Assassino Atemporal

Capítulo 870

Assassino Atemporal

(Planeta Ixtal, ponto de vista de Leo)

Leo olhou para sua família do céu, sua descida lenta e suave, enquanto deliberadamente reprimiu cada impulso dentro de si que sugeria velocidade ou domínio, porque mais do que qualquer outra coisa naquele momento, ele precisava que Amanda e as crianças entendessem que já não era uma ameaça às suas vidas.

Ele manteve sua aura comprimida com tanta força que nem um sussurro de pressão escapava, enquanto o ar ao redor de seu corpo se abria sem turbulência, e o solo abaixo dele ia se aproximando com uma calma inevitável, em vez de força bruta.

"Amor, voltei…"

Sussurrou suavemente, as palavras mais para si do que para qualquer outra pessoa, enquanto seus olhos permaneciam fixos nas pequenas figuras abaixo.

*Grito*

Amanda gritou de alegria assim que o viu, sua expressão se transformando em uma de pura euforia, e ela não esperou mais um segundo: começou a correr na direção de onde ele iria aterrissar.

*Pouso*

*Encurralada*

No instante em que suas botas tocaram o chão, Amanda se lançou com toda a força do alívio, jogando-se nele com todos os seus braços e pernas, sem hesitar.

"Hahaha — também te amo!"

Leo riu enquanto cambaleava meio passo para trás, antes de segurá-la facilmente, envolvendo-se nela com braços que agiram por instinto, cuidando com cuidado extremo, mantendo o aperto firme, mas preciso, consciente de cada ponto de contato, cada mudança de peso, cada batida do coração contra seu peito, tomando todo o cuidado para não machucá-la por acaso.

"Seja bem-vindo de volta, meu amor…"

Amanda murmurou, a voz embargada enquanto encostava o rosto no seu ombro, lágrimas molhando suas roupas, ao liberar anos de medo, raiva e noites sem dormir ao mesmo tempo.

*Suspiro*

Leo exalou lentamente, a testa repousando contra a dela, fechando os olhos por um momento e se ancorando na warmth do corpo dela, como se garantisse a si mesmo que ele estava realmente ali e não tinha sido tragado pelo vazio.

"Estou aqui," disse Leo em um sussurro, enquanto seus dedos se apertavam levemente nas costas de Amanda.

"E agora posso ficar perto das crianças…"

afirmou, enquanto Amanda se afastava um pouco para olhá-lo, as mãos apoiando o rosto dele enquanto a estudava cuidadosamente, como se buscasse algo que não conseguia nomear.

Até que, de repente, a compreensão surgiu e seus olhos se arregalaram.

"Sua aura…"

Amanda falou, a incredulidade passando pelo rosto dela.

"Ela Sumiu… não, ela ainda está aí, mas não está mais causando dor. Você finalmente aprendeu a controlá-la?"

Ela perguntou, enquanto Leo lhe sorria com ternura e carinho.

"Sim, consegui," respondeu Leo, enquanto seu olhar atravessava seu ombro em direção às crianças.

Caleb permanecia imóvel a uma pequena distância, com suas mãos pequenas cerradas nervosamente ao lado do corpo, olhando para Leo com olhos grandes e incertos. Ao seu lado, Mairon inclinava a cabeça para trás com curiosidade aberta, franzindo os olhos como se tentasse decidir se o homem à sua frente realmente correspondiam à imagem que guardara no coração…

"Hmm,"

Ele murmurou, tocando o queixo enquanto pensava na identidade de Leo, por um tempo, até que de repente apontou na direção dele.

"Olha… Caleb, um homem voando que parece com o papai," disse Mairon, com a voz cheia de admiração inocente, enquanto o peito de Leo se apertava com suas palavras.

'Meus próprios filhos nem têm certeza se sou o pai… Que ridículo sou eu?'

Questionou-se, enquanto Amanda acompanhava seu olhar e sorria entre lágrimas, suavizando a expressão enquanto se voltava lentamente para as crianças.

"Vem cá," Amanda encorajou, estendendo uma mão para eles. "É o papai."

Ela incentivou, enquanto as crianças hesitavam inicialmente, antes de finalmente se moverem.

Caleb deu um passo cuidadoso para frente, depois parou de novo, os olhos alternando entre Leo e Amanda como se pedisse permissão silenciosamente, enquanto Mairon descartava qualquer cautela e saltava direto nos braços de Leo.

