Assassino Atemporal

Capítulo 808

Assassino Atemporal

(Caminho do Vale Isolado, Ponto de Vista de Leo)

Enquanto os convidados ainda estavam por perto, Amanda não questionava Leo publicamente, pois, apesar de sua própria inquietação, ela não queria colocar seu marido em saia justa na frente de estranhos.

No entanto, no momento em que a última lanterna foi apagada e os passos finais dos subordinados de Leo desapareceram na noite, a mão de Amanda escorregou do lado dele… e o calor suave que ela tinha demonstrado a noite toda desapareceu junto com ela.

Ela se virou lentamente em sua direção, os olhos se aguçando de uma raiva silenciosa que fez a espinha de Leo ficar ereta por instinto, como se ele estivesse diante de uma calamidade muito maior do que qualquer adversário que já tivesse enfrentado.

"Leo, você está tão confiante assim de que enviá-los para Ixtal é seguro…?"

A voz dela era calma. Excessivamente calma. O tipo de calma que fazia o coração de Leo bater forte nos ouvidos, porque aquela não era a voz de uma esposa fazendo uma pergunta.

Era, na verdade, a voz de uma mãe protegendo seus filhotes.

"Amanda…" ele começou, a voz suave enquanto tentava aplacar a raiva dela, mas parecia ser uma reação contra produtiva, pois ela já o encarava como se tivesse pego-o cometendo um pecado grave.

"Na essência, deveria estar seguro o suficiente", respondeu, escolhendo suas palavras lentamente enquanto a garganta dele se apertava. "Afinal, Soron está protegendo Ixtal, ele mesmo. Mas não posso fingir que seja tão seguro quanto o Mundo Parado. Isso é verdade."

Ele admitiu, enquanto Amanda bufava com desdém.

*BUFADA*

A descrença dela era alta, sua expressão se contorcendo como se ela não reconhecesse mais o homem diante dela.

"Querido, escute…"

Leo disse, estendendo a mão para tentar diminuir a distância entre eles, mas Amanda empurrou a mão dele para longe, encarando-o com uma raiva feroz em protesto.

"Não me toque."

Ela avisou, o olhar cortando mais profundamente do que qualquer lâmina.

"Esse novo você… É como se eu não te reconhecesse mais…."

Começou, a voz tremendo de uma mistura de sofrimento e raiva contida, enquanto medindo-o de cima a baixo com decepção.

"Porque o Leo que eu conhecia… o Leo que eu amava…

Ele se importava mais com sua família do que qualquer coisa no universo. E faria tudo ao seu alcance para mantê-los seguros."

Os lábios dela tremeram.

"Ele talvez não fosse tão forte quanto você é agora. Mas certamente tinha mais coragem."

Ela repreendeu, enquanto Leo abaixava a cabeça envergonhado.

A cada palavra que ela dizia, Leo sentia um soco no estômago, porque nada disso era exagerado. Nada era injusto.

"Você sabe… nos últimos dias, minha mãe só queria passar tempo com você e o Luke. Mas você não estava lá."

Ela continuou, a voz quebrando, enquanto Leo fechava os olhos.

"Mesmo com o meu pai. Ele tinha tanto orgulho de você—tão, tão orgulhoso—mas, na hora mais importante, você desapareceu."

Ela lembrou, enquanto o peito dele se apertava de dor.

"E mesmo assim… Leo, mesmo assim, eu não disse nada."

A respiração dela vacilou.

"Quando Caleb e Mairon choravam como bebês, e eu não tinha ninguém além das empregadas por perto… mesmo então, eu não disse nada."

As mãos dela se cerraram em punhos.

"Abandonei minha carreira como uma das melhores ferreiros do Culto. Cinco anos, Leo. Não toco numa forja há cinco anos. Porque criar filhos é uma dedicação em tempo integral… e mesmo assim, eu não falei nada."

Leo mordeu delicadamente o lábio inferior, incapaz de se defender.

"E até hoje—" ela falou, a voz enfraquecendo de exaustão, "Até hoje, estou deixando passar a sua decisão… E aceitando seu julgamento como uma idiota, só porque quero acreditar que você está fazendo isso para passar mais tempo com seus filhos mais tarde… e não porque você está nos afastando mais uma vez."

Ela disse, com o olhar endurecido.

"Mas me ouça bem, Leo. Isso foi a gota d’água."

Ela deu um passo à frente, os olhos queimando no dele.

"Se meus filhos se machucarem em Ixtal… ou se você não se cuidar após salvar Veyr… então eu não serei mais a Amanda gentil que está aqui hoje. Isso, eu prometo."

Ela alertou, enquanto Leo abaixava a cabeça tão fundo que seus cabelos escorriam sobre os olhos, ocultando a vergonha estampada em seu rosto.

"Entendo…" ele sussurrou, as palavras baixas e carregadas de vergonha.

"Não se preocupe, meu amor. Prometo que serei melhor depois disso."

Ele falou, mas mesmo enquanto a promessa escapava de seus lábios, uma verdade fria e inquietante permanecia no canto de sua mente, fazendo-o duvidar da sinceridade de suas próprias palavras.

'Será que realmente serei melhor? Ou algo novo ocupará minha mente?'

Ele se perguntou, engolindo um gole de saliva enquanto observava Amanda partir furiosa.


(Enquanto isso, Dentro do Distrito da Forja, Ponto de Vista do Mestre Supremo Argo)

*Sussurro*

*Fechado*

O som dos vents hidráulicos ecoou pelo ambiente escuro e metálico enquanto Argo fechava com estresse a última caixa de ferramentas, cada peça dentro polida a um brilho de espelho e organizada com precisão militar.

O velho mestre de ferreiros endireitou a postura, o peso dos anos repousando sobre seus ombros, embora seus olhos ainda ardentes refletissem uma chama forte e inabalável.

"É isso aí, galera."

Sua voz cortou o silêncio do ateliê, baixa e firme, enquanto seis de seus melhores aprendizes e ferreiros seniores ficavam diante dele, uniformes impecáveis e expressão séria.

"O maior projeto em que vocês já vão participar."

Ele ergueu um martelo compacto, gravado com runas, do table e deixou a familiar sensação de peso em sua mão antes de colocá-lo cuidadosamente na caixa de transporte.

"Desta vez, não estamos forjando uma lâmina para um general, um Velho ou mesmo um Dragão."

Olhou para cada um deles nos olhos.

"Desta vez, estamos forjando uma lâmina para o próprio Senhor. Para o Mestre da Seita, o Deus Soron."

Um silêncio pesado atravessou o grupo, suas costas se erguendo como se o próprio ar tivesse mudado ao redor deles.

"Desta vez," continuou Argo, com tom sério, "trabalhamos pelo futuro do Culto. Então, não espere descanso, desculpas ou erros. Cada golpe do seu martelo irá moldar a história. Cada faísca será lembrada."

Ele segurou o cabo da caixa de armazenamento, pendurou no ombro e assentiu uma vez.

"Este é o momento que vocês sonharam desde o dia em que pegaram um martelo pela primeira vez, então não desperdicem."

Uma resposta unificada, resoluta, veio em sua direção.

"Sim, Mestre Supremo!"

Com isso, as portas da forja se abriram, revelando a aeronave a hélice que aguardava lá fora, seus turbinas zumbindo suavemente na fria noite.

Os sete embarcaram rapidamente, a nave levantando voo em um arco suave enquanto os levava rumo ao hangar distante.

Em poucas horas, eles pisariam em Ixtal—o planeta sagrado, o berço das lendas.

Nesse local, começariam o projeto de suas vidas.

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