Assassino Atemporal

Capítulo 762

Assassino Atemporal

(O Oceano Atemporal, ponto de vista de Leonardo)

A frota da cultuada navegava calmamente em direção ao seu destino.

A distância de cem quilômetros tinha se reduzido para menos de vinte em pouco mais de uma hora, enquanto os homens fixavam os olhos na misteriosa ilha que pairava à frente, como um miragem que parecia se recusar a desaparecer.

Leonardo estava na proa, com os punhos brancos agarrados ao corrimão enquanto o vento agitava seu rosto. Já havia decidido explorar a ilha, apesar da apreensão do seu tio, motivando-se internamente para aproveitar ao máximo aquela oportunidade rara.

'Nada na vida cai nas mãos de quem não arrisca. Não era isso que minha mãe costumava dizer o tempo todo?'

Ele refletia, lembrando-se vividamente da frase, como se a voz dela ainda ecoasse em seus ouvidos, usando-a para justificar o que ia fazer a seguir.

'Com a minha idade, meu tio e meu pai já dominavam a população do planeta natal deles como jogadores de realidade virtual. Eram lendas. Se eles suportaram a emoção, eu também consigo.'

Pensava, enquanto, a cada segundo que passava, a empolgação se aprofundava em suas veias, impulsionando-o a traçar a primeira linha de sua própria lenda.

Comandante Anderson permanecia ao seu lado, com postura rígida porém calma, seu olhar afiado fixo na dianteira. A ilha flutuante não tinha se movido desde a primeira vista, e, ainda assim, algo na sua quietude parecia estranho, como se não estivesse presa a nada sólido. E mesmo assim, ela não se deslocava, não se mexia, não obedecia ao vento.

Essa contradição inquietava Anderson, que franzia a testa silenciosamente, enquanto sua mente tentava entender possibilidades que não faziam sentido.

"Comandante Silva!... COMANDANTE!"

Uma voz frenética irrompeu pelo comunicador de cristal, tirando-o de seus pensamentos.

"Pode falar, estou ouvindo," respondeu Silva.

"Senhor... ela sumiu."

As palavras saíram trincadas pelo ruído da interferência, mas carregadas de incredulidade.

"Repita isso," insistiu Anderson, com a testa franzida.

"A ilha, senhor... desapareceu. Não conseguimos mais vê-la. Estava bem ali há um momento, e agora—" uma breve pausa seguiu, marcada pelo crackle do comunicador, "—agora nada. Só céu e mar."

Os olhos de Leonardo se arregalaram enquanto ele se inclinava para frente, observando a grande ilha flutuante que ainda era claramente visível diante dele.

"O que eles querem dizer com que ela sumiu? Ela está bem aí!" disse, desconcertado.

Anderson apontou para a massa flutuante que brilhava fracamente sob o céu crepuscular, sua presença sendo inegável do convés da embarcação de ataque.

Mas o capitão da nave de reconhecimento parecia tão certo de sua afirmação quanto.

"Temos certeza, senhor. Nenhum dos homens a consegue mais ver."

Anderson levantou uma sobrancelha, com a voz ficando firme. "Todos os navios, permaneçam onde estão. Soltem âncoras imediatamente. Recolham as velas e formem formação. Agora."

O comando se espalhou rapidamente pela frota enquanto os homens se apressavam para obedecer. Botas retumbando contra o convés e correntes rangendo enquanto as âncoras gigantescas mergulhavam no mar, seus pesados cabos de ferro desenrolando-se como serpentes até o fundo.

As velas foram dobradas em ritmo preciso, e em poucos momentos a frota parou de forma abrupta, o ranger da madeira ecoando na quietude repentina.

Apenas o som da água lambendo o casco permanecia, quieto e constante.

Os olhos de Leonardo percorriam o horizonte, enquanto a ilha ainda flutuava diante dele, em toda a sua glória impossível.

"Reconhecimento Um, confirme suas coordenadas," ordenou Anderson, com tom surpreendentemente calmo.

"Igual às suas, comandante," veio a resposta, carregada de confusão. "A cinco quilômetros à nossa frente. No centro."

Anderson e Mickey trocaram um olhar prolongado, ambos sentindo a mesma inquietação sob a calma aparente do outro.

"Ainda consigo vê-la claramente," disse Mickey lentamente, apertando os olhos na direção do horizonte. "Não há como eles não verem."

"Talvez seja uma ilusão," respondeu Anderson, embora seu tom soasse sem convicção, porque nenhuma ilusão poderia ser tão complexa, a não ser que fosse sustentada por um elaborado arranjo de mana.

Mickey não discordou. Simplesmente ajustou as luvas, convocou sua mana e assentiu uma vez para Anderson. "Voe comigo. Vamos dar uma olhada mais de perto."

Ambos os Monarcas levantaram voo, seus capuzes esvoaçando ao vento, enquanto cortavam o ar com cautela e firmeza.

*Zumm*

*Trrr*

O som do ar cortando passou a ser ouvido enquanto subiam mais alto, começando a planar em direção à ilha, cautelosos porém constantes.

Quinze quilômetros até a ilha... treze... doze... dez!

Foi então que aconteceu.

Num instante, a ilha brilhava diante deles com todos os detalhes, penhascos verdes e rochosos surgiam através de um halo de nuvens, a luz do sol curvando-se sob sua borda, e, no seguinte, ela desapareceu.

Sumiu.

Sem som, sem ondulação, sem distorção. Apenas o céu frio e vazio.

Mickey desacelerou no ar, com os olhos varrendo ao redor. "Anderson... não consigo mais ver. E você?"

Anderson parou ao seu lado, seu olhar varrendo o mesmo horizonte. "Não," disse calmamente. "Para mim também desapareceu."

Ficaram lá por vários longos minutos, sem falar, o silêncio pesado no vento.

"Será que ela está se cloakeando? Uma espécie de véu dimensional?" perguntou Mickey, baixinho.

Anderson não respondeu de imediato. Em vez disso, recuou alguns metros, depois outros cem, testando a distância. Mas a ilha não reapareceu. A enorme massa terrestre que ocupava 40% da sua visão sumira completamente, engolida pelo infinito cinza.

Mickey franziu o cenho e seguiu atrás, com voz insegura. "Então não é questão de distância. Uma vez que desaparece, fica sumida de verdade. Como se desaparecesse da existência."

Concluíram, trocando um olhar preocupado por um longo instante, e decidiram recuar, seu retorno ao navio curto, pousando com um estrondo—

*PUM*

"Vocês ainda conseguem vê-la?" perguntou Anderson assim que voltou, examinando os rostos confusos da tripulação.

"Sim, senhor," respondeu rapidamente um marinheiro. "Clara como o sol."

Disse, enquanto sua resposta fez Mickey passar a mão nos cabelos salgados, em puro espanto.

"Isso é coisa bem sinistra, posso garantir. Chegamos perto demais, e puff... ela simplesmente sumiu. Sem piscar, sem brilho, nada. Só ar vazio."

Leonardo deu vários passos à frente, com as sobrancelhas franzidas. "Mas como assim? Todo mundo está olhando para a mesma coisa."

Argumentava, porém Anderson apenas exalou lentamente, com tom sombrio.

"Talvez não estejamos."

Disse, enquanto os três homens ficavam silenciosos no convés, o crepúsculo se aprofundando ao redor deles, tentando encontrar alguma explicação lógica para esse fenômeno estranho…

A gigantesca ilha ainda cintilava fracamente para quem podia vê-la, enquanto para outros ela havia desaparecido completamente, restando apenas o oceano infinito e uma questão que se recusava a ser respondida.

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