
Capítulo 860
Assassino Atemporal
(Ilha Flutuante de Moltherak, Ponto de Vista de Leo)
"Então, já que posso abrir o portal dimensional agora... finalmente estou pronto para entrar nele?"
Leo perguntou com um toque de excitação contida, enquanto Moltherak soltava uma risada profunda e retumbante, daquelas que faz a câmara vibrar levemente, enquanto o velho dragão arrastava a cauda pelo chão em diversão aberta, sua expressão transbordando desprezo pela própria questão.
"Está pronto para ENTRAR NISSO?"
Moltherak repetiu lentamente, quase saboreando as palavras antes de sua diversão explodir novamente.
"Hahahahaha!
Ah, rapaz... não. Com certeza você NÃO está preparado."
Leo franziu um pouco a testa enquanto Moltherak se inclinava mais perto, abaixando a cabeça enorme até suas olhos dourados ficarem na mesma altura dos olhos de Leo, o tom de desdém casual tão agudo que, por um momento, Leo questionou se o dragão realmente se sentia ofendido.
"Você ainda não sabe navegar pelo túnel…."
Disse Moltherak, cada palavra lenta e deliberada, como se explicasse o óbvio para uma criança teimosa.
"Então, o que diabos dos sete infernos esquecidos você pretende fazer depois de entrar nele? Flutuar às cegas? Rezar para ser levado na direção certa? Ou apenas desejar morrer uma morte bem poética, bem solitária?"
Ele perguntou, enquanto Leo abria a boca para responder, apenas para ser interrompido de novo.
"Não, nem bother em responder,"
Resmungou Moltherak com um sorriso zombeteiro.
"Porque, a menos que você queira ser expelido em um ponto completamente aleatório no espaço, ou girar direto para um redemoinho de vazio, ou ficar preso em uma região sem buracos de saída para sempre… então você ainda tem MUITO a aprender antes de dar o primeiro passo naquele dimensionamento."
Ele disse, balançando a cabeça como se estivesse desapontado por a pergunta ter sido feita.
"Abrir o túnel é a parte fácil, garoto. Entrar com segurança é uma arte. Sobreviver dentro dele é uma jogada de mestre. E sair onde você planejou é um milagre que só se realiza com precisão absoluta."
Moltherak recostou-se um pouco, cruzando uma das asas sobre a outra na sua versão de braços cruzados, enquanto sua voz ficava mais suave, mas mais pesada.
"Você conseguiu bater na quarta dimensão. Isso é tudo. Mas se você entrar sem saber controlar onde vai emergir…"
Ele deu um relance com a garra, como se estivesse afastando um inseto.
"…então nem eu conseguiria recuperar os pedaços que restarem de você."
Alertou, batendo uma das garras contra o chão, fazendo pequenas ondas de aura se espalharem como ecos tênues de uma palestra que ele repetia para inúmeros guerreiros muito antes de Leo nascer.
"Ouça bem agora, garoto, porque é aqui que a verdadeira navegação pelo espaço começa," disse, seu tom mudando de zombaria para algo mais frio e autoritário, como se o próprio ar fosse se apertar ao redor de suas palavras.
"O túnel que você abriu hoje foi apenas uma porta — uma entrada sem uma saída definida — porque você ainda não traçou o caminho entre o Ponto A e o Ponto B."
Leo piscou, tentando visualizar, mas o olhar de Moltherak se aguçou antes que ele pudesse fazer outra pergunta.
"A quarta dimensão não é um corredor," continuou Moltherak, "é um mar… um vasto mar sem direção, sem cima, sem baixo, sem esquerda, sem direita, e sem pontos de referência para te guiar. Se você entrar sem preparação, vai ficar flutuando sem parar, puxado por correntes invisíveis e forças que não consegue lutar."
Ele arrastou a cauda pelo ar, e Leo observou o movimento distorcer, como se passasse por água, dobrando-se de forma anormal antes de se restabelecer.
"E essas correntes — as marés cósmicas e dobras — vão te jogar na direção que quiserem," disse Moltherak, "o que significa que pode sair a alguns passos do que planejou… ou na outra ponta do universo totalmente."
Leo sentiu o estômago apertar.
"Então, como decido… onde será a saída?" perguntou com cautela.
Moltherak levantou um pouco os lábios, não em um sorriso, mas no jeito que um professor sorri quando o aluno finalmente faz a pergunta certa.
"Você controla a distância controlando o ângulo de entrada," explicou, levantando uma garra. "A direção, porém, é controlada pelo vetor que você imprime na sua aura antes de atingir o ponto fraco."
Leo franziu ligeiramente enquanto Moltherak elaborava, suas palavras fluindo com precisão pesada.
"Pense no túnel dimensional como uma inclinação situada por trás da realidade. Um ângulo suave te leva uma distância curta. Um ângulo mais inclinado te leva mais longe. Muito inclinado, e você passa direto e emerge onde o destino mandar. Muito raso, e você rasga a membrana, acabando do lado de fora a um metro de onde começou, como um coelho confuso."
Ele tocou novamente o chão com a garra.
"Seu trabalho é calcular o ângulo correto e imprimi-lo na aura antes do ataque, porque, assim que o túnel abrir, não há como ajustá-lo. O caminho dimensional é forjado instantaneamente — um movimento, um resultado, sem correções."
Leo engoliu em seco, sentindo o peso daquela regra.
"E o vetor?" perguntou baixinho.
"O vetor determina sua direção. Ele é moldado pelo seu domínio sobre sua aura; se você consegue controlá-lo com precisão, mover-se-á exatamente como planejou.
Se não conseguir...
Vai passar por uma trajetória bastante turbulenta."
Moltherak inclinou-se mais perto, sua cabeça gigante projetando uma sombra sobre Leo.
"Por isso, navegar pelo túnel é a parte mais importante da arte. Mesmo que você abra o túnel sem falhas, mesmo que seu escudo aguente bem, mesmo que resista às forças contrárias, nada disso importa se você não conseguir controlar o ponto de saída. Um guerreiro que sai a cinco quilômetros do alvo é inútil. Um que sai a cinco mil quilômetros, está morto."
Leo respirou fundo lentamente, deixando o peso dessa verdade se assentar.
"Então, o que devo aprender primeiro?"
Ele perguntou enquanto os olhos de Moltherak brilhavam de aprovação.
"Começamos pelos ângulos," respondeu. "Você aprenderá a atingir pontos fracos com graus controlados — cinco graus, dez graus, quinze graus — até que sua aura obedeça sem erro. Depois disso, começaremos a trabalhar nos vetores, porque só após dominar ambos você poderá entrar no túnel."
Sua voz suavizou, embora não com afeto, mas com a gravidade da realidade.
"Entenda uma coisa, garoto. Um erro de cálculo e você pode emergir dentro de uma estrela… ou dentro da crosta de um planeta… ou em um vácuo sem ar que rasga seus pulmões antes mesmo de você conseguir invocar seu escudo. O universo não perdoa equívocos."
Leo fechou os olhos por um instante, se acalmando.
"Então ensine-me a calcular o primeiro ângulo."
Solicitou, enquanto Moltherak sorria, aprovando.
"Bom, pelo menos você tem coragem... Já vi muitos desistirem nesta fase."
Encorajou, enquanto começava a explicar a próxima fase do treinamento de Leo.