Assassino Atemporal

Capítulo 868

Assassino Atemporal

(O Mundo Detido no Tempo, Ilha Flutuante de Moltherak, ponto de vista de Leo)

*Respira fundo*

Leo soltou uma respiração lenta e deliberada enquanto permanecia novamente na beira da ilha flutuante, o oceano parado se estendendo infinitamente à sua frente, sua superfície imóvel refletindo um céu que nunca mudava, enquanto atrás dele estava Moltherak com as asas dobradas, a presença antiga do dragão pesada o suficiente para que Leo pudesse senti-la sem precisar virar-se.

"Lembre-se disso, garoto," disse Moltherak, com a voz calma, porém sem calor, "só consegui te salvar na última vez porque eu tracei exatamente o caminho que você percorreu antes de cair no vazio."

Ele fez uma pausa curta, permitindo que as palavras se assente.

"Não posso garantir que conseguirei repetir esse feito novamente," continuou Moltherak, com o tom ficando mais firme. "Se você vacilar mais uma vez e começar a se perder no vazio de novo, há uma alta probabilidade de que você morra de forma brutal desta vez."

Leo sentiu as mãos tremerem ao ouvir aquele aviso, um tremor fraco, mas inegável, que percorreu seus dedos enquanto a lembrança da imensidão cinza de nada invadida por silêncio e a sensação de pesoless que quase o engoliu surgiam em sua mente.

Agora ele entendia.

Não só intelectualmente, mas de forma visceral.

Ele compreendia por que o Túnel Espacial não era um método comum de viagem no universo moderno, ou por que era reservado apenas àqueles insanos o suficiente para apostar sua existência na precisão pura, pois a técnica exigia perfeição de seres que ainda eram capazes de negligência e medo.

"Não deixe que o medo de falhar te consuma," disse Moltherak, fixando o olhar na mão trêmula de Leo.

"Lute contra ele. Lute agora, antes que ele se transforme em algo pior."

Sua voz ficou mais firme.

"Posso ver sua mão tremendo, e se você não vencer esse medo aqui, neste momento, será cada vez mais difícil a partir de agora…"

Ele advertiu, enquanto Leo fechava os olhos brevemente e puxava mais uma respiração, desta vez mais profunda que a anterior, forçando seus pensamentos a se alinhar.

'Eu posso fazer isso,' pensou Leo, enquanto se obrigava a reconhecer o medo em vez de negá-lo, apertando as mãos e ordenando que seus músculos obedecessem mais aos seus comandos do que às suas emoções.

'Fica calmo!'

Ele se instigou, e, felizmente, pouco a pouco, o tremor começou a diminuir e seus dedos a se estabilizar.

"Certo, lá vou eu—"

Ele murmurou, inclinando o punhal de aura com cuidado deliberado, fixando o ângulo preciso que precisava memorizar na mente de novo, enquanto praticava cortes exatamente a 31,45° cem vezes antes de abrir o túnel de verdade.

*CORTE*

*FSSHHH*

A estrutura do espaço se rasgou ao abrir-se o túnel, a realidade distorcendo imediatamente ao redor da incisão, cores se torcendo de forma irreal e profundidade se dobrando sobre si mesma, criando uma abertura que parecia familiar e aterrorizante ao mesmo tempo.

*Batida* *Batida*

Seus batimentos aceleraram ainda mais ao fixar o olhar no túnel, a lembrança do vazio assoprando sua mente enquanto a dúvida sussurrava que um passo errado o levaria de volta àquela descida infinita e tranquila. Por um instante, suas pernas resistiram—

'E se você falhar de novo?'

Uma voz sussurrou na sua cabeça, mas, ao invés de escutá-la, Leo cerrava os punhos com raiva.

"Vai," murmurou para si mesmo, dando um golpe forte na coxa e forçando seu corpo a obedecer.

"Se você quer ser o mais forte. Se você quer salvar Veyr. Então, aqui você não pode vacilar."

Ele se motivou, enquanto, apesar do medo ainda apertar seu peito, deu mais um passo para dentro do espaço do túnel, não porque o medo havia desaparecido, mas porque se recusava a deixar que ele decidisse seu destino novamente.

*Passo* *Passo*

A inclinação se formou exatamente como calculado, nem muito íngreme nem muito raso, enquanto o túnel se curvava suavemente à frente, sem desabar para dentro, enquanto Leo avançava sem hesitar, seu punhal de aura já erguido, a postura alinhada, o foco concentrado em um único ponto de objetivo.

*CORTE*

A primeira membrana temporal se abriu perfeitamente, oferecendo a resistência familiar antes de ele avançar imediatamente, recusando-se a deixar seus pensamentos vaguearem ou memórias se intrometendo, dedicando-se totalmente ao ritmo que Moltherak havia treinado nele.

*CORTE*

Outra membrana cedeu exatamente no mesmo ângulo, 31,45°, enquanto o túnel se prolongava como uma lâmina cortando seda, mantendo a estabilidade a cada avanço.

*CORTE*

*CORTE*

*CORTE*

Ele não se apressou, mesmo que a urgência tentasse impulsioná-lo adiante, nem desacelerou, mesmo que a dúvida ameaçasse entrar, optando por seguir a cadência que tinha criado, sem contar em voz alta ou deixar os números dominarem seus pensamentos, confiando ao invés disso em seu instinto, na repetição e no poder de sua mente subconsciente, que acompanhava exatamente o quanto tinha percorrido pelo caminho.

*Passo* *Passo*

Membranas se abriram uma após a outra sob seus golpes, cada uma respondendo com resistência igual, enquanto Leo avançava mais profundamente, sem desvios, sem tremor, sem permitir que a memória do vazio voltasse a surgir.

Pois desta vez, nada o ameaçava.

Nenhuma queda repentina.

Nenhuma perda de estrutura.

Somente paredes, ritmo e propósito.

Seu escudo de aura permaneceu firme ao redor de sua mente enquanto a pressão cósmica o tocava repetidamente, testando, mas sem jamais sobrecarregar, enquanto sua concentração permanecia absoluta, tão completa que até a sensação de distância começou a perder sentido, substituída pela certeza de que ele estava exatamente onde queria estar.

Finalmente, as membranas começaram a afinarem ao perceber que a resistência mudava sob sua percepção, enquanto a inclinação se suavizava o suficiente para que ele reconhecesse a mudança instantaneamente.

O vetor de saída respondeu.

O túnel se iluminou à frente, e, sem hesitar ou pausar, Leo cortou a última membrana enquanto a quarta dimensão se abria mais uma vez, liberando-o de volta ao espaço tridimensional.

*FSSHHH*

*DESCANSO*

A luz retornou ao seu redor enquanto a gravidade o recolhia, o som voltando enquanto o ar do planeta Ixtal enchia seus pulmões, o peso da realidade se assentando completamente ao seu redor enquanto seus sapatos tocavam o solo firme com um pouso controlado.

Ele não tropeçou.

Ele não vacilou.

Ficou parado um instante, respirando fundo, observando o horizonte com um sorriso suave nos lábios.

"Consegui... realmente consegui..."

Ele pensou, ao sentir uma grande barreira psicológica sendo retirada de suas costas.

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