Assassino Atemporal

Capítulo 803

Assassino Atemporal

(O Jardim Eterno, ponto de vista de Veyr)

"O quê? Quer que eu te tire do Jardim Eterno? Pra provar que realmente conheço uma saída?" perguntou Raymond, com a expressão oscilando entre descrença e amusement, enquanto se inclinava para frente, apoiando uma mão no queixo.

Veyr encarou seu olhar sem hesitar, com tom firme e expressão séria. "Exatamente. Se você quer que eu continue cooperando, então é hora de colocar sua palavra à prova e mostrar que realmente consegue fazer o que afirma."

A sobrancelha de Raymond levantou-se levemente, um sorriso fraco surgindo nos cantos dos lábios. "E como exatamente você quer que euprove?"

"Simples," respondeu Veyr. "Me leve lá fora, só uma vez, e me mostre que consegue passar despercebido pela vigilância de Kaelith. Deixe-me ver o mundo lá fora com meus próprios olhos, depois me traga de volta antes que alguém perceba que fui embora."

Você é um Semideus, eu sou um Transcendente. Eu não poderia te machucar, mesmo que quisesse, então não há perigo pra você. Mas se você realmente quer minha cooperação, preciso de uma prova. Me mostre que não está mentindo sobre poder me libertar, e eu te ensinarei seu próximo movimento."

Veyr falou com calma e firmeza, como alguém que deixa clara a decisão, enquanto Raymond o olhava fixamente, seu rosto impassível.

"Ora, ora, que pedido idiota. Você acha que eu te mentiria sobre algo assim? Claro que sei como te tirar daqui," disse Raymond, soltando um suspiro lento, enquanto seu olhar se perdia no céu acima, com tonalidade leve, quase brincalhona, como se estivesse segurando o riso.

"Tudo bem, então, prove," exigiu Veyr claramente, com tom firme e resoluto, enquanto os olhos de Raymond brilhavam com malícia, e ele colocava uma mão no ombro de Veyr.

"Certo," ele disse suavemente, um sorriso tímido surgindo nos lábios. "Segure a respiração."

Antes que Veyr pudesse questionar seu significado, o mundo ao redor dele se distorceu violentamente, a luz se dobrando para dentro até que tudo ficou preto por um instante.

Quando sua visão voltou, o ar havia desaparecido, substituído pelo infinito frio e silencioso do cosmos.

Incontáveis estrelas brilhavam como brasas dispersas numa vastidão de escuridão sem fim, e lá embaixo flutuava o Jardim Eterno, sua barreira luminosa cintilando como uma esfera divina suspensa no vazio.

Por um momento, Veyr esqueceu de respirar. Seu corpo inteiro congelou, seus pensamentos incapazes de compreender aquela visão impossível diante dele.

"Bonito, né?" a voz de Raymond vindo ao seu lado, calma e com um tom de provocação sutil. "Não entre em pânico. Estamos dentro de uma bolha de mana estabilizada. Você consegue respirar normalmente."

Mesmo assim, por instinto, Veyr segurou a respiração, com os olhos firmemente fixos no Jardim abaixo enquanto a verdade começava a se estabelecer.

'Ele realmente conseguiu. Ele realmente me tirou daqui…'

A idéia mal se formou na cabeça dele quando a escuridão voltou a se intensificar.

As estrelas se dobraram novamente, o vazio se dissipou, e ele se encontrou de pé no mesmo pedaço de grama verde onde tinham começado.

"Pronto," disse Raymond com leveza, espirrando uma poeira imaginária do ombro. "Tá feliz agora?"

Veyr o encarou, ainda tentando compreender o que acabara de acontecer, até que lentamente concordou. "Sim… o negócio é o negócio. Eu te ensino o próximo movimento."

"Ótimo," falou Raymond, com um sorriso caloroso e aparentemente inocente.

Porém, enquanto Veyr estudava aquele sorriso, uma sensação de desconforto silencioso começou a apertar seu peito.

Algo naquele caso todo parecia errado para ele.

Era como se tudo estivesse fácil demais… Muito suave.

'Algo não está certo,' pensou.

'Kaelith, um Deus, não perceber a gente saindo? Duvido uma fração de segundo…'

Ele chegou à conclusão, ao perceber aquilo como uma ponte de trem atingindo-o em cheio.

