Assassino Atemporal

Capítulo 763

Assassino Atemporal

(Oceano Atemporal, ponto de vista de Leonardo)

Por um tempo, todos a bordo do navio chefe ficaram visivelmente perdidos, sem saber o que fazer a seguir, incapazes de decifrar o mistério daquela ilha flutuante.

"Bom, já sabemos que ela desaparece para qualquer um que se aproxime demais. E que recuar não adianta, pois, uma vez que ela some pra você, não importa o quão para trás você vá, ela não aparece de novo," disse Mickey, franzindo a testa de frustração enquanto caminhava de um lado para o outro no convés.

Anderson coçou a cabeça, olhando para o horizonte pálido, que parecia uma chapa de aço branca e sem graça. "Sim, mas você está esquecendo do Chuck," disse. "Ele viu a ilha flutuante na última expedição, e ela desapareceu pra ele na hora. Ainda assim, agora ela reapareceu na frente dele. Ele consegue enxergar de novo... o que significa que há um limite de tempo ligado ao feitiço que nos afeta agora."

Os tripulantes trocaram olhares desconfortáveis. O fato de Chuck ainda conseguir ver a ilha tornava toda a situação ainda mais estranha.

Chamaram-no, e logo Chuck subiu os degraus até o convés de comando, com o rosto vermelho de nervosismo e do vento carregado de sal.

"Comandante?" ele perguntou, parando diante dos dois Monarchs.

"Você ainda consegue ver a ilha?" Anderson perguntou, com voz firme, mas com um tom de curiosidade sutil.

Chuck assentiu rápido. "Sim, senhor. Como antes. Lá em cima, acima da linha da névoa. Brilhando como o sol."

Mickey cruzou os braços, estreitando os olhos como se tentasse enxergar através da ilusão também. "E quanto tempo faz desde a sua última expedição?"

Chuck coçou o pescoço, pensando. "Quase noventa e cinco dias, senhor. Talvez um pouco mais. Perco a noção do tempo quando estou no mar..."

Essa resposta não satisfez ninguém.

"Então, o feitiço reseta," murmurou Anderson para si mesmo. "Assim que você perde a visão dela, ela te bloqueia por um período fixo, mas, eventualmente, você recupera a capacidade. E aí, significa..."

"Que significa," interrompeu Mickey, "que quem criou esse lugar não queria visitantes, mas talvez amigos e familiares pudessem entrar?"

O comentário causou murmúrios entre os marinheiros próximos, enquanto Anderson permanecia em silêncio por alguns segundos, refletindo sobre as peças do quebra-cabeça.

Ninguém podia afirmar com certeza qual seria o segredo por trás daquela ilha gigante que flutuava, mas, independentemente disso, todos começaram a formular suas próprias teorias plausíveis.

Leonardo ouvia tranquilamente, à espreita, seus olhos alternando entre os dois comandantes e o brilho dourado que ainda era visível ao longe, enquanto a confusão da tripulação só aumentava seus próprios pensamentos.

'Quem sabe só pessoas predestinadas conseguem vê-la depois de um certo ponto?

Será que eu vou conseguir enxergá-la mesmo se chegar muito perto?'

pensou, apertando com força a grade do convés, uma sensação estranha de arrepio percorrendo sua espinha.

"Comandante," Leonardo chamou repentinamente, dando um passo à frente, enquanto Anderson se virava para ele de imediato, endireitando-se.

"Sim, jovem lorde?"

"Quero me aproximar mais," disse Leonardo, com o tom calmo, mas cheio de convicção. "Quero ver de perto onde ela desaparece."

O convés ficou silencioso. Até mesmo o som de passos incertos parou por um instante, enquanto Mickey arregalava os olhos, incrédulo.

"Você quer fazer o quê?"

Perguntou, enquanto Leonardo levantava as mãos de forma defensiva.

"Sei que parece uma loucura, mas preciso ver como isso acontece. Talvez o efeito não me alcance."

Leonardo sugeriu, enquanto Anderson franze a testa profundamente, relutante com a proposta.

