Assassino Atemporal

Capítulo 775

Assassino Atemporal

(A Residência Skyshard, ponto de vista de Amanda)

*Risadinhas*

*Risadinhas infantis*

A luz artificial filtrava suavemente pelas janelas de painéis de cristal da Residência Skyshard, espalhando pontinhos dourados de calor pelo chão de mármore enquanto ecos de risadas sutilmente preenchiam o ambiente.

A residência, normalmente silenciosa e imponente, parecia estar viva naquela tarde, seu silêncio sendo rompido pelos gritos brincalhões de dois meninos se espremendo pelo tapete de veludo.

Caleb, o mais velho, mantinha-se de pé triunfante no topo de uma pilha de almofadas, com os cabelos escuros bagunçados, enquanto seus olhos cinzentos, tão parecidos com os do pai, brilhavam de travessura.

Logo abaixo dele, sentava-se o pequeno Mairon, com apenas dois anos, seus cachos castanhos pululando enquanto ele aplaudia com as mãozinhas, exibindo um sorriso que ia de orelha a orelha.

Seus olhos, do mesmo castanho suave de Amanda, brilhavam de alegria, embora seu nariz e aquele sorriso atrevido carregassem a marca do pai.

"Mamãe, mamãe! Conta pra gente a história do Papai e do Vovô Ben!" Caleb exclamou, orgulhoso, como se fosse liderar um exército.

Amanda, sentada perto, numa poltrona confortável com um livro na mão, olhou para cima com um suspiro indulgente. "De novo? Caleb, meu amor, você já ouviu essa história mais vezes do que consegue contar. Que tal eu te contar uma história nova hoje? Sobre como sua mamãe costumava fazer bolos de arroz lá na Terra?"

"Nãooo... Eu não quero ouvir isso, eu quero saber do papai e do vovô Ben!" ele insistiu, puxando delicadamente o vestido dela, enquanto Mairon, quase sem entender bem a conversa, somente repetia alegremente: "Pwease, mamãe, Didi"

Amanda balançou a cabeça com um sorriso de impotência, fechando o livro e colocando-o de lado. "Ah, vocês dois," ela murmurou, fingindo pensar um momento antes de ceder. "Tá bom, mas só porque meus dois valentes pediram com tanto jeitinho."

"Yay!" os dois exclamaram juntos, batendo palmas e pulando de empolgação.

Amanda riu e estendeu as mãos, puxando os dois para o colo, enquanto a luz do sol artificial, proveniente das lâmpadas instaladas lá fora, os banhava com um brilho caloroso.

Ela ajeitou um fio de cabelo que escapou do rosto, sua voz suavizando-se num tom familiar e melodioso, que fazia até palavras comuns soarem mágicas.

"Era uma vez," ela começou, "quando seu pai era um menino como vocês, Caleb, ele morava bem dentro de uma floresta enorme com o Vovô Ben."

"Era assustador?" Caleb cochichou, com os olhos bem abertos.

"Oh, muito assustador," Amanda respondeu com uma seriedade de brincadeira, mexendo os dedos como se estivesse invocando os espíritos da floresta. "As árvores eram tão altas que até o céu não conseguia enxergá-las, e à noite, os espíritos da floresta sussurravam segredos que só os corajosos podiam ouvir."

"Buu!" Mairon gritou de repente, levantando os bracinhos pequenos.

*Suspiro*

Amanda fingiu um susto divertido, segurando o peito. "Ai, que pena! É o espírito da floresta!" ela disse dramaticamente, e os dois meninos explodiram em risadas enquanto ela os fazia cócegas sem misericórdia, suas gargalhadas enchendo o cômodo.

Depois que as risadas diminuir, ela prosseguiu, com o tom gentil novamente.

"Naquela floresta, vivia um grupo muito mau de oncinhas selvagens," ela falou, abaixando a voz até quase um sussurro, "e eles assustavam todos os outros animais. Os cervos tinham medo de beber água, os coelhos se escondiam nas tocas o dia todo, e até os macacos pararam de balançar nas árvores."

"E o que aconteceu depois?" Caleb perguntou, inclinando-se curioso, mesmo sabendo exatamente o que vinha a seguir.

"Pois é," Amanda respondeu, sorrindo suavemente, "um dia, todos os animais se reuniram e foram falar com seu pai. Pediram a ajuda dele, pois sabiam que ele era o único corajoso o suficiente para enfrentar as oncinhas."

"E ele ajudou?"

"Claro que ajudou," ela assentiu orgulhosa. "Ele ficou firme, igualzinho a você agora, Caleb, e disse: 'Não tenham medo. Vou proteger a floresta.' Então, ele entrou no coração da mata, onde as oncinhas moravam."

"Rawrrr!" Mairon rugiu, exibindo seus dentinhos de leite enquanto Amanda ria.

"Isso mesmo, Mairon! As oncinhas fizeram 'Rawr!'" ela falou, fingindo se assustar, "mas seu pai não tinha medo nem um pouquinho. Ele lutou bravamente com sua adaga na mão e fez elas correrem longe, bem longe!"

"Pew! Pow! Shing!" Caleb acrescentou, empunhando uma espada imaginária no ar, enquanto Mairon imitava com um alegre, "Bam!"

Amanda deu uma risadinha, abraçando-os com afeição. "Exatamente assim," ela disse com calor. "E desde aquele dia, todos os animais da floresta chamaram seu pai de seu protetor. Eles fizeram um trono com cipós e flores e o coroaram como seu guardião."

As esquilos traziam nozes e bagas, os macacos levavam frutas, e os cervos entregavam flores.

E assim, viveram felizes para sempre…."

Por um momento, a história pairou no ar como um sonho, envolvendo o ambiente em uma nostalgia suave e calorosa.

Amanda olhou para os filhos, e viu no rosto de Caleb um orgulho genuíno, enquanto no de Mairon havia uma expressão de encantamento — o que fez seu coração se encher de uma alegria agridoce.

Ela desejou que Leo pudesse estar ali para ver isso… que ele pudesse sentir prazer ao ver as crianças crescerem como ela sentiu.

Porém, o fato de ele não estar ali ainda era uma amarga lembrança que ela tinha que engolir, pois sabia dos perigos de trazê-lo de volta com aquela aura instável.

"Quando eu crescer," Caleb disse de repente, inflando o peito novamente, "vou ser igual ao Papai!"

Amanda sorriu, enxugando uma pequena lágrima que começava a se formar no canto do olho, e disse: "Você já tem a coragem dele, meu amor."

"E eu, mamãe..." Mairon começou, tropeçando adoravelmente nas palavras enquanto Amanda se inclina mais perto para ouvir.

"Eu... eu quero ser igual à mamãe!" ele declarou com orgulho, jogando os bracinhos ao redor do pescoço dela, tentando mostrar que queria ser exatamente como ela.

"Hahaha—"

Amanda riu, apertando-o com força, enquanto Caleb se juntava, envolvendo ambos com seus bracinhos pequenos.

Os três ficaram assim por um tempo, entre risadas e o som da brisa distante, enquanto a luz artificial dançava sobre seus rostos.

E naquele instante fugaz, a Residência Skyshard, lar do senhor daquela terra, parecia o lugar mais simples e feliz do universo.

Exatamente como todo lar de criança deveria ser.

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