'A dupla pai e filho estão nessa juntos… E provavelmente estão me enrolando como um bobo!'

Kaelith provavelmente está ouvindo tudo que dizemos neste exato momento.'

Percebendo isso, embora mantivesse uma expressão amigável do lado de fora, internamente todas as suas esperanças de fuga se desfezaram completamente.

'Bem, já que estão enganando a mim, acho que é hora de eu começar a enganá-los também.

Que se dane o segredo do Cult; se eu vou morrer de qualquer jeito, prefiro levá-los comigo para o túmulo.'

Pensou, enquanto, mesmo sorrindo educadamente na frente de Raymond, internamente decidiu não ensinar uma verdadeira técnica do Cult ao Semideus, e, ao invés disso, passar uma manobra qualquer como [ Soco Rápido ].

"A próxima técnica que vou te ensinar... é algo que você nunca viu antes."

"É uma manobra que uso regularmente nas minhas lutas..."

Veyr começou, quando a expressão de Raymond escureceu imediatamente, percebendo que o irmão estava mentindo.

"O nome da técnica é [Socorro Rápido –"

Veyr começou, mas antes que pudesse concluir, o Semideus lhe pegou com força pelo pescoço, levantando-o do chão de forma violenta.

*Asfixia*

*GargANTA*

Os pés de Veyr balançaram fracamente contra a grama enquanto mãos de Raymond se fechavam em volta do seu pescoço, comprimindo sua traqueia até que o ar escapasse em um gemido rouco.

Sua visão começou a se turvar na periferia, cores se misturando enquanto a intenção de matar do Semideus inundava o ar como uma maré sufocante.

"Não minta mais pra mim, garoto," disse Raymond frio, sem emoção, com os olhos brilhando fracamente com uma luz prateada e sinistra.

"Sabe que consigo ver sua aura ficando preta, né? Sua alma me diz quando você começa a mentir. Então, peça desculpas, me ensine o movimento correto, ou diga adeus à sua vida patética."

As palavras ecoaram na cabeça de Veyr, mas mesmo enquanto seus pulmões clamavam por ar, ele se recusou a ceder.

Suas mãos arranharam desesperadamente o braço de Raymond, as veias no pescoço inchando enquanto ele fazia força máxima para abrir aquele abraço do Semideus.

Porém, infelizmente para ele, todo esforço foi inútil, já que a mão de Raymond permaneceu imóvel.

*Luta*

*Atravessa*

A grama sob seus calçados começou a achatar-se sob o peso de sua luta, sua aura crepitando fracamente como brasas morrendo enquanto o mundo ao seu redor começava a escurecer.

"Hhhh—"

O som que saiu de sua garganta parecia mais um gemido do que uma palavra, mas seus olhos ainda ardiam de desafio.

Pontos de luz começaram a dançar em sua visão, seu corpo tremendo violentamente enquanto a força em seus braços diminuía, mas, apesar da situação miserável, sua vontade se recusava a ceder.

'Não tenho arrependimentos, otário…' pensou fracamente, sua consciência escorregando a cada segundo.

E então, antes que a escuridão o consumisse completamente, os lábios de Veyr se contorceram num leve sorriso, e com a pouca força que ainda tinha, levantou as mãos trêmulas na direção do rosto do Semideus, curvou apenas dois dedos, e mostrou ambos os dedos do meio na direção do homem.

Aposto que a intenção era pequena, fraca – mas carregava todo o peso de sua revolta.

"F…vai se f…r…"sibilou, as palavras quase inaudíveis, antes que seu corpo finalmente relaxasse.

Raymond o observou, seu rosto impassível por um momento longo.

Depois, um sorriso pequeno e sem graça apareceu, enquanto suavizava o aperto e deixava o corpo inconsciente de Veyr cair na grama abaixo.

"Tch… ainda resistente, mesmo na beira da morte.

Você certamente é sangue do meu sangue," murmurou calmamente, com uma tonalidade quase admiradora, embora um leve toque de irritação permanecesse no olhar.

"A gente tinha algo bom aqui… Mas acho que, entre agora e sua execução, não vai ter mais vantagens pra você aproveitar."

Por não ter me ajudado.

Você basicamente já virou um morto."

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