de fumaça*

Não era o cheiro de sangue.

Nem a pungência de uma morte recente.

Era algo mais antigo.

Estagnado. Exausto. Final.

A mandíbula de Leo se fechou levemente enquanto ele continuava adiante, seus sentidos aguçados, embora contra sua vontade, cada instinto clamava que aquele era um lugar onde a vida resistia teimosamente, ao invés de ser sustentada, como se o próprio corpo de Soron tivesse se tornado um campo de batalha entre o que já deveria ter acabado e o que teimava em não ceder.

*Passo*

*Passo*

Ao entrar na sala de chá, Soron percebeu instantaneamente a preocupação no rosto de Leo. Seus lábios se curvaram levemente, não exatamente como um sorriso, mas como uma confirmação de que tinha entendido a apreensão do outro. Sua mão pálida levantou a chaleira do tapete baixo com cuidado meticuloso, o movimento preciso, porém tenso, como se até mesmo algo tão simples quanto servir o chá exigisse um controle deliberado de seus músculos agora.

"Sente-se", ordenou calmamente Soron, apontando para o assento de pedra do lado oposto, sua voz firme, apesar do agradável arranhar na garganta.

"Não há necessidade de ficar tão tenso. Ainda não vou desabar."

Ele garantiu, enquanto Leo não respondeu de imediato.

Ao invés disso, obedeceu às instruções, abaixando-se na cadeira diante de Soron, com postura ereta, controlada e respeitosa, os olhos nunca deixando o rosto do antigo Deus. Leo observava cada linha e leve tremor que Soron tentava esconder com esforço.

*Tsss—*

Do vapor subia enquanto Soron despejava o chá, uma bebida de tom âmbar profundo, com folhas esmagadas e partículas brilhantes que quase pareciam cintilar, ao colocar uma xícara diante de Leo antes de encher outra para si. Sua mão repousou por um instante um pouco mais longo do que o necessário.

E foi esse pequeno momento de pausa que revelou tudo a Leo.

Soron não estava completamente bem; seu corpo havia parado de obedecer-lhe como deveria.

"Estou esperando por você há muito tempo..."

Soron disse, ao levantar sua própria xícara, seus dedos firmando-se ao redor da porcelana, como se segurá-la com mais força fosse fazê-lo perder o equilíbrio.

*Sorriu sua bebida*

*Sonoridade ao beber*

Por um instante, nenhum dos dois falou.

Deus e Dragão das Sombras.

Senhor e sucessor.

O par simplesmente se estudou mutuamente. Leo percebeu com uma certeza silenciosa que aquele homem à sua frente já tinha um pé além do limiar da vida, enquanto Soron avaliava quão monstruoso Leo havia se tornado desde a última vez em que o vira.

"Sua aura... é mais verde do que o verde mais intenso que já vi na minha vida.

Você está aguentando a vida pela força da vontade.

Se não fosse isso, poderia ter morrido ontem..."

Leo observou, enquanto olhava para a forma de Soron e para a aura verde que ainda cercava seu corpo, chocado e impressionado.

Ele sabia, pela sua própria experiência, o quão difícil é para um homem conjurar verde ao redor de seu corpo, por isso entendia exatamente a dor que Soron estava passando só para continuar respirando neste momento, considerando como a aura verde preenchia toda a sala de chá.

"Você não está errado... Skyshard. Realmente estou no meu limite agora.

Significa que a próxima guerra será a minha última.

Já aceitei meu destino.

Não tenho mais nada a perder e lutarei como um homem que já não tem nada a temer."

Soron declarou, enquanto Leo ouvia suas palavras com uma calma reflexiva, soltando um suspiro profundo.

Depois de ver de perto a condição de Soron, ele entendeu exatamente o quão difícil era para o antigo Deus até mesmo respirar e se mover naquele estado, por isso não acreditava que Soron sobreviveria à próxima grande guerra.

Porém, o que ele não queria era que Soron fosse destruído de forma pública diante de todo o universo.

Ele simbolizava o orgulho e a resistência do Culto ao longo de toda a história turbulenta da seita.

Além disso, era a única força que impedia a facção dos Justos de eliminar todos os cultistas vivos, com sua raiva sendo o único impedimento.

E, por isso, para garantir paz futura e estabilidade a longo prazo, era crucial que a morte de Soron nunca acontecesse de modo exposto publicamente.

"Entendo sua posição, velho... de verdade.

Mas, temo que não posso deixar você morrer ainda.

Pelo menos, não publicamente."

Começou Leo, com um semblante confiante, explicando seu plano real para vencer a guerra que se aproximava e salvar Veyr.

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