Assassino Atemporal

Capítulo 782

Assassino Atemporal

Por alguns minutos após Raymond compartilhar com ele os segredos sobre as leis que regem o universo, Veyr permaneceu ali, pasmo com todo o conhecimento, sua mente ainda lutando para assimilar a profundidade do que acabara de ouvir.

As ideias giravam em sua cabeça como ondulações em águas calmas, cada uma se expandindo em algo maior, mais estranho e mais incompreensível quanto mais ele refletia sobre elas.

Parecia que o próprio mundo ao seu redor se ampliava, as paredes de sua compreensão sendo empurradas para trás pela imensidade do que Raymond tinha revelado.

Pela primeira vez, ele percebeu que talvez força não fosse o único caminho para o poder, e que talvez o conhecimento em si fosse uma arma muito mais afiada, que cortava silenciosamente através do tecido da crença.

*Suspiro*

Ele exalou lentamente, seus lábios se curvando levemente em uma admiração relutante enquanto se voltava para olhar Raymond, que agora permanecia calmo e sereno, como se a verdade que acabara de compartilhar fosse apenas um pensamento casual.

'Ele realmente sabe mais do que revela,' pensou Veyr, seu respeito pelo semi-deus se aprofundando. 'Se todas as lições dele são assim, então talvez valha a pena continuar lhe dando esses ensinamentos.'

Ele resolveu, então, continuar essa troca, ouvindo e aprendendo o máximo que pudesse, enquanto a fortuna permitisse.

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(Enquanto isso, Leo, no campo de treinamento de residência isolada)

Nos três dias em que Veyr passou ensinando Raymond a técnica de [Aprimorar], quase um ano inteiro se passou para Leo dentro do Mundo Congelado no Tempo.

Nesse período, sua sequência de vitórias ininterruptas subiu de setecentos setenta e cinco mil para impressionantes novecentos cinquenta mil, deixando-o a apenas cinquenta mil batalhas de atingir sua meta final de um milhão de vitórias consecutivas.

*SOM*

*SOM*

Leo se desviou da primeira investida antes de saltar por cima da segunda, seus movimentos tão precisos que pareciam quase irreais para alguém com pulsos e tornozelos amarrados.

Cada evasiva era calculada até a menor fração de segundo, cada mudança de peso equilibrada perfeitamente com o impulso dos ataques do adversário.

"Arghhhh—"

O soldado diante dele gritou de frustração, sua espada cortando o ar vazio enquanto Leo girava nos calcanhares, o som de roupas passando contra pedra marcando seu movimento controlado.

Ele não conseguia ver através da venda, mas seus instintos liam o campo de batalha como se fosse um terreno aberto. Cada vibração no chão, cada ondulação de ar deslocado, dizia exatamente de onde viria o próximo ataque.

*SOM*

*CRAC*

Leo torceu na última fração de segundo, deixando o punho do soldado raspar o ar ao seu lado antes de se posicionar no ponto cego do golpe, onde, com uma respiração forte, flexionou os joelhos, concentrou seu peso e avançou, seu ombro atingindo o abdômen do soldado com a força de uma porta de batente.

*BARULHO*

O impacto lançou o oponente para trás, seu fôlego sendo arrancado quando caiu no chão, as lajotas abaixo dele se fragmentando com o impacto.

*Estalo*

"Hora de acabar com isso..."

Leo murmurou, sem mais hesitar, usando o impulso das próprias pernas restringidas para se lançar novamente à frente, torcendo seu corpo no ar antes de aterrissar forte no peito do adversário, prendendo-o apenas com o peso e o impulso.

*PUM*

O adversário tossiu, ficando imóvel logo em seguida, nocauteado.

"Vencedor, Lorde Dragão das Sombras. Vitória número novecentos cinquenta mil e quatro."

Anunciou o árbitro, enquanto a luz acima do campo de treinamento escurecia um pouco e o campo de barreira de segurança se desativava.

