
Capítulo 807
Assassino Atemporal
(Os Terrenos do Banquete Surpresa, ponto de vista de Leo)
Conforme a noite lentamente se transformava em madrugada e todos os convidados terminavam suas refeições, foi Luke e Alia quem deram o primeiro passo no espaço limpo entre as tendas iluminadas por lanternas, suas mãos entrelaçadas enquanto se balançavam suavemente ao ritmo da melodia suave tocada pelos harpistas perto do pavilhão central.
O restante do banquete observava-os, alguns sorrindo enquanto seguravam suas taças de vinho, outros batendo levemente palmas em sinal de incentivo, mas ninguém mais se sentiu ousado o bastante para joinha-los.
Isso fazia a cena parecer estranhamente íntima, como se a pista de dança pertencesse somente à família.
moments depois, Amanda virou-se para Leo com uma leve cor a ser disfarçada pelas bochechas, sua excitação quase inaudível enquanto estendia a mão.
"Vamos?"
Ela perguntou, enquanto Leo aceitou o gesto silenciosamente, seus dedos fechando-se ao redor dos dela com uma suavidade que contrastava com o dilema que fervia no coração dele.
*Passo*
*Passo*
Eles entraram na pista de dança contra Luke e Alia, movendo-se ao ritmo da música lenta e suave que pairava entre as tendas como uma brisa calmante.
Naquele momento, o mundo ao redor deles parecia escurecer, deixando apenas o brilho das orbs de mana acima e o calor do olhar um do outro entre eles.
"Hmm–"
Amanda suspirou feliz ao se aproximar, a mão repousando ligeiramente no ombro de Leo, seus olhos brilhando com uma ternura que tinha ficado intacta por anos demais.
Para ela, apenas conseguir segurar Leo novamente parecia encher o peito de luz, como se uma parte de sua alma estivesse esperando sem parar por aquele momento.
"Eu senti saudade disso, Leo," ela sussurrou suavemente, com um sorriso mais amplo. "Senti sua falta."
A alegria dela era pura, sem filtros, quase juvenil, como se finalmente pudesse respirar depois de anos de preocupação silenciosa e saudade.
No entanto, ao devolver-lhe o olhar, Leo não pôde deixar de se sentir culpado pelo que estava prestes a acontecer a seguir.
'Como eu começo a explicar meu plano para você?'
Ele se perguntou, enquanto sua mão repousava na cintura dela, seus pés coordenados de modo firme enquanto circulavam pela pista de dança em perfeita harmonia.
'Como explicar que você e as crianças devem deixar o Mundo Parado…
E viver em Ixtal sob a proteção de Soron enquanto eu saio para fazer algo monstruoso…?'
Ele inalou suavemente, guiando-a em mais uma volta com calma perfeita.
Embora parecesse que Amanda estivesse aproveitando ao máximo, com sua aura se tornando de um rosa profundo, ele próprio não sentia borboletas nem nada semelhante mexer dentro dele.
Não é que ele não a amasse.
Porque amava.
Mas era justamente a preocupação com o futuro que ofuscava cada sentimento terno que tentava guardar no momento presente.
"Eu te amo—"
Amanda disse de forma meiga neste momento, encostando a bochecha no peito de Leo, seu sorriso suave, o coração cheio, enquanto começava a imaginar os dias tranquilos que viriam.
As manhãs compartilhadas, risadas e tempo em família.
Enquanto Leo, ainda a segurando delicadamente, pensava em quanto tempo esse momento frágil de paz duraria antes de ser desfeito pela verdade.
—----
Logo passou uma hora, e, à medida que a música suave se calava e as lanternas se apagavam, finalmente chegou a hora de encerrar o banquete.
Um a um, os convidados se aproximaram de Leo para se despedir.
"Melhor a gente ir, meu senhor. Temos esse treinamento matinal para relatar…"
O comandante Anderson Silva disse, enquanto Mickey James assentia com a cabeça ao lado dele.
Leo os dispensou com um aceno tranquilo, permitindo que se retirassem na noite junto com o restante dos participantes.
Quando sobraram só algumas figuras, Leo levantou discretamente a mão.
"Chaosbringer. Dumpy. Su Pei. Fiquem por um momento."
Os três pararam imediatamente, suas costas se endireitando ao instinto de obedecer.
Amanda, que havia pegado seu xale e se preparava para partir, hesitou só porque percebeu o olhar suave de Leo se fixando nela.
Ele não lhe deu comando, nem precisava.
No momento em que seus olhos se encontraram, ela entendeu que a conversa próxima também a envolveria, e voltou a ficar ao lado dele sem hesitar.
Os outros três se aproximaram com evidente tensão, cada um sentindo o peso na voz dele.
Só quando os últimos convidados sumiram e o vale voltou ao silêncio é que Leo finalmente falou, com expressão composta, séria e carregada de peso.
"Tenho algo a discutir com todos vocês."
Ele disse baixinho, olhando de um para outro antes de finalmente fixar o olhar em Amanda.
"Como vocês sabem, a execução de Veyr está marcada para ocorrer em quarenta e cinco dias no mundo exterior.
Dentro do Mundo Parado, isso equivale a quarenta e cinco centenas de dias.
E, segundo meus cálculos, devemos reportar a Ixtal com as forças completas do Culto pelo menos quinze dias antes da execução.
O que significa que temos aproximadamente três mil dias para nos prepararmos para a guerra."
Ele começou, enquanto todos ficavam em silêncio profundo e atento.
"Três mil dias podem parecer pouco ou muito, dependendo da pessoa…
Mas, no caso das crianças e de sua infância, é um tempo muito longo.
Um tempo que não posso me dar o luxo de perder."
Leo admitiu em voz baixa, seus olhos se dirigindo a Amanda, que levantou uma sobrancelha com suspeita.
"E já que prometi à minha esposa que passaria mais tempo com as crianças…
Decidi enviá-la ela e os pequenos para Ixtal pelo próximo mês.
Quero que elas retornem ao universo mais amplo, onde o tempo passa normalmente, para que eu não perca toda a infância delas enquanto permaneço aqui, preparando-me para salvar Veyr."
Sua voz ficou mais suave, embora a tensão ainda permanecesse nela.
"Mas não posso enviá-los sem proteção.
Por isso, quero que vocês dois vão como seus guardiões."
Leo falou, voltando-se para Dumpy e Su Pei, que se ajoelharam quase imediatamente em sinal de respeito sério.
"Fiquem tranquilos, Senhor Pai. Morro antes de deixar seus filhos serem feridos."
Dumpy jurou, com tom firme e inabalável, enquanto Leo assentia em aprovação.
Porém, ao se virar de volta para Amanda, ela foi recebida por uma expressão fechada e inconfundível, uma carranca clara no rosto dela.
Ela mostrou, só com a expressão, que não estava totalmente de acordo com esse plano.