Assassino Atemporal

Capítulo 804

Assassino Atemporal

(O Jardim Eterno, ponto de vista de Kaelith)

"Idiota...", murmurou Kaelith, sua voz calma, porém carregada de uma irritação silenciosa, ao não puder deixar de ficar desapontado com seu filho Raymond pela forma como lidou com Veyr.

Como Veyr havia previsto, ele realmente estava ouvindo a conversa à distância e podia analisar o instante exato em que Raymond tinha errado.

"Você o tirou do Jardim com facilidade demais. Claro que ele iria perceber nossa situação depois disso", ponderou, seu tom revelando aquela mistura rara de frustração e divertimento cansado que só um pai poderia sentir ao falar de um filho imprudente.

"Todo o talento do universo... você poderia ter se tornado o maior guerreiro que o universo já viu, até mesmo superando seu avô, mas, infelizmente, não tem a cabeça para isso.

Você age sem pensar, e, apesar de ter cinco séculos de idade, ainda se comporta como uma criança mimada."

Kaelith reclamou, incapaz de aceitar como educou uma criança tão sem cérebro.

"Agora, Veyr não vai mais cooperar com você.

E meu plano de descobrir os segredos do Cult foi por água abaixo...

*Suspiro*

Respirando fundo, Kaelith balançou a cabeça, mais uma vez se perguntando quando Raymond finalmente amadureceria e se tornaria mais confiável, seu maior trunfo.

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(Enquanto isso, dentro do Mundo Congelado no Tempo, ponto de vista de Leo)

Leo estava sentado com o corpo curvado para frente, cotovelos apoiados nos joelhos, dedos pressionados contra suas têmporas, tentando entender os números que giravam em sua mente.

'A execução de Veyr é daqui a quarenta e cinco dias... tempo do mundo exterior', pensou silenciosamente, sua expressão se fechando. 'No Mundo Congelado, isso equivale a aproximadamente quatro mil cinquenta dias... bastante no papel, mas só se eu nunca sair daqui.'

Ele se apoiou para trás, olhando fixamente para o teto enquanto as contas continuavam a se formar em sua cabeça.

'Mas não posso esperar até o último dia. Preciso estar de volta em Ixtal com o Exército do Cult pelo menos quinze dias antes da execução. Assim, diminui para trinta dias... trinta dias lá fora, três mil aqui.'

Ele exalou rapidamente pelo nariz, sua paciência ficando mais fina.

'Desses, Moltherak precisa de mil dias para meu treinamento final, sobrando-me dois mil dias—vinte lá fora—para alcançar o nível de Monarca.'

Seus punhos se cerraram ligeiramente.

'E mesmo assim, não dá para fazer aqui. Não tenho como matar uns dois bilhões de pessoas dentro do Mundo Congelado. Isso significa que terei que sair mais cedo para fazer isso...'

Fechou os olhos, seu maxilar se contraindo enquanto a dura realidade se instalava.

'E isso significa que meu cronograma ficou ainda mais apertado.'

concluiu, sentindo o peso daquele pensamento pressionando sua mente como uma ferramenta de aperto implacável.

'Pois é... estou ferrado.'

pensou, permanecendo em silêncio por um tempo longo, até que, por fim, sua própria voz quebrou aquele silêncio tranquilo.

"Sem me tornar um Monarca, não vou ser forte o suficiente para aprender a técnica que Moltherak quer me passar... e, sem essa técnica, não tenho como liderar o Exército do Cult para salvar Veyr."

As palavras escaparam dele como uma confissão, com voz rouca e baixa, ao sentir uma vontade irracional de pegar o Manual de Supressão do Imperador, guardado em seu anel de armazenamento, e rasgá-lo em pedaços, só para vomitar a frustração que vinha lhe corroendo desde que terminou de ler suas últimas instruções.

"Mas, se eu seguir por esse caminho e de alguma forma conseguir passar por ele... quando eu voltar, terão se passado quatro mil cinquenta dias aqui, e meus filhos já terão completado quinze e dezoito anos, destruindo toda esperança de que eu pudesse fazer parte de suas vidas de maneira significativa.

Sem falar que a Amanda ficaria de coração partido."

Leo falou, exalando de forma brusca, enquanto seus dedos traçavam padrões aleatórios contra o joelho.

"Por outro lado, se eu não alcançar o nível de Monarca, minha aura nunca se estabilizará o suficiente para eu até ficar perto deles.

O que significa que só poderei observar de longe e nunca encontrá-los, não importa o que aconteça..."

Leo percebeu, sentindo-se impotente diante de um dilema tão difícil.

"Acho que não há outro caminho...

Não posso abrir mão da minha ascensão a Monarca,

e não posso desistir de tentar ser um pai de verdade.

Então, só há um caminho certo para isso..."

Ele falou com uma voz trêmula, pesando os prós e contras dessa última alternativa.

"A única saída é mandar a Amanda e as crianças para Ixtal sob proteção de Soron, enquanto eu saio para tentar alcançar o nível de Monarca dentro dos próximos trinta dias..."

Ele se inclinou lentamente, os dedos apertando a borda de sua cadeira, enquanto seu pensamento girava sobre as implicações de suas próprias palavras.

"De um lado, esse plano garante que minha família não precise esperar mais do que um mês para me ver novamente... mas, por outro, a segurança de Ixtal não é nada comparada ao Mundo Congelado."

Ele fez uma pausa, sua voz ficando mais baixa, como se as palavras pesassem nele.

"Não dá para prever quando os Deuses justos podem descer em Ixtal e atacar Soron... e se eu não estiver lá para salvá-los naquela hora..."

Ele parou, seu maxilar se tensionando enquanto a ideia se formava, mas se recusava a sair de seus lábios.

Mesmo assim, após um longo momento de reflexão silenciosa, ele expirou e balançou a cabeça levemente.

"Mesmo assim, esse é o caminho com menos armadilhas. A segurança pode ser incerta, mas, pelo menos, assim, ainda farei parte da infância deles...

e ainda terei uma chance de ser pai."

Ele finalmente falou, levantando-se de sua cadeira.

"Para garantir a segurança deles, vou enviar a Su Pei e o Dumbo com eles para Ixtal como guarda-costas.

Assim... vou saber que estarão o mais seguros possível."

"Mas, além disso, realmente não vejo outra saída para esse enredado."

Ele disse com a voz baixa, decidido sobre o que fazer a seguir.

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