Assassino Atemporal

Capítulo 806

Assassino Atemporal

(O Jardim de Banquetes Surpresa, ponto de vista de Leo)

Leo saiu de trás das árvores escuras que alinhavam o caminho que ligava sua mansão isolada ao vale, seus sapatos fazendo um som suave ao pisar na pedras, enquanto seguia o brilho tênue de orbs de mana que flutuavam em direção ao acampamento como vaga-lumes guiadores.

Uma brisa leve acariciou seu rosto, levando consigo murmúrios distantes, risos suaves, aromas acolhedores de vinho e especiarias assadas, além do som inconfundível de instrumentos de mana tocando uma melodia festiva.

Foi só um instante para perceber do que se tratava.

Fileiras de barracas.

Decorações.

Lanternas flutuando no ar como luas de prata.

E dezenas de rostos familiares aguardando por ele.

Seus passos pararam por meio segundo, uma surpresa visível em seu rosto antes que o instinto a escondesse sob um sorriso calmo e impenetrável.

Sua expressão suavizou, tornando-se algo caloroso, afetuoso, ensaiado, o tipo de máscara gentil que ele não usava há anos.

"Um banquete surpresa…?" ele sussurrou, deixando o choque se dissipar na noite enquanto retomava sua caminhada com passos lentos e firmes.

Ao entrarem na maior tenda, seguindo o tapete vermelho, as conversas dentro pararam por um instante antes de explodir em aplausos.

"Parabéns, meu Senhor!"

"Seja bem-vindo de volta, tio!"

"Mil vitórias consecutivas! Simplesmente maravilhoso."

Leo respondeu aos cumprimentos com um sorriso que parecia sincero o suficiente para enganar a maioria das pessoas no recinto, mas Chaosbringer, que se encontrava perto da mesa de sobremesas, ficou tenso imediatamente, percebendo a nota falsa por trás da fachada.

Amanda chegou primeiro, seus olhos brilhando com calor enquanto avançava, e sem hesitar, ele se inclinou, beijando suavemente sua testa, a mão passando brevemente pelo rosto dela, como se precisasse confirmar que ela era real.

Ela sorriu, radiante e aliviada, a exaustão de anos sumindo ao ver seu rosto.

"Você está absolutamente lindo, querida."

Ele elogiou antes de se virar para Luke, que se aproximou com a empolgação de um irmão mais velho que esperou demais por aquele momento.

"Olha só pra você! Mil vitórias? Não é nada mal, hein."

Luke dizia, rindo de leve enquanto colocava a mão no ombro de Leo, apertando-o com força como uma mostra de carinho.

*Apertar*

Infelizmente para ele, seus dedos não afundaram nos músculos de Leo.

Nem se moveram.

Parecia que estavam apertando uma pedra polida, na verdade.

"Que raios…?" Luke murmurou, com os olhos arregalados de humor e descrença. "Você parece uma estátua humana. Não tem nada pra apertar aqui."

Leo riu suavemente, colocando a mão no ombro de Luke com uma gentileza que contrastava fortemente com a dureza implacável de seu corpo.

"Já faz um tempo, irmão," ele disse baixinho. "Espero que esteja bem."

Luke sorriu, sua expressão suavizando ao sentir o calor familiar nas palavras de Leo.

Ao fundo, os outros comemoravam, levantando taças em celebração, embora o olhar de Leo tivesse brevemente se dirigido a Chaosbringer, que o observava com um sorriso excessivamente brilhante, um pouco longe demais, com uma esperança visivelmente tensa.

O olhar de Leo se estreitou ligeiramente.

Um olhar de cautela.

O suficiente para avisar.

O suficiente para lembrar.

Quando Chaosbringer se endireitou de imediato, seu sorriso virou uma cortesia quase dolorosa enquanto Leo voltava-se para seguir com a festa.

E assim, de verdade, o banquete começou.


Um por um, os convidados se aproximaram dele para oferecer pequenos presentes, seus rostos cheios de admiração, pedindo desculpas por não terem trazido algo melhor, alegando o pouco tempo de aviso para o evento.

"Desculpe, meu Lorde, foi tudo o que consegui preparar…"

"Não tivemos muito tempo, por favor, nos perdoe…"

"Gostaria de ter trazido algo mais apropriado…"

Leo aceitava cada oferenda com a mesma graça tranquila, seu sorriso educado nunca desaparecendo, como se a gratidão que sentiam o aquecesse mais que qualquer presente que pudessem carregar na mão.

Um símbolo de cristal esculpido.

Uma pequena garrafa de Whiskeys de Essência.

Um amuleto de sorte dobrado, feito à mão.

Uma nota escrita pelo jovem soldado cujo pai Leo havia salvado uma vez.

Pequenos símbolos, ofertas humildes, todas apresentadas com um nervoso gesto de reverência.

Leo agradecia a todos com paciência, oferecendo palavras suaves em troca, ouvindo cada um falar seus votos de sorte, antes de perguntar sobre suas famílias, saúde, treinamentos, respondendo com a suavidade de um líder que quis transmitir que o Dragão Sombrio diante deles ainda era humano.

Para quem observava, ele parecia relaxado, quase alegre, postura aberta e calma enquanto conversava com subordinados e familiares, cada gesto, cada sorriso, perfeitamente medido, perfeitamente composto, perfeitamente normal.

Porém, sob tudo isso, por trás da expressão gentil e do riso fácil, seus pensamentos fervilhavam como uma tempestade que não podia dispersar.

Seu futuro.

Sua linha do tempo.

Sua missão impossível.

A segurança de sua família.

Sua ascensão ou sua ruína iminente.

Todas as ameaças espalhadas na sombra de sua mente como um fantasma que não se dispersa, mas ele as enterrou totalmente, oferecendo aos que estavam ao seu redor apenas a versão mais brilhante de si mesmo que conseguiu mostrar.

"O que houve, Senhor Pai? Por que está tão tenso?"

O Senhor Pai que conheço beberia um barril de vinho se estivesse realmente feliz.

Mas o fato de só ter tomado alguns copos me diz que essa celebração não está em seu foco."

Dumpy falou suavemente, sendo o único entre os presentes a perceber as nuvens de medo nos olhos de Leo.

"Não é nada importante, Dumpy. Te conto amanhã."

Por ora, meus problemas são sem conta, e a única hora em que poderei realmente comemorar será quando reconquistarmos tudo o que perdemos.

Até lá, tente ser feliz.

Pois momentos assim valem a pena viver."

respondeu Leo, enquanto Dumpy assentia com compreensão, trocando seu barril de bebida por água simples.

Quanto a ele, se seu Senhor Pai não estava celebrando, também não celebraria."

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