
Capítulo 873
Assassino Atemporal
— Entendo sua posição, velhinho. De verdade mesmo.
Porém, não posso permitir que você morra ainda.
Pelo menos não publicamente.
Porque é isso que pretendo fazer—
Leo começou, com a expressão firme e inabalável, detalhando seu plano verdadeiro passo a passo, explicando como pretendia vencer a guerra que se aproximava e tirar Veyr do limbo da extinção.
Por um bom tempo, Soron ouviu em silêncio, seu rosto mudando repetidamente de incredulidade, para curiosidade, e de novo para incredulidade, enquanto ponderava cada implicação e ponto fraco na proposta de Leo. Pois, embora o plano fosse indiscutivelmente brilhante se todas as condições se alinhassem exatamente como Leo imaginava, ele também era perigosamente frágil, deixando espaço para o mais mínimo descalabro ou variável fora de lugar.
— É extremamente arriscado, — Soron finalmente falou, com a voz baixa e carregada.
— Se você estiver errado. Se você ou eu falharmos com o Cult, então realmente será o fim.
Ele fez uma pausa, uma leve tremedeira percorrendo seus ombros enquanto uma fina camada de suor escorria por sua testa, o esforço de permanecer de pé por quase uma hora finalmente cobrando seu preço.
— Com esse plano… apostamos tudo, tudo que ainda nos sobra, na salvação de Veyr. —
— É arriscado, — Leo admitiu sem hesitar, com a mandíbula se fechando enquanto encarava direto Soron.
— Mas me diga, de forma realista, que outra escolha temos?
Ele se inclinou levemente para frente, com a voz mais afiada.
— Fico lisonjeado por você acreditar que posso assumir o Cult depois que você se for, mas a verdade é que ainda sou um guerreiro de nível Monarch… e não você.
Suas mãos se cerraram lentamente, ao seu lado.
— Se os Deuses da Facção Justa decidirem que querem me eliminar, então não serei diferente de uma criança desarmada na frente de um matador veterano.
Ele exalou pelo nariz, buscando se acalmar.
— A verdade é simples. Não temos outro caminho.
Seus olhos se endureceram.
— Ou fazemos nossa última resistência contigo, nosso único Deus, enquanto sua presença ainda assombra o universo… ou não fazemos resistência nenhuma, e o Cult desaparece silenciosamente na história, só mais uma nota de uma rebelião fracassada.
Leo ficou em silêncio, mas o peso de suas palavras permaneceu pesado no ambiente.
Por dentro, ele já conhecia a resposta.
O Cult não tinha outra alternativa a não ser apostar tudo nesta única guerra.
As condições estavam longe do ideal.
E as probabilidades estavam pesadamente contra eles.
— E mesmo assim, se conseguirem essa vitória impossível, isso dará ao Cult algo que ele nunca tinha tido de verdade antes.
Uma base.
Uma base forte o suficiente para durar os próximos quinhentos anos, permitindo que permanecessem uma força dominante no universo mesmo após a morte de Soron.
*Huff—*
Soron deu um suspiro forte ao recostar-se na cadeira, o velho madeiramento rangendo suavemente sob seu peso, enquanto as palavras de Leo continuavam a ressoar em sua mente, ecoando repetidamente enquanto ele analisava o plano de vários ângulos, procurando não por otimismo, mas pelo ponto mais provável de colapso.
— A maior falha que vejo no seu plano, — Soron falou lentamente, com a voz carregada de certeza, — é que estaríamos entrando de cabeça em uma armadilha.
Ele elevou o olhar, com olhos afiados apesar do cansaço que pesava sobre seu corpo.
— É corajoso da sua parte assumir que podemos sair vivos…
Porém, se o inimigo preparou a formação Chakravyuh para nos receber, o que eu altamente suspeito que tenham feito, então não haverá saída assim que entrarmos nela.
Ele fez uma pausa, deixando o peso das palavras se firmar.
— Podemos entrar. Sim.
— Mas não podemos sair.
Seus olhos se estreitaram.
— Essa é a natureza do Chakravyuh. Uma vez que você chega ao centro, já está condenado.
O peso da implicação pairava pesadamente no ar, porque Leo sabia exatamente ao que Soron se referia — àquela formação que, uma vez, tirara a vida do pai de Soron, o maior guerreiro que já caminhou pelo universo, um homem cujo poder abalou eras, mas que foi engolido por aquele design implacável.
*Suspiro—*
Leo soltou um suspiro profundo, encolhendo os ombros levemente, sem defesa ou desprezo, reconhecendo a verdade nas palavras de Soron sem tentar suavizar. Ele sabia disso. Sabia desde o começo.
Não compreendia ainda exatamente o quão monstruoso era o Chakravyuh, nem se o Cult poderia realmente fazer algo tão insanamente arriscado, mas essas eram perguntas que só Soron, com sua experiência vivida e suas cicatrizes, poderia julgar corretamente.
No final das contas, a decisão nunca foi inteiramente de Leo.
— É sua decisão, velhinho, — Leo falou em voz baixa, com firmeza, recostando-se um pouco. — No fim das contas, você ainda é o Mestre da Seita.
Deixou a decisão ali, seu olhar firme enquanto Soron balançava a cabeça, sem acreditar, antes de soltar mais um suspiro cansado.
— O Chakravyuh não pode ser destruído de dentro uma vez que você entra nele, — Soron disse, com voz firme.
— Mas pode ser destruído de fora.
Os olhos de Leo se aguçaram.
— A formação é complexa, — Soron continuou. — No seu núcleo mais profundo, estão os guerreiros mais poderosos do inimigo. Seus Deuses.
Ele levantou um dedo levemente.
— Vamos supor que eu enfrente todos eles. De uma só vez.
Sua mão tremia suavemente ao abaixar novamente.
— Mas isso é o meu limite.
Soron se inclinou para frente, fixando o olhar em Leo.
— Então você precisará abrir uma única passagem através de tudo isso. Mestres, Grandmasters, Transcendentes, Monarchs, até Demi-Deuses.
Seu tom virou quase um sussurro.
— Uma única abertura. Só uma.
Ele não piscou, mantendo o olhar fixo.
— E se falhar, todos nós morremos.
Aquilo que se seguiu foi um silêncio absoluto.
Era Soron, no fim das contas, devolvendo a decisão para Leo, sem palavras, perguntando se ele realmente compreendia o peso do que estava oferecendo.
Leo não hesitou.
Encarando Soron de frente, com uma expressão calma, confiante e firme, ele assentiu uma vez.
— Se você fizer sua parte, — Leo falou em voz baixa, com uma força de ferro na voz que não vacilou, — prometo que vou fazer minha também, velhinho.
Sua aura se agitou sutilmente, brilhante e resoluta.
— Mesmo que eu seja dilacerado, membro a membro, tentando salvá-lo, eu ainda encontrarei um jeito de lhe dar aquela abertura.
Ele manteve o olhar, sem recuar.
— Isso eu juro.