
Capítulo 764
Assassino Atemporal
(Ilha Flutuante Misteriosa, Ponto de Vista de Leonardo)
*BRILHO*
O mundo explodiu em luz, e por um instante Leonardo sentiu como se seu corpo tivesse sido disperso em milhares de fragmentos menores que ele não tinha controle algum.
*Gasp*
Sua respiração ficou presa na garganta enquanto a gravidade desaparecia, apenas para descobrir pouco depois que estava de pé em um lugar completamente diferente, com o fraco zumbido de uma magia ancestral pulsando aos seus pés.
"Huh?"
Ele piscou, sentido desorientado, até que a visão que se estendia diante dele roubou o pouco de ar que ainda tinha.
Estendendo-se infinitamente em todas as direções, havia uma extensão de pedra que nada parecia similar ao que já tinha visto antes.
O chão sob seus pés cintilava com um brilho tênue, esculpido de um material que parecia quase vivo, escuro e metálico, marcada por veias de luz que pulsavam lentamente, como se a própria ilha estivesse respirando.
A cada poucos segundos, uma vibração baixa atravessava a plataforma, sutil mas ritmada, como um eco distante de um coração adormecido.
Leonardo deu um passo cauteloso adiante, suas botas fazendo um som suave no chão de pedra, enquanto se via rodeado por pilares altos que se espiralavam em direção à neblina acima.
Cada pilar era esculpido com detalhes intricados, com asas abertas, garras estendidas, olhos que pareciam segui-lo independentemente da direção em que olhasse.
A precisão do trabalho era além de qualquer compreensão, exata, mas ao mesmo tempo crua, como se os construtores fossem criaturas de força mais do que de finesse.
"Isso é incrível," murmurou, sua voz sendo engolida pela vastidão.
À frente, arcos enormes alinhavam o horizonte, erguendo-se e se dobrando como as costelas de algum gigante há muito esquecido.
A escala de tudo aquilo parecia errada, demasiado grande, alta, pesada, porém cada ângulo parecia deliberado, cada desenho fazia parte de um ritmo maior.
Quando uma brisa tênue passou, carregando o aroma de pedra queimada e algo levemente metálico, o olhar de Leonardo se dirigiu para cima.
O céu acima era do mesmo cinza crepúsculo, o que lhe confirmou que ainda estava dentro do Mundo Congelado no Tempo, mesmo que tivesse sido teletransportado para uma ilha misteriosa.
"Quem poderia ter construído algo assim?"
Questionou em voz alta, seu pulso firme, mas sua mente em ebulição, tentando entender qual seria a raça do criador dessa ilha — que ele tinha certeza não era humana.
O que ele não sabia, era que sua chegada havia despertado algo antigo de seu sono longo e sem sonhos, pois bem abaixo da superfície da colossal estrutura, uma consciência mais antiga que a própria história abriu um olho.
Moltherak, o Deus-Animal Antigo, detectou um intruso em seu local de descanso.
Uma simples formiga.
"Hm?" A voz ecoou suavemente pelos abismos da eternidade, curiosa, porém lenta, como uma montanha tentando lembrar como falar. "Tem alguém aqui?"
O ar ao redor da ilha ficou mais espesso, como se o próprio tecido da existência hesitasse em levar sua voz. Então, o mundo começou a se mover.
*GRUNHIDO*
O som que se seguiu não foi de rocha rachando ou de ar se deslocando, mas sim o som da própria criação se esticando após ficar imóvel por tempo demais.
A ilha tremeu, veias de luz pulsando através da pedra metálica sob os pés de Leonardo, enquanto vibrações poderosas percorriam suas pernas, passavam pelos ossos, até atingir seu peito e roubar o ritmo de seu coração.
"Que…?"
Suas palavras pararam no meio, enquanto uma força invisível se espalhava a partir do centro da ilha.
Não era vento. Não era mana.
Era aura.
Antiga. Colossal. Sensível.
O mundo parecia se dobrar sob seu peso, cada átomo de ar implorando para se curvar.
