Assassino Atemporal

Capítulo 842

Assassino Atemporal

(Na noite seguinte, Cidade Skyshard, ponto de vista do Oitavo Elder)

A noite carregava um peso pesado sobre a Cidade Skyshard enquanto o Oitavo Elder saía silenciosamente pela janela dos fundos de um pequeno restaurante, com seu manto puxado bem firme ao redor dos ombros, fundindo-se na escuridão das vielas com a familiaridade de quem já vive há tempos como fugitivo dentro de sua própria terra natal, desde que a vigilância implacável de Chaosbringer se intensificou sobre todos nós.

Ele se movia rápido e silencioso pelos becos nos fundos, mantendo a cabeça baixa e os passos leves, evitando caminhos iluminados e circulando atrás de lojas fechadas, confiando mais na memória e no instinto do que na visão enquanto se dirigia ao ponto de encontro previamente combinado, rezando para que nenhum dos observadores de Chaosbringer tivesse se interessado por sua rota incomum naquela noite.

Quando chegou ao antigo portão de metal na periferia do bairro, seu coração já acelerava, não por medo de combate, mas pelo pavor de ser descoberto durante uma reunião secreta como aquela, e de ver sua liberdade ainda mais restringida.

*Bate*

*Bate*

Ele bateu duas vezes.

Depois colocou a palma da mão contra o aço frio antes de murmurar suavemente pelo vão na porta:

"Viva a antiga ordem, viva o conselho dos anciãos."

Quando, *CLIC*

O portão destravou com um clique metálico, abrindo-se apenas o suficiente para deixá-lo passar antes de se fechar lentamente com finalidade silenciosa, enquanto o Oitavo Elder entrava na armazém dimamente iluminado, onde os demais já estavam reunidos.

O Primeiro Elder.

O Terceiro Elder.

O Quarto, Quinto, Sexto, Décimo e Décimo Primeiro Elder.

Todos presentes, todos mascarados pela mesma fadiga, frustração e ressentimento crescente que ele mesmo carregava.

"Senhor Oitavo," cumprimentou o Terceiro Elder de forma zombeteira de uma ponta a outra da mesa, os olhos brilhando com uma maliciosa diversão que fez a mandíbula do Oitavo Elder apertar, "como tem passado?"

"Tenho passes, como todos nós, Senhor Terceiro… sem dentes."

Disse o Oitavo Elder, sua voz carregada de amargura ao tomar assento, pois a humilhação de viver como uma relíquia cerimonial enquanto Leo e Chaosbringer controlavam todos os aspectos do governo do Cult já tinha consumido toda a paciência que um dia lhe restara.

"Não fique tão frustrado, Senhor Oitavo," respondeu suavemente o Terceiro Elder, inclinando-se para trás na cadeira com a postura de alguém que sabe mais do que os demais, "Tenho boas notícias nesta noite."

Antes que o Oitavo Elder pudesse responder, o Primeiro Elder resmungou alto, a expressão contorcida por uma fúria quase incontrolada enquanto batia a mão na mesa com força.

"A menos que as notícias que você vai dar sejam que o traidor do Sétimo Elder morreu," rosnou, "não quero saber de mais nada."

Seus nós visíveis ficavam brancos de tanta força que seus punhos cerrados se fechavam com força, as veias saltando por toda a frente do antebraço enquanto lutava para conter o ódio que há tempos fervia dentro dele contra Chaosbringer.

"Não… isso não é o que tenho a dizer."

Respondeu calmamente o Terceiro Elder, abaixando a voz até que todos se inclinassem para frente, com os olhos estreitando-se de expectativa, como uma tempestade que se forma no horizonte.

"Mas o que tenho para compartilhar," continuou, deixando o silêncio se estender por tempo suficiente para tensionar os nervos de cada Elder, "é que Lorde Soron está vivo… e que ele está de volta em Ixtal."

*Suspiro*

Suspiros ecoaram ao redor da sala.

O Primeiro Elder congelou.

As mãos do Quarto Elder tremiam.

Até mesmo o estoico décimo Elder se inclinou com uma urgência rara.

"Skyshard tem escondido essa informação de nós," disse calmamente o Terceiro Elder, saboreando as reações deles, "mas descobri a verdade por meio de minhas fontes."

Ele compartilhou enquanto uma centelha se acendia nos olhos deles — esperança, uma possibilidade, uma mudança sísmica que nem Leo nem Chaosbringer queriam que eles imaginassem.

Pois a implicação era clara.

Se Soron estava vivo…

Então Leo não era mais o legítimo Mestre do Seita.

Os Elder trocavam olhares enquanto a compreensão se instalava como um trovão em seus ossos.

Um murmúrio inquieto se espalhou pela sala enquanto eles trocavam olhares, cada um sentindo o peso do momento pressionar contra o peito, pois o retorno de Soron não era meramente uma boa notícia — era um terremoto capaz de derrubar o rígido governo de Leo com um golpe, se tudo fosse conduzido corretamente.

O Quarto Elder foi o primeiro a inclinar-se para frente, a voz tremendo com a excitação quase incontida ao sussurrar: "Se Lorde Soron vive, então a autoridade de Skyshard termina hoje… devíamos segui-lo apenas até que nosso verdadeiro Mestre do Seita retornasse."

"Sim," acrescentou rapidamente o Sexto Elder, com os olhos brilhando com a empolgação de uma ambição antiga que despertava novamente, "e se Soron estiver de volta em Ixtal, então a primeira coisa que a seita deve fazer é reabilitar o conselho, não se curvar a um garoto que tomou o poder por causa da morte de Charles."

Algumas cabeças assentiram de imediato.

O Quinto Elder falou em seguida, com a voz baixa, porém afiada com propósito: "Skyshard escondeu isso de nós, o que quer dizer que ele teme o que o retorno de Lorde Soron significa para ele. Essa segredo por si só prova que ele não pretende abrir mão do controle de boa vontade."

"Então está decidido," murmurou o Primeiro Elder, sua fúria anterior substituída por uma determinação fria enquanto unia as mãos, "as pessoas precisam saber. Se revelarmos essa notícia ao público, as massas vão exigir o que é deles por direito — um Mestre do Seita legítimo, não uma figura temporária que se apega ao poder."

O Décimo Primeiro Elder lançou um olhar cauteloso à porta antes de falar: "Se os civis descobrirem que Lorde Soron retornou, apoiarão nossa demanda por uma audiência com ele, pelo menos."

"Exatamente," disse o Terceiro Elder com suavidade, guiando o entusiasmo de todos para um plano unificado, "então vamos deixar a verdade vazar — com cuidado, silenciosamente, através do povo comum que ainda reverencia os Elder. Boatos vão se espalhar como fogo, e quando o Sétimo perceber o que está acontecendo, já será tarde demais para impedir."

Uma silência perigosa e cheia de ansiedade tomou conta do ambiente.

O Primeiro Elder cerrando o punho, um sorriso feroz brincando nos lábios.

"Então está decidido… a antiga ordem retorna. E o reinado de Skyshard chega ao fim."

Um a um, os Elder assinaram com a cabeça, a ressentimento se transformando em determinação, sem perceber que a serpente entre eles —

o Terceiro Elder —

sorria por motivos muito mais sombrios do que os deles.

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