Assassino Atemporal

Capítulo 774

Assassino Atemporal

(Enquanto isso, no ponto de vista de Veyr, O Jardim Eterno)

O Jardim Eterno brilhava em uma perfeição silenciosa, com seus campos vastos reluzindo sob um céu de um azul tão vívido que quase machucava os olhos.

O ar carregava o aroma suave de flores de luz da lua e folhas encharcadas de orvalho, enquanto o sussurrar de um riacho invisível cantava suavemente ao longe.

Veyr estava deitado sobre a relva fresca, braços atrás da cabeça, olhos semicerrados enquanto observava as nuvens que se afastavam lentamente.

A serenidade deveria ser reconfortante, mas naquele lugar só dava espaço para que seus pensamentos se agitaram.

'Devo cooperar com ele?' pensou, enquanto seu olhar seguia uma pena solitária que spirala ao sabor da brisa.

'Raymond parece disposto a trair seu próprio pai, mas eu simplesmente não acredito nisso.

Meus instintos dizem que há mais na oferta dele do que aparenta, porém, se eu me recusar de cara a jogar o jogo dele, nunca vou descobrir qual é a peça que está faltando.'

Ele refletiu, soltando um suspiro suave enquanto lembrava do encontro anterior.

O jeito de Raymond tinha estado tenso na ocasião, quase apavorado, e suas palavras pareciam carregar o medo genuíno de fazer aquilo também.

Havia desespero em seu olhar, talvez até determinação, mas Veyr não viu traços de traição.

'Ele quer alguma coisa,' pensou Veyr, pressionando o dedão contra a grama.

'Algo além da simples troca de habilidades.

Ele só não está me dizendo o que ainda.'

A grama cochilou suavemente sob ele enquanto se sentava, expressão pensativa, olhos refletindo o azul suave do céu acima.

Apesar das dúvidas, uma pequena parte dele considerava a oferta.

Talvez Raymond estivesse mesmo disposto a trair seu próprio pai.

Talvez estivesse desesperado o suficiente para trocar lealdade por poder.

'Talvez eu devesse testar ele,' pensou, com os lábios se curvando levemente. 'Ensinar-lhe uma das técnicas menos centrais, talvez. Ver como ele reage. Se cumprir a promessa, isso dirá muito. Se quebrar, vou saber exatamente que tipo de homem ele é.'

Ele pensou, inclinando-se à frente, puxando uma única folha de grama entre os dedos enquanto a ideia se consolidava em sua mente.

'Mudança de forma poderia servir,' refletiu.

'É perigoso, mas controlável. Uma técnica que pode revelar as verdadeiras intenções dele sem arriscar muito. Ele não precisa saber que eu ainda não domino todas as quinze técnicas proibidas, nem que nunca ensinarei mais do que duas a ele.

Mas, se eu der uma e o observar de perto, poderei descobrir mais sobre as reais intenções dele do que qualquer palavra poderia revelar.'

Concluiu, deitando-se novamente sobre a grama, já pensando na melhor forma de abordar a situação.

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(Enquanto isso, Dentro do Pavilhão de Chá de Kaelith, Em Outro Cantinho do Jardim Eterno)

Bem longe do jardim, onde a luz do sol passava através de galhos cristalinos e refletia sobre pedras de marfim, Kaelith sentava-se de frente para seu filho em uma mesa de jade polida.

O ar era embalado pelo aroma suave do chá recém-preparado, cujo tom dourado brilhava dentro de delicadas xícaras de porcelana.

"Você acha que ele vai cair nessa, pai?" perguntou Raymond por fim, com tom contido, seus olhos afiados fixos no homem à sua frente.

Kaelith sorriu suavemente, seu olhar repousando sobre o chá que agitava lentamente com uma colher de prata ornamentada. "Sim", disse com uma leveza, sua voz suave, calma, quase régia. "Acho que sim. Sempre caem."

Raymond inclinou a cabeça levemente, curiosidade jaspeando seus olhos enquanto Kaelith continuava.

"Os Dragões do Culto sempre tiveram uma personalidade parecida ao longo da história.

