Assassino Atemporal

Capítulo 783

Assassino Atemporal

(Manor isolada de Leo, ponto de vista de Amanda)

Desde que ficaram separados por tanto tempo, a reunião deles começou com uma onda de saudade, enquanto ambos se entregavam a um abraço ardente que os deixou sem fôlego, com os lábios se encontrando repetidamente até que as ideias se dissolvessem, enquanto seus corpos se fundiam como se o longo afastamento tivesse apenas condensado sua paixão em algo mais profundo, mais intenso e bem mais absorvente do que antes.

O suave aroma de suor e do aço das vestes de treino de Leo misturava-se ao perfume doce que permanecia nos cabelos de Amanda, enquanto o calor que compartilhavam preencheu o silêncio do aposento de uma forma que nenhuma palavra jamais conseguiria.

Só depois de reafirmarem o amor um pelo outro, quando o tremor daquele primeiro contato começou a se suavizar em uma calma constante, é que passaram a tratar de assuntos mais importantes.

Como Amanda foi a primeira a falar, sua respiração ainda irregular, mas o tom de voz suave e composto, ela disse: "Tem algo que preciso te contar. É sobre o Mestre Supremo Argo."

A expressão de Leo mudou imediatamente, seu calor dando lugar a uma atenção silenciosa enquanto sua postura ficava ereta.

"A saúde dele continua piorando", continuou Amanda suavemente, sua voz carregando aquela tênue tonalidade de tristeza que não podia ser mascarada, nem mesmo pela disciplina.

"Os curandeiros dizem que seus pulmões estão falhando mais rápido do que conseguem reparar."

"Anos inalando fumaça industrial e cinzas cobraram seu preço, e ele foi aconselhado a evitar esforços físicos intensos…."

"Por causa disso, ele abandonou completamente a marcenaria ativa e agora apenas supervisiona, sem tocar na forja de jeito nenhum."

Amanda informou, enquanto o olhar de Leo se abaixava levemente, a luz nos olhos dele escurecendo de pensamento, e ele assentia lentamente, um suspiro silencioso escapando de seus lábios.

*Suspiro*

"Entendo", murmurou finalmente.

"Então o maior forjador do Cult finalmente colocou a marreta de lado após 400 anos."

Os lábios de Amanda formaram um sorriso melancólico e discreto. "Parece estranho, não é?

O único Mestre Supremo do Cult e o maior Ferreiro do universo finalmente se aposenta por causa da idade."

Mas essa é a crueldade do tempo.

Primeiro perdemos Elena e Jacob, e agora estamos vendo outra lenda declinar…."

Ela disse, a voz embargada, os olhos marejando levemente.

"Pois é, acho que a aposentadoria cai bem para ele... Ninguém deu tanto ao Cult quanto ele. Então, se na velhice ele puder descansar um pouco, acho que é o melhor.

É uma pena que ele não tenha um sucessor à altura. Mas ainda tem alguns décadas de vida pela frente.

Talvez ele possa treinar alguém antes de partir…"

Leo esperou, e Amanda assentiu silenciosamente, os dedos traçando padrões despretensiosos no braço do trono enquanto deixavam a conversa escorrer para longe da tristeza.

"Desculpe falar de coisa tão sombria toda vez que venho te ver uma vez por mês... Mas chega de lamentações…."

Ela disse, com um tom mais leve, um brilho tênue de calor retornando aos olhos.

"Vamos falar de algo mais feliz.

Os meninos estão crescendo tão rápido, vocês nem acreditariam.

Caleb começou a estudar a história do Cult na academia, e o professor dele falou que já está na frente da turma."

Leo levantou o olhar, com um vislumbre divertido no rosto. "Isso não me surpreende", disse com orgulho discreto.

