
Capítulo 811
Assassino Atemporal
(O Pátio do Castelo de Soron, ponto de vista do Mestre Supremo Argo)
O processo de acender uma forja de almas é realmente único e difícil; no entanto, felizmente, todos os subordinados de Argo foram treinados para isso.
Ao contrário de uma forja comum, a Forja de Almas não era um dispositivo físico que se acendia simplesmente com calor, carvão ou mana, mas uma construção ritualística que precisava ser despertada por meio de inscrições em camadas, alinhamento espiritual e âncora emocional.
A base necessária para formar uma forja de almas devia ter cerca de trinta metros de diâmetro, e foi aí que o processo começou.
Cada aprendiz ajoelhava-se no chão com um cinzel de mana condensada, arrastando a ponta brilhante lentamente pelo solo enquanto o primeiro anel de runas tomava forma, enquanto Argo supervisionava cada traço com a atenção de um homem que entendia que um único erro poderia fazer o ritual inteiro desmoronar e engoli-los de vez.
O anel mais externo era um script de estabilidade, gravado em padrões espirais que bloqueavam o mundo físico para que a forja não vazasse acidentalmente para a terra ao redor.
Dentro dele vinha o segundo anel, esculpido com símbolos que guiavam a consciência, permitindo que a forja puxasse o ferreiro e seus ajudantes para o mundo intermediário onde alma e matéria existiam livremente.
O terceiro anel era o selo de ressonância emocional, conectando o coração de cada participante à chama da forja, para que a Forja de Almas pudesse extrair sua vontade, convicção, memórias e até mesmo seus medos.
"Mantenha seu foco elevado e os braços firmes, não cometa erros aqui."
Argo instruiu, enquanto os aprendizes continuavam com seus desenhos de gérmen para a próxima hora, até que finalmente criaram o entalhe desejado.
*FWOOM*
Os círculos entalhados brilharam, primeiro suavemente, depois com intensidade crescente, como se uma fera adormecida sob o solo estivesse despertando e alongando membros após séculos de sono.
No centro da formação rúnica ficava a própria Forja de Almas, um forno que não se parecia com um dispositivo tradicional de ferreiro.
Assemelhava-se a uma bigorna quadrada feita inteiramente de pedra preta, sua superfície gravada com murais em camadas de rostos de agonia, de triunfo e de serenidade congelada, todos entrelaçados numa sinfonia de emoções cruas.
*Thrum*
A estrutura vibrava, como se não tivesse chaminé ou fonte de combustível visível, uma fumaça tênue começava a subir de suas bordas, escapando imediatamente em direção ao céu acima.
*Passo*
*Passo*
Argo aproximou-se lentamente, colocando a palma da mão na placa frontal enquanto os aprendizes se agrupavam atrás dele em silêncio tenso.
"Sincronicem a respiração," ordenou Argo, com voz baixa e firme, e seus aprendizes obedeceram instantaneamente.
Todos assumiram seus lugares ao redor da forja, alguns segurando tenazes, outros ferramentas de modelagem, preparando-se para a tarefa que viria a seguir.
"Preparem-se. Assim que começarmos, a forja puxará tudo que estiver dentro de vocês. Sua força. Seu medo. Sua alegria. Seus arrependimentos. Não deixem a mente se distrair do propósito, ou a forja tentará virar seus próprios pensamentos contra vocês."
Alertou, enquanto os aprendizes assentiam, pálidos, mas determinados.
"É hora…"
"Ativem a sequência."
Guiou, enquanto os aprendizes colocavam as mãos nos runas correspondentes ao seu anel designado.
*HMMMM*
Uma vibração profunda percorreu todo o pátio, o ar ficou mais espesso enquanto o mundo diminuía para uma única tonalidade, enquanto os círculos rúnicos se inflamavam em uníssono.
*WHOOSH*
A luz correu pelas glifos como água fluindo por canais, antes de convergir em um fluxo de energia espiritual que inundou diretamente a forja.
*TRRR–*
Um som de sinos distantes preenchia o ar, algo entre sino e sussurro, algo antigo, estranho e inquietante.
*Tremor*
O chão tremeu enquanto uma coluna de chamas brancas como gelo explodia da boca da forja, girando para cima como um pilar tecido de memória e luz.
A temperatura não aumentou. O vento não se mexeu. Mas cada coração presente sentiu a pressão.
Porque o que a Forja de Almas emitia não era calor, mas essência.
"A forja agora puxará suas emoções," murmurou Argo.
"Preparai-vos."
Adiantou, enquanto as chamas se curvavam para dentro, engolindo a forja, antes de explodir para fora em uma rajada violenta que envolveu todos numa fina cortina de luz cintilante.
*BRILHO*
No instante em que tocaram a pele, o mundo ao redor deles mudou.
O castelo ao fundo desapareceu. O céu azul escureceu, tornando-se um vasto vazio oco, enquanto as paredes ao redor se dissolviam em uma névoa prateada flutuante.
"O Espaço da Alma…" sussurrou um aprendiz, com a voz tremendo de admiração, enquanto Argo concordava com um gesto sério.
De alguma forma, o solo ainda existia sob seus pés, mas nada parecia físico de verdade, pois eles entraram no reino intermediário.
"A partir deste ponto, lembrem-se disto: cada ação neste mundo exigirá uma fração de sua alma. Se perderem o foco, se perderem a convicção, a forja puxará mais do que oferecem, e vocês começarão a envelhecer rapidamente…"
Adverteu, e assim que terminou de falar, a Forja de Almas finalmente entrou na última fase de ativação, separando-se em duas imagens distintas —
Um, a estrutura física semelhante a uma bigorna, e outro, a chama branca da alma, que se sobrepunham, criando uma estação de trabalho verdadeiramente única.
*Crackle*
*Wobble*
A chama da alma se moveu, enquanto Argo apertava firmemente seu martelo de forjar.
No mundo físico, era apenas uma ferramenta comum.
Mas na imagem espelhada, projetada dentro do espaço da alma, ela se transformou numa arma luminosa gigante, que parecia uma ferramenta divina.
*Levantar*
Ele levantou ambos os martelos — físico e espiritual — juntos, antes de então…
*BATER*
Golpeando-os para baixo, enquanto seu martelo real atingia a base da bigorna preta, e seu martelo de alma atingia a projeção do metal de origem dentro dela.
*CLANG*
Por um instante, nada aconteceu.
Então, o impossível ocorreu —
uma pequena ondulação percorreu o Metal de Origem.
"Ele reagiu…" um aprendiz arfou.
"Na verdade, ele se moveu!" sussurrou outro, a voz tremendo de alegria, chegando à conclusão de que esse método funcionava para trabalhar o metal.
Porém, Argo não comemorou.
Essa pequena mudança não era suficiente para ele se sentir satisfeito; ele voltou a acertar o metal.
*CLANG*
*BOOOM*
Outra onda percorreu sua superfície. E, mais uma vez, uma microdoação se formou em suas bordas.
"Pelas estrelas! De novo! O metal reagiu novamente!"
"Conseguiremos! Juntos, podemos forjar a lâmina que o Senhor deseja!"
Os aprendizes vibraram de alegria, enquanto Argo focava totalmente na destreza da forja, agora que sabia que alcançar o resultado desejado não era impossível.