Assassino Atemporal

Capítulo 770

Assassino Atemporal

"Por todo esse tempo, achei que meu controle sobre a aura estivesse aquém, quando na verdade o problema era o meu controle sobre as emoções…”

Leo falou em tom baixo, a decepção pesando na voz, enquanto os olhos dourados de Moltherak suavizavam-se um pouco.

Havia algo em Leo que lembrava ao dragão antigo o mortal mais raro de todos, aquele que vale a pena lembrar, e por isso ele o tratava com uma ternura que normalmente só reservava às suas rainhas há muito perdidas.

"Não fique tão desapontado. Para alguém de seu nível de cultivo, seu poder já é extraordinário. Se estivéssemos na era primordial e você pertencesse a um dos meus clãs rivais, eu mesmo teria ido atrás de você só para acabar com sua ameaça antes que se tornasse um perigo."

Moltherak disse com um sorriso discreto, sua voz carregando tanto diversão quanto orgulho, enquanto Leo soltava uma risada suavemente ao ouvir a fala, embora o som logo se esfumasse em uma reflexão silenciosa.

O universo havia evoluído a ponto de parecer irreconhecível desde o tempo em que Moltherak governava, mas Leo não tinha certeza se essa evolução realmente tinha sido para melhor.

Pois mesmo hoje, prodígios rivais continuavam sendo alvo de facções invejosas em busca de poder.

"Você sente saudades disso?"

Leo perguntou, ao fim, com um tom melancólico.

"De ter um corpo, lutar guerras, sentir o peso da vitória e da derrota, ou está satisfeito por possuir uma alma indestrutível e estar preso aqui para sempre?"

Ele questionou, enquanto Moltherak desviava o olhar, a luz molhenta de seu corpo piscando fracamente enquanto ponderava a pergunta por um tempo, antes de voltar a olhar para Leo.

"Sim, sinto saudades. De tudo isso, cada momento. Se tivesse a chance, começaria de novo, do mais baixo nível, sem hesitar.

Sinto falta da emoção da batalha, da adrenalina do caos, da sensação de estar vivo, mas com minha alma presa aqui e nenhum Deus vivo burro o suficiente para se aventurar neste reino, esse é um destino que provavelmente vou suportar para sempre,"

Disse, suas palavras carregando o peso do tempo infinito, calmas na superfície, mas vazias por dentro, enquanto Leo podia sentir o silêncio de séculos de solidão pressionando por trás daquele tom firme.

"E se..." Leo começou, com os olhos se estreitando um pouco, "Um Deus fosse burro o suficiente para entrar neste reino, o que aconteceria então?"

Ele perguntou com uma voz estranhamente conspiratória, enquanto Moltherak inclinava a cabeça e soltava uma risada retumbante que ecoou pela câmara.

"HAHAHAHA—"

"Se um Deus vivo algum dia vagasse para cá," repetiu, com humor na voz, "então eu aproveitaria a oportunidade para tomar o controle do corpo dele, pois o único recipiente capaz de conter o poder de uma alma divina é um corpo divino—"

Começou, enquanto o brilho de seus olhos dourados ficava mais intenso.

"Se um Deus assim se manifestasse, mesmo por um momento, eu me fundiria ao seu recipiente, e a partir daquele instante começaria um jogo perigoso."

"O corpo dele não aguentaria o peso de duas almas divinas, e então começaria a desmoronar por dentro, derretendo-se de dentro para fora enquanto feridas divinas o rasgariam mais rápido do que sua divindade pudesse curar."

E aí, apenas dois desfechos seriam possíveis…

Primeiro, o hospedeiro abandonaria o corpo, tornando-se uma alma errante como eu.

Ou, em segundo lugar, lutaria comigo por controle até o fim, correndo o risco de ambas as almas serem destruídas.

De qualquer forma, essa não seria uma batalha que eu perderia, pois, ao contrário de qualquer Deus vivo, eu já não temo a morte. Na verdade, eu a acolheria de braços abertos.

Se eu morrer, encontrarei a paz finalmente. Ou, se escapar, poderei viver de novo.

Mas, de qualquer modo, sairei dessa cena sem ser um derrotado."

concluiu Moltherak, com a voz profunda firme e definitiva, enquanto Leo assentia lentamente, a gravidade das palavras do dragão penetrando fundo em sua mente.

"Então, se hipoteticamente, eu te ajudar a conquistar um novo corpo, como você compensaria essa dívida?

Você me emprestaria seu poder para minha causa?

Ou esqueceria tudo a meu respeito e me trataria como uma formiga?"

Leo perguntou, enquanto a expressão de Moltherak se tornava séria.

Ele olhou fixamente nos olhos de Leo, como se estivesse avaliando o que o jovem planejava, e sentiu seu coração inexistente apertar neste momento.

"O que exatamente você está tramando, garoto? Pois os fios dourados de intenção ao nosso redor aumentam a cada segundo."

Moltherak perguntou, enquanto Leo também os observava, sua expressão inalterada, mesmo surpreso.

Nunca antes, em toda a sua vida, tinha visto tantos fios de intenção dourada se reunindo ao seu redor.

Neste momento, havia mais de cem deles ao seu redor.

A maior parte conectava-o a Moltherak, enquanto alguns se dirigiam diretamente ao cosmos.

"Isso pode ser um ponto de virada na história, velho amigo.

Sua decisão aqui pode nos trazer prosperidade ou destruição.

Mas a bola está no seu lado agora."

Leo falou, quando de repente surgiram mais 50 linhas de intenção dourada, fazendo ambos estremecerem.

"HA... HAHAHAHAHA—"

O antigo dragão vermelho riu, incapaz de acreditar que, após mais de 5000 anos de vida, uma simples interação com um mortal pudesse lhe proporcionar tamanha alegria.

No entanto, o fato de isso ter acontecido o fazia sentir-se mais imprudente do que normalmente seria.

"Vamos supor que você consiga trazer um Deus vivo aqui, e que eu consiga assumir o corpo dele.

A partir daquele momento.

Juro solenemente que, como Rei Moltherak, lhe serei eternamente grato.

Enquanto eu viver, serei seu aliado e acudirei quando você chamar.

Seus inimigos se tornarão meus inimigos.

Meus amigos se tornarão seus adoradores.

Se este dragão vermelho alguma vez caminhar pelo cosmos novamente,

ele será sua espada e seu escudo,

e garantirá que você trilhe seu caminho rumo à divindade com o mínimo de complicações."

Moltherak disse, um sorriso gigante se formando em seu rosto, enquanto Leo retribuía com um sorriso. Ele sabia que não havia necessidade de formalizar sua promessa com um contrato, pois as palavras de Moltherak eram tão vinculantes quanto um acordo firme, pois essa era a essência dessa besta simples, porém magnífica.

Comentários