*Mudança*

Leo se deslocou para o lado com um suspiro silencioso, movimentando os ombros e expirando pelo nariz. O suor escorria pelo canto do rosto, desaparecendo na gola do seu robe escuro de treino.

Ele virou a cabeça na direção da cabine do árbitro, acenando com um breve gesto de cabeça.

"Terminei por hoje," disse, com a voz baixa mas firme, enquanto o árbitro confirmava o sinal, encerrando a sessão.

Leo permaneceu ali por mais um momento, sentindo seu coração pulsar lentamente enquanto o silêncio tomava conta do espaço.

'Ficaram cinquenta mil,' pensou, cerrando a mandíbula. 'Apenas cinquenta mil... e aí finalmente alcançarei.'

Ele decidiu, então, virar-se e caminhar em direção à saída, seus passos silenciosos e definidos, enquanto a luz ao redor dele lentamente se apagava, deixando para trás apenas o corpo de seu oponente derrotado.

"Meu senhor, sua esposa está aqui para vê-lo..."

Um funcionário informou assim que ele saiu do campo de treinamento, imediatamente minimizando sua aura ao máximo e entrando no quarto com seu melhor sorriso de rosto.

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* Ranger *

A pesada porta se abriu com um rangido suave, revelando o interior familiar de cor azul escuro de seus aposentos privados, e por um instante, os passos de Leo desaceleraram.

Lá estava ela—Amanda—sentada casualmente em seu trono, com as pernas cruzadas e um largo sorriso brincando nos lábios.

A luz dourada fraca das lâmpadas de mana no cômodo a envolvia em um brilho suave, refletindo em seus cabelos castanho e nos olhos profundos, suaves.

Só de olhar, o peso nos ombros dele parecia derreter.

Toda a tensão de treinar, o cansaço das batalhas incessantes, a dor branda nos membros antes presos—tudo isso se dissolvia num instante, sob a quieta luz da presença dela.

Por um longo momento, ele simplesmente ficou ali, sem dizer nada, sua expressão impassível, mas mais suave do que parecia semanas.

Seus olhos permaneceram fixos nela, como se estivesse memorizando tudo novamente: o jeito que o cabelo dela caía sobre um lado do rosto, a curva maliciosa do sorriso, a centelha de calor que ela parecia ser capaz de acender dentro dele.

'É assim que se sente a paz,' pensou, com um canto dos lábios se contorcendo em algo suave e humano.

Amanda inclinou a cabeça, estudando-o com um brilho afetuoso. "Você está olhando de novo," falou com suavidade, brincando, mas com os olhos gentis. "Parece um homem que esqueceu como é dormir."

Leo soltou um suspiro silencioso, meio risada, meio cansaço. "Talvez eu tenha," respondeu, aproximando-se até ficar bem na sua frente.

Ao chegar perto, sua mão se levantou instintivamente, acariciando um fio de cabelo que escapava do rosto dele. O toque simples, o calor dos seus dedos, a familiaridade, traziam-no de volta da névoa da batalha para algo real.

"Você treina demais," ela murmurou, com a voz baixa. "Sempre se força além do que faz sentido. Um dia, seu corpo vai parar antes que sua cabeça se canse."

Ele sorriu levemente, o cansaço nos olhos suavizando-se em uma afeição silenciosa. "Talvez," disse. "Mas te ver aqui vale a pena."

O sorriso dela se aprofundou, e por um momento, nenhum dos dois falou. O silêncio que seguiu não era vazio, era caloroso, íntimo, cheio daquele entendimento sem palavras que só anos juntos podem forjar.

Ele se ajoelhou ligeiramente ao lado dela, apoiando um joelho no chão polido, com o olhar ainda fixo no dela.

"Bem-vinda de volta," ela sussurrou, com os dedos traçando a linha do queixo dele.

O peito de Leo se levantou com uma respiração lenta enquanto ele fechava os olhos por um instante, permitindo-se, pela primeira vez, simplesmente existir naquela quietude.

Sem batalha.

Sem missão.

Sem peso.

Apenas ela.

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