
Capítulo 802
Assassino Atemporal
(Mundo Congelado no Tempo, Arena de Treinamento Isolada, Ponto de Vista de Leo)
Leo encarou as palavras brilhantes por um bom tempo, sem piscar, o reflexo vermelho tênue do manual refletido em seus olhos como se tentasse testar sua paciência.
"Que porra há com essa família? Quem diabos faz um manual de meditação assim?"
Leo soltou uma praga, resistindo à vontade de simplesmente rasgar o manual em pedaços.
"Não é à toa que Kaelith acabou sendo tão retorcido quanto é.
Se eu tivesse o Assassino Atemporal como pai, talvez eu também o tivesse matado!!"
Leo descarregou sua fúria, batendo o manual contra a mesa com um estrondo, e colocou-o de volta dentro de seu anel de armazenamento.
"Matar DOIS BILHÕES de pessoas? E isso também sem discrição? Que porra está errada com você?"
Embora não me importasse de matar soldados, inimigos ou pessoas que me fizeram mal… Matar velhas, crianças e civis inocentes não é o meu estilo.
Não tenho interesse em matar bebês e inválidos…."
Leo reclamou, pois, embora a ideia de matar bilhões de pessoas não o repelisse exatamente, fazer isso indiscriminadamente—sem motivo, sem limites ou medidas—de alguma forma parecia fundamentalmente errado.
Ele já sabia que sua intenção de matar era mais fraca do que deveria ser. Moltherak lhe tinha contado isso uma vez, explicando que o karma de uma pessoa moldava a própria textura de sua aura, e que para cultivar uma intenção de morte tão densa quanto a de Moltherak, seria necessário afogar galáxias inteiras em sangue.
Porém, naquela época, Leo tinha descartado aquelas palavras como uma inevitabilidade distante, algo que talvez fosse necessário dele no futuro distante… e não algo que precisaria cumprir antes mesmo de se tornar um mero Rei.
"FODA-SE o ASSASSINO ATEMPORAL, AQUELE FILHO DA PUTA!"
Leo amaldiçoou, toda sua frustração vindo à tona neste momento, pois não conseguia acreditar que, após derrotar um milhão de oponentes consecutivos, ainda assim não atendia aos requisitos para se tornar um Rei.
"Se ao menos aquele velhote estivesse na minha frente agora… Eu ensinaria a ele como esconder uma maçã de verdade!"
Ele maldiz, enquanto passa as mãos pelo cabelo com frustração, segurando os fios com tanta força que suas juntas ficaram brancas, antes de arrastar as mãos pelo rosto com um gemido que ecoou na arena vazia.
Seus ombros se erguiam, cada respiração aguda e desigual, como se o próprio ar zombasse dele por tentar tanto.
As veias no pescoço saltavam, seu pulso pulsava visivelmente sob a pele enquanto ele caminhava de um lado a outro do chão rachado, murmurando maldições baixinho.
"Idiota!"
"Pai Lácteo!"
"Não consegue fazer uma barba decente!"
"Meio-melancia!"
"Velhote!"
"Womanizer!"
Ele dizia, em determinado momento, chutando uma pedra solta com tanta força que ela ricocheteou contra a parede oposta e se desfez em poeira.
*TRUFF*
"Um milhão de vitórias", sussurrou, com a voz tremendo entre fúria e incredulidade. "E ainda assim não é suficiente. Nunca é suficiente." Apertou os punhos até sangrar levemente, travando a mandíbula enquanto se forçava a parar de tremer, encarando sem expressão a escuridão, rindo de amargura de sua própria impotência.
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(Enquanto isso, Dentro da Cidade Skyshard)
A notícia de sua milionésima vitória se espalhou rapidamente pela Cidade Skyshard, com Amanda e Chaosbringer sendo informados do marco apenas alguns minutos após Leo conseguir.
"Senhor, há um relatório urgente… O responsável pela mansão isolada do Lorde Skyshard acabou de nos ligar para informar que o Lorde completou sua missão de conquistar um milhão de vitórias consecutivas!
E que ele finalmente está livre de seu treinamento exaustivo!"
Um assistente informou Chaosbringer, que sorriu de orelha a orelha ao ouvir a notícia.
"Ótima notícia, sem dúvida uma conquista monumental.
O Lorde trabalhou muito duro para alcançar esse marco, e se o conheço bem, ele gostaria de celebrar essa conquista com amigos próximos e familiares…"
Chaosbringer refletiu, enquanto passava a mão pelo queixo pensativamente.
"Prepare um banquete surpresa para o Lorde, informe os Cultos Monarchs, e os familiares do Lorde para estarem presentes.
Acredito que o Lorde vai apreciar uma noite de descanso depois de todo o esforço que vem fazendo…"
Chaosbringer ordenou, e o assistente assentiu com compreensão.
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De modo semelhante, em outra parte da cidade, Amanda também recebeu a notícia da milionésima vitória de Leo.
Por um longo momento, ela ficou parada, as mãos imóveis no ar enquanto a mensagem se repetia pelo comunicador de cristal na palma de sua mão.
"Senhora, o Dragão das Sombras concluiu seu regime de treinamento e finalmente conquistou sua milionésima vitória."
O mensageiro do Culto do outro lado repetiu, enquanto por um tempo as palavras se recusavam a entrar em sua cabeça, seu cérebro relutando em acreditá-las, como se temesse que também fosse uma esperança ilusória que desapareceria se ela respirasse alto demais.
"Ele conseguiu?"
Ela repetiu, duvidosa, antes de soltar uma risada forte, pois emoções há muito reprimidas começaram a emergir.
"Ele… Ele conseguiu!"
Ela sussurrou suavemente, a voz tremendo com uma mistura de alegria e exaustão, enquanto os joelhos balançavam antes que ela percebesse, desabando no sofá.
"Claro que conseguiu! Ele é meu marido!"
Disse com orgulho, uma lágrima cortando o rosto.
Não era um soluço de tristeza, mas de alívio avassalador—um peso de anos de preocupação, espera e de fingir que era mais forte do que realmente era.
Um sorriso trêmulo se formou no rosto dela, enquanto pressionava as costas da mão nos lábios. "Finalmente… acabou," ela murmurou, a voz se quebrando ao cair outra lágrima. "Você pode finalmente descansar, Leo… você pode finalmente voltar para casa."
Ela inclinou a cabeça levemente para cima, olhando através da parede de vidro da Mansão Skyshard, onde era possível ver o jardim dos fundos.
Sua reflexão apareceu brilhando fracamente na janela—cansada, molhada de lágrimas, mas sorridente, pois, pela primeira vez em anos, o silêncio ao redor dela não parecia sufocante. Parecia leve. Esperançoso.
"Obrigada, Senhor…."
Ela sussurrou, enquanto passava os dedos sobre o pequeno quadro que Leo tinha feito para ela há anos, sua moldura limpa de poeira e lisa, acariciando-o com amor.
"Eu te disse que você ia conseguir," ela disse suavemente, rindo entre as lágrimas. " Agora, por favor… nada de brigas. Apenas volte para casa… Seus filhos e sua esposa estão esperando por você."