
Capítulo 867
Assassino Atemporal
(Ilha Flutuante Moltherak, Sala Central, Ponto de Vista de Leo)
*EMPURRÃO*
*CRAC*
As portas da sala central de Moltherak se abriram com um estrondo agudo e ecoante, enquanto Leo as empurrava sem hesitar, os painéis de pedra pesada gemendo em protesto ao riscarem o piso, anunciando sua chegada com a mesma agressividade pura que sempre marcou sua presença bem antes de aprender a temer a quarta dimensão.
Moltherak, que estava de pé próximo ao centro da sala de costas para ele, parou no meio do movimento ao ouvi-lo, uma sobrancelha se levantando levemente enquanto vira a cabeça só o suficiente para olhar por cima do ombro, seus olhos dourados immediately se fixando em Leo com uma avaliação silenciosa.
"Demorou pra voltar a ficar de pé, garoto," disse Moltherak, sua voz ecoando calmamente pelo espaço enquanto suas escaneavam Leo de cabeça aos pés, observando a firmeza da postura e a tensão tensa sob a pele dele.
Leo não respondeu.
Ele deu um passo completo para dentro da sala, as portas se fechando com um estrondo atrás dele enquanto parava alguns passos adiante, costas eretas e queixo levantado, encarando Moltherak sem o menor sinal de esquiva, como se as últimas vinte e quatro horas tivessem queimado algo crú e irreversível em seu interior, ao invés de destruí-lo.
Então, Moltherak virou-se para encará-lo de verdade, seu corpo enorme se ajustando ao dobrar as asas mais para junto do corpo, enquanto estudava Leo com uma intensidade mais aguçada do que antes, a decepção tênue de antes agora suavizada por uma camada mais fria e deliberada.
"Certifique-se de não ter deixado seus ovos lá atrás, tremendo no vazio," disse Moltherak, com o tom levemente afiado como lâmina. "Entre na minha câmara de forma adequada assim que recuperá-los."
O insulto pairou no ar, enquanto a mandíbula de Leo se fechava com força.
Seus punhos se cerraram lentamente ao lado do corpo, os músculos dos antebraços ficando tensos enquanto algo profundo despertava nele, não explosivo ou selvagem, mas controlado e letal, como uma lâmina sendo retirada lentamente, centímetro por centímetro, ao invés de ser arrancada com violência.
Ele não falou.
Em vez disso, liberou sua intenção assassina, e a sala respondeu instantaneamente.
O ar ficou pesado, a pressão explodindo de seu corpo numa onda aguda e sufocante, enquanto o piso trepidava levemente sob seus pés, rachaduras finas se espalhando lentamente pelo chão em linhas sinuosas, enquanto os símbolos gravados nas paredes da câmara piscavam em resposta à súbita carga de energia.
Estava frio.
Não era frenético, nem emocional.
Era pura intenção afiada.
Aquela que provava que ele ainda tinha coragem de maneira firme.
Porém, apesar do esforço corajoso, Moltherak não se mexeu, apenas observando sem expressão, como quem não se impressiona.
*TRUMMMM*
Leo intensificou sua aura, como se não quisesse aceitar o 'Não' de Moltherak como resposta, elevando a pressão de sua aura ao limite, mantendo-a assim por alguns segundos a mais, até que toda a câmara começasse a gemer suavemente sob o peso.
*Zzzzzt* *TRRRR—*
Foi só neste momento que Leo começou a lentamente recolher sua energia, a intenção assassina recuando como uma lâmina sendo recolhida à bainha, até que o silêncio retornasse à sala mais uma vez.
"Hmmm…."
Moltherak meditou, assentindo uma vez.
"Bom, parece que o vazio ainda não quebrou completamente seu espírito," disse, sua voz baixando e ficando mais carregada de significado. "Você é muito sortudo, muito sortudo mesmo."
As mãos de Leo continuavam cerradas.
Seu maxilar se apertava silenciosamente enquanto as palavras se fixavam, não como um elogio, nem como uma palavra de conforto, mas como um lembrete do quão perto esteve de perder tudo, e de como a linha entre força e desespero é extremamente tênue.
Ele não agradeceu a Moltherak.
Não se curvou.
Apenas ficou lá, ombros firmes e olhos frios ardendo, o silêncio dele mais forte do que qualquer resposta que pudesse dar, enquanto Moltherak o observava com um olhar complicado.
"Aconteceu o que tinha que acontecer, garoto.
Se você não quer reviver isso de novo, tome cuidado para nunca mais fazer túnel espacial de forma leviana.
Não é uma técnica de brincadeira de criança.
Pensei que já tinha deixado isso bem claro quando ensinei ela pra você pela primeira vez."
Moltherak orientou, enquanto Leo assentia suavemente, entendendo.
Ele cometeu um erro ao ficar relaxado demais.
E foi um erro que lhe custou caro.
O Vazio mexeu com sua mente de maneiras que o universo normal jamais poderia, e a experiência deixou nele muitas marcas para processar.
"Se você não quer continuar aprendendo a navegar por túneis espaciais, tudo bem, posso respeitar," disse Moltherak.
Dragões com mentes muito mais fortes do que a sua desmoronaram só ao vislumbrar o vazio, quanto mais ao cair nele.
Porém, se ainda deseja dominá-lo, é hora de voltar logo —
Quanto mais tempo você deixar o medo crescer dentro de você, mais forte ele vai ficar."
questionou Moltherak, dando a Leo duas opções:
Poderia continuar aprendendo a navegar por túneis espaciais ou desistir, e embora Moltherak pudesse entender e respeitar ambas as escolhas, esperava que Leo continuasse tentando aprender de qualquer forma.
"Tenho que aprender, droga!..."
respondeu Leo, com a voz trêmula de uma fúria indomável, enquanto cerrava os punhos até as knuckles ficarem brancas.
"Tenho que aprender… tenho que vencer… tenho que me tornar o mais forte do universo.
Por mais nada…
Mais nada…
Nem nada mesmo….
Vai me fazer sentir completo!"
Ele pronunciou cada palavra com ênfase, enquanto os olhos de Moltherak se arregalavam de descrença.
Depois de passar pelo vazio, costuma-se perceber o que realmente faz alguém se sentir completo como indivíduo.
Para alguns, era a família.
Para outros, era o respeito.
Para alguns, era a vingança.
Mas, para Leo, era o desejo de se tornar o mais forte.
O que é uma característica reservada aos Overlords —
indivíduos que não aceitariam nada menos do que dominar completamente tudo o que há para conquistar.
"Hahaha…"
Moltherak riu, devagar no começo, e depois mais alto, até perceber de fato que tipo de homem Leo Skyshard era na essência —
Um homem cuja existência girava não em torno do medo ou da perda, mas da necessidade de estar acima de tudo.