Assassino Atemporal

Capítulo 761

Assassino Atemporal

(Oceano Atemporal, ponto de vista de Leonardo)

O suave zumbido do comunicador de cristal enchia o ar enquanto Leonardo mergulhava sua mana nele, o pulso acelerado por uma empolgação que mal conseguia conter.

O convés ainda emitia um leve ruído ao fundo, marinheiros sussurrando, velas rangendo sob tensão, mas tudo se misturava numa névoa de fundo no instante em que uma voz familiar estalou através do aparelho.

"Leonardo? O que houve?"

Leo respondeu do outro lado, enquanto Leonardo sorria ao ouvir a voz.

"Tio... é verdade!" disse, quase sem conseguir segurar o sorriso. "A ilha, eu vejo ela. Está flutuando, exatamente como as histórias contavam. E tem mais uma coisa. Consigo perceber uma aura dourada ao redor, brilhante e viva, como se o próprio destino estivesse ali."

Por um instante, silêncio respondeu. Então, a respiração de Leo ficou acelerada pelo canal.

"Aura dourada?"

"Sim," continuou Leonardo com entusiasmo. "É suave, mas está lá. Parece que toda a ilha brilha de dentro para fora."

Do outro lado, os olhos de Leo se estreitaram, o brilho do feed holográfico iluminando metade do rosto dele. Sua voz diminuiu, pesada de algo entre descrença e cautela.

"Leonardo, escute com atenção," ele disse. "Fique longe dela. Não se aproxime da ilha, sob nenhuma hipótese."

Leonardo piscou, a confusão tomando o lugar da empolgação anterior. "Mas, tio..."

"Não," interrompeu Leo. "Você não entende. Ouro nem sempre significa riqueza. Pode ser tão perigoso quanto divino. A aura que você descreve pode indicar um desequilíbrio, um lugar onde riscos e recompensas abundam."

Leonardo hesitou, segurando a grade ao seu lado. "E se for algo bom? E se for..."

"Não existe 'se' quando se trata da sua segurança, Leonardo.

Você é filho do Luke, e vou dizer uma coisa: se acontecesse algo com você, eu consideraria um fracasso."

Leo falou, sua voz ficando mais firme.

"Já vi isso antes. Ouro pode te coroar ou te consumir, e nunca avisa qual até ser tarde demais. Diga ao Comandante Anderson para manter contato visual, mas também distância. Vou mandar um destróier e chegar aí assim que puder."

As ordens não admitiam argumentos. Ainda assim, o coração de Leonardo afundou, a adrenalina se esvaindo na quietude da sua resistência.

"Sim, tio," disse suavemente.

A ligação terminou com um clique suave.

Os vidros do comunicador escureceram, deixando Leonardo sozinho, olhando novamente para o imenso oceano cinzento.

Ele ficou ali por um bom tempo, o vento brincando com seus cabelos, o reflexo dourado tremulando em seus olhos.

Um turbilhão de emoções se agitou dentro dele: gratidão pela preocupação do tio, sim, mas também uma frustração crescente.

Havia treinado a vida toda sob a sombra de gigantes. O legado do seu pai, a lenda do seu tio, ambos forjados em provas, em batalhas contra o impossível e que venceram.

Mas sempre que era sua vez, o envolviam em cautela, segurança, regras criadas para protegê-lo do próprio caldeirão que os moldara.

"Fique longe disso," ele sussurrou, repetindo o comando baixinho, enquanto sua mandíbula se cerrava. "Seria isso o que você diria a si mesmo? Antes de se tornar quem é?"

Ele olhou novamente para a ilha dourada, seu reflexo brilhando sobre o mar inquieto como um batimento que se recusa a parar.

Talvez fosse imprudente. Talvez fosse tolice.

Mas a grandeza nunca espera permissão.


*Suspiro*

Leonardo exalou lentamente, a determinação se fortalecendo por trás de seus olhos calmos.

"Então tá," murmurou para si mesmo, enquanto o vento levava suas palavras embora. "Vamos ver se é sorte ou calamidade."

Ele se virou para o leme, o leve brilho da ilha iluminando seu caminho como um desafio silencioso à espera de ser enfrentado, enquanto optava por não transmitir as instruções do tio ao Comandante Anderson.

—----------

(Enquanto isso, Leo)

Leo não perdeu tempo após a ligação terminar.

Assim que o cristal de comunicação escureceu, já pegava outro, navegando por canais criptografados até que a linha connectasse.

"Chaosbringer," disse com firmeza.

"Meu Senhor," respondeu a voz familiar, suave e firme apesar da interferência à distância.

"Preciso de um jato imediatamente. O mais rápido que tiver. Quero preparado para longo alcance e decolagem em até dez minutos."

Houve uma breve pausa, curta, mas perceptível: "Destino?"

"Oceano Atemporal, quadrante oeste. Enviarei as coordenadas. A frota de Leonardo encontrou algo, e eu quero ver com meus próprios olhos."

O som de papéis sendo manuseados ecoou pelo aparelho, seguido pelo clique de um console mecânico. "Entendido. Vou redirecionar o jato mais rápido para você agora. Previsão de chegada: doze minutos."

"Ótimo," respondeu Leo, com a voz seca, mas calma, enquanto a chamada se encerrava e o silêncio retornava à sala.

A reflexão dele no vidro frontais o encarava, calma apesar da inquietação que tentava reprimir na sua aura crescente.

"Moltherak…" murmurou, com o nome pesado na língua.

Por mais de vinte anos, buscara o repouso do Dragão Caído, seguindo rastros tão tênues que mal poderiam ser chamados de pistas.

Mitos, sussurros, fragmentos de registros enterrados em descobertas arqueológicas — tudo levava a lugar nenhum, até agora.

No entanto, desta vez, a ilha flutuante coberta de uma aura dourada do destino parecia promissora.

Se a aura que Leonardo viu fosse realmente de ouro, então havia uma chance, ainda que difusa, de que os restos de Moltherak estivessem lá. Talvez até sua alma.

O pulso de Leo acelerou enquanto ele se preparava para o combate mais uma vez, agora sem suas restrições, colocando o cinto de utilidades na cintura.

"Com a execução de Veyr se aproximando," ele murmurou, "preciso de respostas. Preciso de Moltherak."

Ele virou-se para a janela, observando o leve brilho do céu do crepúsculo na sua frente.

"Com sua sabedoria ancestral… talvez, só talvez, ele possa me ajudar a salvar Veyr."

Um trovão baixo interrompeu seus pensamentos, o estrondo inconfundível dos motores de jato atravessando o campo de pouso lá fora.

As janelas vibraram sutilmente, e uma trilha de fumaça cortou o céu escurecendo.

O olhar de Leo se tornou firme.

Ele apertou o mosquetão do cinturão e saiu sem hesitar.

Não havia mais tempo a perder.

Pela primeira vez em vinte anos, ele tinha uma chance de ver um velho amigo.

Comentários