"YAY! PAPAI!"

Mairon gritou de alegria, enquanto Leo mal tinha tempo de reagir antes de um pequeno corpo colidir contra seu peito, braços envolvendo seu pescoço, enquanto a risada explodia no seu ouvido — e, pela primeira vez na vida, Leo sentiu o que era segurar seu próprio filho.

*Batida no coração* *Batida no coração* *Batida no coração* *Batida no coração*

Seu coração pulsava forte contra seus ouvidos enquanto ele congelava.

'Tão macio e leve…'

Pensou, enquanto devagar, reverente, envolvia seus braços em Mairon, segurando-o com um cuidado tão artificial para seu jeito habitual que parecia que segurava vidro.

*Passo*

*Passo*

Caleb se aproximou em seguida, com passos cautelosos, até chegar a Leo, levantando os braços até a metade, hesitando, como se não acreditasse completamente que aquele abraço era permitido, os dedinhos pequenos se fechando enquanto ele titubeava no último passo.

Porém, ao contrário dele, Leo ajoelhou-se sem hesitação e abriu os braços, abaixando-se até a altura de Caleb, para que o menino não se sentisse engolido por ele, fazendo sua postura parecer menor e mais suave do que nunca em batalha ou comando.

*Abraço*

No instante em que ambos os pequenos estiveram contra ele, Leo sentiu algo dentro de si se abrir completamente, enquanto o peso dos corpos pequenos se acomodava em seus braços, seu calor o enraizando de uma forma que nenhuma cadeira, poder ou vitória jamais havia conseguido, como se o próprio universo tivesse se condensado naquele único ponto de contato.

'São tão pequenos, tão suaves, tão frágeis… se eu aplicasse até um pouco de força eles poderiam morrer,' pensou Leo, cada respiração deles, cada subida e descida delicada do peito, tornando-se agudamente consciente de tudo isso. 'E, mesmo tão frágeis, segurá-los me traz uma alegria imensa.'

Percebeu, pela primeira vez na vida, o verdadeiro sentimento da paternidade.

"Caleb… Mairon… Meus filhos!"

Ele murmurou, naquele momento jurando que, a partir daquele segundo, não importasse o que estivesse na sua frente, ou o que o universo exigisse dele, ele os protegeria para sempre.

Pois, com esse só abraço, seu primeiro contato real com eles, Leo compreendeu como aquele era o momento que todo pai fala em sussurros carregados de reverência.

Não as batalhas, não as conquistas, não as vitórias registradas na história, mas este instante único, em que o mundo se reduz ao peso de uma criança nos braços, enquanto algo irreversível se instala na alma, reescrevendo silenciosamente todas as prioridades que um dia existiram.

Leo já tinha ouvido outros descreverem isso, homens afirmando que, na primeira vez em que seguraram seus recém-nascidos em quartos de hospital estéreis, rodeados por luzes brancas e aparelhos apitando, algo fundamental mudava dentro deles, como se o próprio universo se inclinasse e sussurrasse que a vida nunca mais lhes pertenceria só a eles.

No entanto, ele nunca tinha entendido de fato.

Até agora.

Até segurar Caleb e Mairon contra seu peito, sentindo seus respirares desiguais contra seu pescoço e suas mãos pequenas agarrando suas roupas sem perceber, confiando.

Nesse momento, ele percebeu que aquela mesma linha invisível tinha sido cruzada, como se o homem que era há um instante tivesse sido selado atrás dele para sempre. E, no seu lugar, havia um pai.

'São meus filhos… meu sangue,' pensou Leo, enquanto um orgulho quase violento invadia seu peito, ao acariciar suavemente os cabelos deles, notando cada detalhe que os tornava reais: o cabelo de Caleb, liso como o do tio Luke, enquanto os cachos de Mairon espelhavam os seus; como se o próprio universo tivesse estampado sua herança neles sem pedir permissão.

'Esses filhos são a prova viva do meu amor por Amanda,' pensou Leo, finalmente entendendo que eles não eram apenas extensão de sua força, mas o motivo por trás dela. E, nessa realização, uma coisa muito mais perigosa do que ambição começou a se enraizar em seu interior — algo mais silencioso, mais profundo, e infinitamente mais resistente: a compreensão assustadora de que o universo poderia tirar seu trono, seu poder, até sua vida, mas jamais tocaria neles.

Nem seus filhos.

Nem agora.

Nem nunca.

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