Amanda riu, inclinando-se para frente enquanto os olhos se suavizavam. "Ele corrigiu a instrutora na semana passada, durante uma aula. Ela tinha errado a sequência dosDragões e pulado o Dragão Kevin antes do Dragão Noah, e Caleb se levantou na frente de toda a turma para dizer que ela estava errada. Quando ela perguntou quem tinha ensinado isso a ele, ele respondeu: 'Minha mãe.'"'

Pela primeira vez em dias, Leo riu, o som baixo e sincero. "Ele fez isso?" ele perguntou, com um tom gentil, carregado de orgulho. "Aquele menino…"

Amanda sorriu radiante com a reação dele, a felicidade na voz dela evidente enquanto continuava. "E o Mairon—ele vai fazer três anos em poucos dias. Você deveria ter visto o que ele fez semana passada. Ele entrou escondido no jardim de flores da escola primária e começou a misturar pétalas que achava cheirosas na pia."

"Quando o pegaram, ele disse que estava fazendo um perfume para mim, porque o dele tinha acabado."

Leo soltou uma risada suave, parecendo esquecer a fadiga por um momento. "O pequeno é fofo. Ele te protegerá para sempre", disse com um sorriso sutil.

"Quem sabe?" respondeu Amanda, sua risada quieta enquanto ela pegava do bolso da roupa duas fotos pequenas. "Olhe", ela disse suavemente, entregando-as a ele. "Caleb e Mairon. Tiradas durante o festival de outono deste ano."

Leo as aceitou cuidadosamente, o polegar passando pela superfície brilhante enquanto observava os rostos infantis congelados na risada, tão inocentes e vivos que quase doíam de olhar.

Amanda acompanhou a admiração dele, o olhar cheio de ternura silenciosa. Ela perguntou: "Quando vai visitá-los, Leo? Sentem muita sua falta. Caleb ainda pergunta de você toda noite antes de dormir."

O sorriso de Leo desapareceu lentamente, o olhar fixo nas fotos enquanto o silêncio ficava insistente entre eles. Quando finalmente falou, a voz saiu baixa, pesada pelo cansaço de batalhas que não se lutam com lâminas, mas no interior do próprio coração.

"Não é que eu não queira vê-los, Amanda", disse ele. "Mas neste exato momento, não posso perder o foco. Descobri a razão da minha instabilidade emocional, e sei que a mesma raiva que me impulsiona é também a que torna meu aura instável. Ainda não consigo separar as duas coisas. Se perder minha raiva, perco minha vantagem. Se perder minha vantagem, perco meu foco. E, se eu perder meu foco, perco a vontade de treinar assim, quando coisas mais fáceis e felizes me aguardam fora dessas paredes."

Amanda ficou com a expressão suavizada, a mão dela apertando levemente seu colo.

Ele suspirou, baixando um pouco a cabeça. "Se eu me permitir descansar uma única vez, vou começar a gostar disso. E, quando eu começar a gostar, nunca mais conseguirei puxar esse ritmo. Começarei a questionar tudo. Passarei a temer a dor com a qual já fiz as pazes."

Suas palavras ficaram pesadas no ar, carregadas de convicção silenciosa, mas sombreadas pelo sentimento de impotência.

Depois, com uma voz mais suave, acrescentou: "Confie em mim, amor, quando eu salvar Veyr… vou desacelerar. Vou guardar as lâminas e virar mentor do Caleb e do Mairon.

Estar presente na infância deles, moldar sua base como guerreiros.

Mas, até lá, preciso disso. Preciso desse desequilíbrio. Porque, apesar de imperfeito, é a única coisa que me mantém firme."

Amanda olhou para baixo, as pálpebras tremendo levemente enquanto assentia, compreendendo, a lágrima reluzindo suavemente nos olhos, não destruindo, mas suavizando sua compostura. "Está bem, eu entendo", ela sussurrou, com a voz tranquila, firme.

E, por um momento, o silêncio voltou ao cômodo — não pesado, nem vazio, mas cheio de algo mais profundo, enquanto dois corações que se conheciam demais compartilhavam a mesma dor sob o brilho das luzes tênues do teto.

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