Os joelhos de Leonardo fraquejaram imediatamente, seu corpo caindo de encontro ao chão metálico.
*SOM*
Seu cérebro mal registrou o impacto sob a pressão que recairia sobre ele — uma pressão tão imensa que fazia o espaço ao seu redor parecer estar sendo esmagado para dentro.
Ele tentou levantar a cabeça, mas seus músculos recusaram-se, pois o peso que pressionava sobre ele não era físico — era algo mais profundo, primal, que penetrava no âmago de seu ser e lhe lembrava o que significava ser presa.
"Q-que… é essa… pressão?"
Ele ofegou, sua voz sendo quase um suspiro enquanto seu peito lutava para subir.
Cada inspiração parecia tentar puxar ar através de pedra, enquanto as veias reluzentes de luz sob ele começavam a escurecer, piscando sob a aura opressiva que agora saturava a ilha.
*TUM*
O chão pulsou novamente, desta vez com mais força. Os pilares ao seu redor estremeceram e se fraturaram levemente na base, poeira caindo como chuva enquanto as esculturas de asas e garras pareciam se torcer sutilmente, como se a própria pedra estivesse ganhando vida para testemunhar.
O corpo de Leonardo tremeu violentamente enquanto suas mãos pressionavam contra o metal frio. Sua visão ficou turva. Sangue escorria do seu nariz e ouvidos, seu corpo convulsionando enquanto suas veias gritavam de dor sob a pressão imensa que os atravessava.
Sua mente, geralmente rápida e composta, virou um caos. Cada pensamento se fragmentou. Cada sentido se sobrecarregou.
Ele queria gritar, mas nenhum som saiu.
Ele queria respirar, mas não havia ar para isso.
Seu mundo se reduziu ao som de seu coração batendo uma, duas vezes, e então desacelerando, com cada batida demorando mais do que a anterior.
A aura que o esmagava parecia viva, inteligente, terrivelmente consciente — não buscava matá-lo, mas sua mera existência apagava a ilusão de igualdade entre deuses e homens.
Ele era nada aqui.
Um inseto invadindo algo muito além da compreensão.
Os dedos de Leonardo arranharam fracamente a pedra, suas unhas criando faíscas que se apagaram antes de tocar o ar. Sua visão se encheu de escuridão do lado de fora, enquanto lágrimas de esforço se acumulavam em seus olhos.
'N-Não consigo… respirar…'
O pensamento ecoou em sua mente, fraco e vacilante, enquanto sua consciência escorregava como areia por uma ampulheta quebrada.
Então, quando sua última força o abandonou, ele finalmente cedeu ao poder esmagador.
Seu corpo parou. Seus olhos reviraram. Sua respiração cessou… enquanto ele desmaiava.
E, naquele instante, a ilha voltou ao silêncio.
Bem no coração da colossal estrutura, a antiga consciência despertou por completo agora, sua percepção se espalhando pela ilha como fogo líquido.
A alma de Moltherak abriu um olho gigante na vastidão da sua prisão, sua voz uma mistura entre diversão e uma leve culpa.
"Ah?"
Ele roncou suavemente, sua voz reverberando nos ossos da ilha. "Aformiga desmaiou só porque eu acordei?"
Ele fez uma pausa, enquanto rastros de curiosidade tingiam seu próximo pensamento.
"Hmm… humanos são coisas frágeis."
A terra pulsou mais uma vez, desta vez suavemente, como um batimento cardíaco voltando ao ritmo. A pressão opressiva foi lentamente recuando, retornando ao núcleo da ilha até que o silêncio fosse absoluto novamente.
Só permanecia o corpo imóvel de Leonardo sobre o chão reluzente, sua respiração retomando lentamente, enquanto o Deus-Besta Antigo que governava aquele lugar esquecido retornava ao seu semi-sonho, murmurando suavemente nas profundezas da eternidade.
"Durma bem, pequenino. Você claramente entrou em um mundo que não foi feito para você."