Assassino Atemporal

Capítulo 801

Assassino Atemporal

(Mundo Parado, Arena de Treinamento Isolada, Ponto de Vista de Leo)

*Thud*

Leo caiu de joelhos, as correntes escavando sua pele enquanto suas mãos tremulas friccionavam fracamente o chão.

Por um instante, sua mente não conseguiu compreender o que tinha acabado de acontecer….

A luta havia terminado. Casio jazia inconsciente atrás dele, enquanto a voz do árbitro já tinha sumido no silêncio.

'Um milhão de vitórias…'

'Porra, um milhão!!!!'

As palavras ecoavam fracas na sua cabeça, mas pareciam irreais—vazias, distantes, como um sonho do qual ele estava demasiado exausto para acreditar.

Sua respiração vinha em tosses ofegantes enquanto ele se inclinava para frente, pressionando a testa contra o chão frio, a venda ainda grudada na pele ensopada de suor.

Então, como se algo dentro dele finalmente cedeu, ele começou a rir.

Começou baixinho—uma risada fraca, incrédula, que logo virou um som mais alto e profundo, até preencher toda a câmara, reverberando nas paredes de metal. Sua voz se quebrou no meio da risada, transformando-se em algo que era meia risada, meia choro, misto de alegria e tristeza, triunfo e arrependimento.

"Hah… hahahahaha…!"

Ele inclinou a cabeça para cima, ainda rindo através das lágrimas que agora escorriam pelo rosto. Seus ombros tremiam violentamente, as correntes tilintando enquanto ele puxava contra elas com força bruta, sem restrições, até que—

*CLANK!*

As amarras se quebraram, fragmentos espalhando-se como vidro quebrado pelo chão da arena.

Ele caiu para frente, finalmente livre nos punhos, com a respiração descompassada. Mas, pela primeira vez em anos, ele não se sentia cansado.

Sentia-se livre.

"Vinte e cinco anos…" ele sussurrou, sua voz quase inaudível. "Vinte e cinco anos por esse momento…"

Sua aura de repente se intensificou, o ar ao redor dele tremeu enquanto uma explosão de energia caótica surgia de dentro.

Ela cintilava sem controle, mudando do azul para o vermelho, depois de volta para o azul, cada tom brilhando mais intenso do que o anterior até que toda a câmara parecia pulsar com luz.

Ele sentia—a torrente de energia atravessando seus circuitos, tentando encontrar equilíbrio, enquanto, com as amarras nas mãos removidas, seu corpo canalizava mana mais uma vez.

"Porra, nunca mais vou lutar sem uma adaga na mão…"

Decidiu, enquanto suas emoções, há muito enterradas sob disciplina e silêncio, finalmente emergiam, inundando-o de uma só vez.

Raiva. Orgulho. Tristeza. Alegria.

Cada emoção se misturava à seguinte, girando dentro dele como vidro derretido, enquanto sua aura subia ainda mais, envolvendo-o como uma tempestade.

"Consegui…" ele disse, meio rindo, meio chorando. "De verdade, consegui…"

Ele pensou na família—o sorriso gentil de Amanda, as risadas ingênuas de Caleb, a promessa que fez de voltar logo, e sentiu que agora poderia cumprir.

Que não falharia em manter sua palavra.

Pensou nas noites sem dormir, nas derrotas que o esmagaram, nos recomeços intermináveis que quase quebraram sua sanidade.

E, ainda assim, continuou indo em frente.

Cada cicatriz, cada noite sem dormir, cada dor — tudo isso o levou até aqui, e agora, ele sentia que finalmente estava livre.

"ÁRBITRO!"

Ele exigiu, enquanto o fiscal da luta corria para dentro da arena, ajoelhando-se perante ele em reverência.

"Suma daqui com a criança e consigo mesmo, e recompense o rapaz com um milhão de MP.

Ele é um grande lutador. Futuro promissor.

Diga a ele que o Senhor o elogiou quando despertar."

Leo instruiu, enquanto o árbitro assentia e carregava Casio inconsciente nos ombros dele.

Por um tempo, Leo controlou sua respiração tentando acalmar suas emoções. Contudo, sua alegria por esse momento parecia grande demais para ser contida, pois, por mais que se esforçasse, o sorriso idiota teimava em não sair do rosto.

"Bem… acho que não dá pra evitar."

Disse ao se levantar, removendo as amarras nas pernas e a venda, antes de procurar no seu anel de armazenamento o Manual de Supressão do Imperador.

"Hoje é um dia feliz, espero que o manual não atrapalhe a diversão com jargões ilegíveis."

Rezou Leo, ao abrir o livro, apenas para ver as páginas instantaneamente iluminadas por texto roxo.

[Parabéns por completar a segunda etapa do Manual de Supressão do Imperador.

Você é oficialmente o mais jovem da história a alcançar esse nível.]

O manual elogiou, enquanto Leo levantava uma sobrancelha surpresa com as palavras gentis do livro.

Não era comum o manual oferecer palavras simples de elogio, porém Leo decidiu que era só um dia de sorte.

[No entanto, embora sua conquista seja extraordinária, sua jornada ainda não terminou.

Você derrotou um milhão de inimigos sem experimentar derrota e compreendeu o verdadeiro significado de ser um Imperador em batalha.

Aprendeu que a vitória, para um Imperador, não é uma questão de acaso, mas de certeza—uma inevitabilidade nascida de uma vontade absoluta.

Entendeu que a vontade de um Imperador é lei, e sua lâmina, a execução dessa lei.

Mas o que você ainda não consegue comandar… é o medo que um Imperador deve inspirar.]

As linhas brilharam mais intensamente, nítidas e firmes.

[Não importa o número de inimigos, a força deles ou seu estado, sua derrota por alguém inferior ao seu nível agora é impossível.

Você nunca mais será envergonhado por derrotas para um júnior.

No entanto, sua intenção homicida ainda não é forte o suficiente para extinguir a vida de milhões apenas com sua vontade.]

Leo continuou lendo, seu sorriso lentamente desaparecendo enquanto o manual passava das palavras de elogio irregulares para seu conteúdo habitual de sabedoria complexa.

[Infelizmente, apesar da sua sequência imbatível e da aura poderosa que agora domina, sua essência permanece insuficiente.

Seus triunfos forjaram controle, mas não medo. Poder, mas não terror.

Você conquistou mortais, mas não a mortalidade em si, e assim seu caminho para se tornar um verdadeiro Imperador ainda está incompleto!]

O livro pulsou mais uma vez, e uma última linha apareceu, arrojando uma luz vermelho sangue contra a página.

[Requisito Final para Ascensão:

Açougue indiscriminadamente duas bilhões de almas humanas para temperar sua intenção homicida e ascender além da hesitação.

Somente através do batismo de morte em massa você poderá fortalecer sua intenção de matar ao ponto de merecer o título de Imperador.]

O manual instruiu, enquanto Leo congelava, as palavras mergulhando em sua consciência como veneno.

"…Tá de brincadeira comigo."

Murmurou, incapaz de acreditar que, apesar de tudo, ainda precisasse fazer mais para avançar ao Nível de Monarca.

Comentários