Eles acreditam serem escolhidos, destinados, tocados pelo próprio destino. Quando algo parece bom demais para ser verdade, eles não questionam. Acreditam que o universo está os recompensando por suas lutas."

Ele fez uma breve pausa para saborear o chá, com um sorriso que se alargou um pouco mais. "Ele vai jogar o jogo, pelo menos por um tempo. Talvez hesite, talvez duvide de você no começo, mas vai acabar cedendo. O orgulho é uma fraqueza perigosa, meu filho, e até os mais sábios não percebem quando ele cega."

Raymond colocou a xícara suavemente, os dedos acompanhando a borda enquanto um silêncio pensativo se instaurava. "Então, você realmente acha que ele vai revelar algumas das técnicas proibidas?"

"Com o tempo," respondeu Kaelith. "Primeiro, ele vai testar você, depois vai decidir testar a si mesmo. Vai compartilhar uma pequena parte do que sabe para avaliar sua reação. Mas, uma vez feito isso, uma vez que aquela linha for cruzada, só haverá o tempo para ele revelar mais. Assim funciona a confiança para homens como ele — eles confundem curiosidade com controle."

Raymond assentiu lentamente, com expressão séria agora. No começo, quando Kaelith insistiu que fosse ele a supervisionar Veyr, Raymond não tinha entendido o porquê.

O Jardim Eterno não é uma prisão, e geralmente Kaelith não permitia que mortais permanecessem aqui por muito tempo. Contudo, à medida que o plano se desenrolava, ele finalmente começou a perceber as conexões entre cada passo.

"Você nunca teve a intenção de mantê-lo aqui só para observá-lo, não é?"

perguntou Raymond em tom baixo, enquanto Kaelith riu e recostou-se na cadeira, com os olhos brilhando com uma calma ameaçadora.

"Observar é uma palavra educada para isso, sim.

Mas não, meu real objetivo era muito mais prático.

Queria que ele estivesse aqui para que você pudesse estudá-lo de perto— Seduzi-lo. Fazer com que confie em você. E, fazendo isso, fazer com que revele as artes proibidas do Culto."

As sobrancelhas de Raymond franziram um pouco. "Mas eu achava que você já sabia todas as quinze técnicas. Afinal, antes do tio Soron, era você quem se preparava para se tornar o próximo Líder do Culto, não?"

questionou, enquanto a risada de Kaelith ecoava suavemente, carregada de uma pontada de amargura.

"Sim, eu estava. Mas isso foi há duas mil anos. Meu pai criou as quinze técnicas originais, mas quem garante que meu irmão não tenha forjado novas desde então? O tempo muda até os deuses, meu filho, e meu irmão sempre foi inventivo. Se vou enfrentá-lo na batalha que nos aguarda, não posso me permitir estar desprevenido."

Ele mexeu o chá mais uma vez, seu reflexo brilhando fracamente na superfície líquida. "As técnicas proibidas eram um legado da nossa família, mas podem ter evoluído, assim como ele deve ter feito também.

Preciso saber se novas técnicas existem — e, se existirem, preciso entender como funcionam antes que a guerra comece."

Raymond inclinou-se um pouco para frente, sentindo o peso das palavras do pai em seu peito. "Então esse é o seu verdadeiro objetivo ao mantê-lo aqui, agora vejo isso."

Kaelith sorriu levemente, elevando o olhar do xícara para encontrar o de seu filho.

"Trazer ele aqui, curar suas feridas, dar-lhe liberdade para se mover. Tudo faz parte do meu plano.

Sinceramente, não me importo se ele estiver circulando pelado pelo Jardim Eterno ou passando um mês com fome.

Mas, devolvi a ele a dignidade, o respeito, a liberdade — só para dar a ele a ilusão de que está no controle aqui.

Pois a esperança, meu filho, é uma força perigosa por si só.

Se nos deixarmos que ele acredite que está te testando. Que acha que está no controle. No final, ele vai te ensinar tudo o que busca proteger — e, quando chegar a hora, já teremos vencido."

Kaelith explicou, enquanto Raymond finalmente percebia o quão assustador seu pai era por trás de sua fachada de nobreza.

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