
Capítulo 771
Assassino Atemporal
Depois que Moltherak prometeu que ficaria eternamente grato a Leo caso ele lhe concedesse um corpo novo, a câmara voltou a mergulhar em um silêncio pesado, enquanto os fios dourados de intenção ainda brilham suavemente ao redor deles, aos poucos desaparecendo um por um.
Leo permaneceu imóvel, com o olhar fixo na forma radiante de Moltherak, enquanto o brilho vermelho ao redor do corpo do dragão queimava numa tonalidade mais intensa de carmesim.
Por um tempo, ambos ficaram em silêncio.
A promessa que acabaram de fazer pairava entre eles, pesada e não dita, enquanto ambos tentavam assimilar sua magnitude.
Então, Leo respirou suavemente, sua expressão mudando de satisfação para uma preocupação serena.
— Acho que preciso da sua ajuda em outra coisa… —
— O assunto desta vez é delicado e provavelmente vai precisar de uma solução engenhosa da sua parte —, disse Leo, com a voz baixa, porém firme, enquanto Moltherak inclinava ligeiramente a cabeça, sua imensa forma de alma se agitava como uma maré lenta, e a curiosidade reacendia seus olhos dourados.
— Espero que não seja um conselho para atrair um Deus aqui. Porque, se eu soubesse como fazer isso, não estaria preso aqui tanto tempo —
Brincou Moltherak, enquanto Leo esboçava um leve sorriso, embora a seriedade em seus olhos não revelasse humor algum.
— Meu irmão foi capturado recentemente pela Facção Justa… —
— E dizem que estão mantendo ele como refém —
— E, para piorar, não faço ideia de onde exatamente ele está —, começou Leo, sua expressão ficando cada vez mais carrancuda a cada frase pronunciada.
A raiva era visível em seus olhos.
— O que eu sei, porém, é onde será realizado o procedimento —
— É em um lugar chamado 'A Fossa' —
— Não sei se você já ouviu falar, mas é aparentemente o planeta natal de um Deus chamado Helmuth —
— Ele é um sujeito difícil, e há chances de que ele, e alguns outros Deuses, estejam presentes para essa execução… —
Leo explicou, enquanto os olhos de Moltherak se arregalavam de descrença a cada palavra mais pronunciada.
— Então, o que eu preciso saber de você… É como salvá-lo? Porque os planos que intelligence tenho até agora são praticamente inúteis —
Leo admitiu, e por alguns segundos Moltherak ficou ali, paralisado, como se aguardasse a piada final, mas ela nunca veio.
— Sério? Você está falando sério? — perguntou Moltherak, enquanto Leo assentia, com a expressão tão séria quanto podia estar, e Moltherak explodiu em uma risada garganteante.
— HAHAHAHAHA—
A gargalhada de Moltherak ecoou na câmara, reverberando nas paredes como um trovão retumbante, estremecendo o ar ao redor.
— Então, deixa eu entender direito —, começou ele, com a voz carregada de incredulidade, enquanto sua forma gigantesca tremia de tanto rir.
— Então seu irmão foi levado, e você nem sabe onde ele está preso —, ele bocejou de riso, que aumentava novamente.
— A execução vai acontecer em um planeta natal de um Deus —
— E haverá vários DEUSES presentes, e você ainda assim acha que pode salvá-lo? —
Ao terminar, ele quase gritava de tanto rir, sua voz profunda vibrando na câmara, enquanto raios de luz derretida em suas escamas pulsavam em ritmo com sua diversão descontrolada.
— Hahaha, nossa, Leo Skyshard, você é algo que não dá pra acreditar —, disse Moltherak entre risadas, enxugando uma lágrima que, na verdade, não havia, sua cauda se enrolando de alegria.
Porém, mesmo com toda a zombaria, Leo permaneceu ali, calado, imóvel, com um olhar calmo e firme.
Ele esperou com paciência, sem demonstrar nervosismo, frustração ou vergonha, apenas com uma determinação inabalável.
Gradualmente, a risada de Moltherak diminuiu, dando lugar a um suspiro profundo, enquanto o eco de sua alegria se desvanecia no ar derretido ao redor.
— Isso não dá para fazer, garoto —, afirmou ao final, sua voz sem o humor, cheia de cansaço. — Desista.
Ele baixou um pouco a cabeça, os olhos dourados encolhidos, mais com uma expressão de pena do que de zombaria.
— Apesar de admirar seu espírito de irmão, de verdade, eu admiro, isso não é uma luta que você pode ganhar. Se eu fosse você, talvez sentisse a mesma desesperança, a mesma vontade de tentar. Mas isso não muda a verdade —
Ele se inclinou mais perto, sua imensa forma projetando uma sombra sobre Leo, e sua voz se tornou mais dura.
— Essa luta está muito além do seu nível. Estamos falando de Deuses aqui, vários deles.
— E você nem é um cultivador de alma nascente ainda. Em algum momento, precisa aceitar seus limites —
Leo assentiu, com o rosto ainda tranquilo.
— Certo —, disse ele calmamente — Reconheço meus limites.
Depois, encarando de frente o olhar do dragão, suas próximas palavras vieram firmes, seguras e sem hesitação.
— Então, diga-me uma coisa: qual o mínimo que preciso fazer para que isso aconteça? —
Leo exigiu, enquanto o leve sorriso de diversão desaparecia completamente dos olhos de Moltherak, dando lugar a uma sincera admiração ao perceber que Leo estava decidido a fazer isso acontecer.
— Ok, garoto. Para começar, você vai precisar de um Deus como aliado —
— Um tão forte quanto seu ancestral, o Assassino Atemporal —
— Só um Deus desse calibre garante a segurança de vocês, meros mortais —, começou Moltherak, aguardando Leo confirmar que conseguiria convencer tal divindade a ajudar.
Pois, sem essa participação crucial, o restante do plano se tornaria inútil de qualquer forma.
Para sua surpresa, Leo acenou com a cabeça confiantemente e declarou —
— Embora não consiga convencer o Assassino Atemporal, acho que posso convencer o filho dele, Soron, a nos ajudar. Afinal, sou apenas o Líder Temporário da Seita do Culto —, explicou Leo, enquanto Moltherak levantava uma sobrancelha surpresa diante de suas palavras.
Moltherak havia mencionado aquela condição de brincadeira inicialmente, não esperando que Leo tivesse capacidade de convencer uma divindade assim, mas o fato de ele conseguir agora transformou esse plano de totalmente impossível a quase inviável.
Pois, por menor que fosse a chance de salvar seu irmão, ela finalmente surgiu.