"Isso é um risco que não podemos correr, jovem lorde. Seu tio nos deu ordens estritas para garantir sua segurança. Então, se algo der errado—"

"Então, é minha responsabilidade," interrompeu Leonardo. "Meu tio me enviou nesta expedição por um motivo. Ele disse que tenho uma visão especial, que os outros não têm."

E, se isso for verdade, talvez eu consiga enxergar o que nenhum de vocês consegue."

Anderson hesitou, dividido entre o dever e a lógica, enquanto Mickey jogava as mãos no ar.

"O jovem lorde tem coragem, preciso admitir, mas não é só a pele dele que está em risco aqui, somos nós também."

"Por isso, precisamos pensar bem nisso...."

Disse Anderson, que passou a mão no queixo, pensativo.

"Às vezes, a única maneira de entender um mistério é entrando nele. Vou levar uma pequena equipe. Uma lancha, dois soldados. Nada mais... Se você estiver preocupado com minha segurança, venha atrás de mim."

"Se a ilha desaparecer pra mim também, saio na hora, e se não, continue comigo, acho que—"

insistiu Leonardo, enquanto Anderson o olhava por um longo momento antes de suspirar fundo.

*Suspiro*

"Tudo bem," disse finalmente, com a voz lenta.

"Você levará uma equipe de uma lancha e manterá contato constante. Assim que sentir que algo está errado, recue imediatamente. Compreendido?"

Instruíu, e Leonardo assentiu com firmeza.

Minutos depois, uma pequena lancha de evacuação foi preparada, lançada na água, e dois soldados subiram nela para acompanhá-lo, segurando os remos enquanto começavam a remar.

*Sirr*

*Sirr*

A lancha partiu em direção à ilha, enquanto Mickey e Anderson permaneciam acima, pairando no ar para observar de perto, com os sentidos atentos para qualquer sinal de perigo.

"Certo," disse Anderson pelo dispositivo de comunicação. "Mantenha o rumo até o navio de reconhecimento à frente, a ilha deve desaparecer assim que vocês atravessarem a parte de trás."

"Entendido, comandante," respondeu Leonardo, enquanto a lancha deslizava suavemente sobre as águas calmas.

O Oceano Atemporal se estendia sem fim à frente, calmo e enganoso, enquanto o brilho dourado da ilha flutuante ficava mais intenso a cada segundo que passava.

"Duas quilômetros..." sussurrou um dos soldados na lancha. "Quinhentos metros... Cem..."

Eles avançaram, até que, exatamente na marca de zero metros, quando a ponta da lancha cruzou a traseira do navio de reconhecimento à frente, a ilha flutuante sumiu do campo de visão dos dois soldados, sendo substituída pelo céu crepuscular em suas visões.

"O quê?"

"Cadê ela se foi?"

Os soldados piscaram, com expressões confusas.

"Comandante," disse um deles, com a voz aumentando de tom, "acho que algo está interferindo—"

Mas antes que terminasse, uma luz intensa explodiu diante de seus olhos.

*BRILHO*

Leonardo sentiu o mundo tremer ao seu redor, enquanto o som do oceano desaparecia de seus ouvidos, e a lancha sumia diante dele.

Os soldados pararam, fixos, com os olhos arregalados, incapazes de compreender o que tinham acabado de ver.

Num momento, Leonardo estava lá, sentado calmamente entre eles, e no próximo, o assento estava vazio, sua presença apagada como se nunca tivesse existido.

"Comandante! Comandante, ele desapareceu!" um deles gritou pelo comunicador, com a voz embargando.

Acima, Anderson e Mickey também tinham visto— o desaparecimento repentino, o breve flash de luz ofuscante, e depois o vazio.

"O que diabos acabou de acontecer?" Mickey murmurou, a voz baixa, mas claramente abalado. "Cadê o sobrinho do Dragão das Sombras?"

ele perguntou, enquanto seu corpo começava a tremer de medo.

"Fudeu! É nisso que vamos acabar, se o Dragão das Sombras vier aqui e não encontrarmos o sobrinho dele…."

FUDENDO, eu sabia que essa era uma má ideia…"'

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