
Capítulo 769
Assassino Atemporal
(A Ilha Mística Flutuante, ponto de vista de Leo)
A câmara pulsava suavemente com calor enquanto Moltherak mudava sua forma de alma imensa, o brilho de suas escamas escurecendo e clareando em ritmo constante.
Por alguns segundos, ele apenas encarou Leo, silencioso e indecifrável, até finalmente falar.
"Minha tribo, os dragões, tenho certeza de que ainda vivem em algum canto do universo."
Nem todos eles possuem o coração de mana, pois mesmo na antiguidade, apenas os dragões com a melhor genética costumavam tê-lo….
Porém, se você consegue criar humanos com segurança aqui, tenho certeza de que pode fazer o mesmo pelos Dragões.
Então minha solicitação é simples.
Encontre meu povo e convide-os a viver aqui também, para que eu possa supervisionar seu desenvolvimento e me tornar rei das feras novamente."
Moltherak perguntou, enquanto Leo levantava uma sobrancelha diante da demanda.
Existiam alguns poucos planetas pelo universo ainda habitados por criaturas míticas, mas suas quantidades eram insignificantes comparadas aos incontáveis mundos governados pelos humanos.
Segundo o que Leo sabia, apenas quatro planetas mantinham uma quantidade significativa de dragões, cada um defendendo ferozmente seu próprio tipo.
Por isso, encontrar um e convencer seus habitantes a saírem seria extremamente complicado.
"Sua solicitação é difícil, mas não impossível. Posso tentar realizá-la até o final deste século, mas, para isso, vou precisar da sua ajuda também,"
disse Leo, com tom calmo e consciente, enquanto Moltherak assentia lentamente, a luz sutil de seus olhos amolecendo em sinal de aprovação.
"Isso é natural. Se aceitar essa tarefa, eu lhe emprestarei meu conhecimento em troca."
Disse, com um tom de voz tranquilo. "Me diga, jovem humano, que segredos deseja descobrir de mim? Vou satisfazer sua curiosidade pelo tempo que quiser."
Moltherak incentivou, enquanto Leo soltava um suspiro silencioso, e o brilho afiado de seus olhos cinzentos retornava. "Aura," começou ele, com tom pensativo. "Conte-me mais sobre ela, especialmente o que determina sua força. Ultimamente, tenho a sensação de que falta um ingrediente chave no meu treinamento."
"Seu controle de aura já é notável, e posso perceber que você começou a trilhar o Caminho do Rei," respondeu Moltherak, mas antes que pudesse continuar, Leo o interrompeu.
"Você quer dizer o Caminho do Imperador?"
ele perguntou, levantando uma sobrancelha, enquanto Moltherak riu suavemente e balançou a cabeça.
"Caminho do Rei, pelo menos era assim que chamávamos antigamente. Talvez vocês, humanos modernos, tenham decidido torná-lo mais glamouroso."
Leo assentiu levemente, gesticulando para que ele seguisse.
"Nessa fase, há quatro fatores principais que influenciam a força da aura," explicou Moltherak.
"O primeiro é o controle. Refere-se à sua habilidade de expressar sua aura exatamente como deseja. Quanto maior seu controle, mais poderosa sua aura fica. Você já está indo bem nesse aspecto, pois consegue moldar sua aura tanto como escudo quanto como arma. Isso por si só já prova seu domínio sobre seu fluxo."
Leo ouviu atentamente, seu foco inteiro fixo no antigo dragão.
"O segundo fator é o nível de cultivo," continuou Moltherak. "Quanto mais forte sua cultivação, mais forte seu espírito se torna, e como a aura nasce do espírito, ambos crescem juntos. Um cultivador de núcleo dourado sempre terá limites que um cultivador de alma nascente pode superar. Portanto, quanto maior seu nível, mais potente sua aura."
Os olhos de Leo se estreitaram um pouco enquanto ele traduziu a antiga expressão para um entendimento moderno. Moltherak se referia à ascensão do estágio Transcendente para o de Monarca, e como avançar de nível era benéfico para fortalecer a alma.
"O terceiro fator," prosseguiu Moltherak, "é o karma. Suas ações ficam grudadas na sua alma, dando-lhe cheiro e peso. Torne-se um tirano como eu, que já matou bilhões por prazer, e seu karma impregnar a sua alma de sede de sangue.
Esse karma acumulado reforça sua intenção de matar, tornando-a mais afiada e pesada do que a de um oponente que nunca matou."
Não tem relação direta com treinamento, mas influencia muito a força da sua aura.
Nenhum Deus que você encontrar será um santo de verdade.
Para que a aura dele seja legítima, é preciso que tenha massacrado bilhões.
É injusto, mas é uma verdade: quanto mais você mata, mais forte fica sua intenção de matar, e esse é exatamente o ponto onde você ainda não atingiu o potencial máximo.
Sua alma é pura comparada à aura que você empunha, mas pode crescer muito mais se começar a eliminar os inimigos indiscriminadamente.
Por outro lado, karma não alimenta apenas ódio. A mesma regra vale para alegria, amor e compaixão.
Espalhe alegria pelo cosmos, e seu bom karma fará sua aura brilhar e serena.
Em essência, suas ações passadas moldam a natureza e a potência da sua aura, mas, como guerreiro, o único karma que deveria importar é a quantidade de vidas que você tirou."
Leo assentiu lentamente, absorvendo cada palavra com profundo foco.
"E por último," disse Moltherak, com tom mais profundo, "a aura é moldada pela emoção. A emoção funciona tanto como amplificador quanto como supressor, podendo elevá-la a alturas divinas ou debilitá-la completamente.
Junte raiva e intenção de matar e sua ferocidade se multiplica, mas tempere com alegria, e seu fio se torna mais opaco."
Manter o estado emocional correto é tão vital para o domínio da aura quanto o controle em si, e, portanto, para comandar a aura perfeitamente, você precisa primeiro dominar suas emoções."
Moltherak concluiu, enquanto Leo permanecia silencioso, sua expressão pensativa e serena.
Cada palavra do dragão reverberava profundamente dentro dele, revelando verdades que nenhum manual ou mestre tinha ensinado até então.
Ele podia sentir uma nova compreensão se formando, como se os pedaços fragmentados de seu treinamento finalmente se encaixassem.
"Então você está dizendo que o motivo de eu não conseguir controlar minha aura é porque meu estado emocional não é estável?"
Leo perguntou, e Moltherak assentiu em concordância.
"Você está dominando a aura sem dominar suas emoções.
Existe uma raiva borbulhante dentro de você que se recusa a desaparecer, mas, em vez de aceitá-la e processá-la como um adulto, você tenta sufocá-la como uma criança.
Quanto mais você a reprime, mais ela acabará vazando de você.
Pois a aura e as emoções estão relacionadas.
O que você precisa fazer é aprender a canalizá-la, usá-la como arma, pois não é seu controle de aura que está ruim, mas sim a força da raiva que você sente, que é excessiva."
Moltherak explicou, e Leo finalmente entendeu por que sua aura continuava escapando do seu corpo contra sua vontade.