
Capítulo 754
Assassino Atemporal
(O Mundo Parado no Tempo, Mansão Isolada de Leo, Ponto de Vista de Leonardo)
Leonardo entrou na mansão de Leo sem o menor sinal de hesitação que a maioria dos homens sentiria ao se aproximar do Dragão Sombrio, pois, ao contrário deles, que reverenciavam Leo com o medo reservado a deuses, ele simplesmente o amava como seu tio.
*Passo*
*Passo*
As botas dele trotavam suavemente contra o piso de mármore, o som ecoando levemente pelo silêncio vasto da mansão.
O ar dentro parecia incomumente pesado, denso de mana, enquanto pequenas ondulações de poder contido vibravam nas paredes como ondas invisíveis, um lembrete constante de quem habitava ali.
Nenhum guarda estava na entrada, nenhum servo perambulava pelos corredores. A mansão era imensa, mas sem vida, feita para a solidão, não para o conforto, sem decorações, cheiro de comida ou flores, sem vestígios de rotina humana—apenas silêncio absoluto, puro e definitivo.
Leonardo avançou calmamente, com a expressão tranquila, a longa argola na orelha esquerda balançando levemente a cada passo.
Aquela argola tinha virado uma marca registrada de seu estilo, um símbolo do modo como se vestia, o que seu pai desaprovava, mas ele usava mesmo assim, pois achava que dava um toque de charme e personalidade.
Auras de azul claro e escuro vibravam ao redor do seu corpo, revelando seu humor animado por ter sido convidado à mansão do tio, pois sabia que seu tio só chamaria por ele se houvesse alguma novidade empolgante para compartilhar.
Ele tinha uma aparência que espelhava a juventude de seu falecido avô Jacob: a mesma compostura calma, o mesmo cabelo preto, os olhos penetrantes e a mesma disciplina silenciosa, que fazia cada movimento parecer deliberado, medido e preciso.
"Ooo… parece que o tio estava de cabeça bem azeda antes da minha chegada.
Olha só toda essa destruição de janelas e azulejos.
Que viagem.
Devem ter ficado muito nervosos."
Murmurou antes de empurrar a porta do quarto de Leo, perguntando-se o que teria feito seu tio destruir tudo ali com tanta força.
Dentro, Leo estava sentado em uma cadeira que parecia um trono, sua figura iluminada por pequenas partículas de luz dançando pelo ar.
Seus olhos estavam fechados, sua aura contida atrás de uma fina cortina de calma que parecia mais forçada do que natural.
Para qualquer outra pessoa, estar diante dele seria como encarar uma tempestade capaz de apagar a existência. Mas Leonardo, acostumado com essa pressão sufocante ao longo dos anos, permaneceu ereto, com a cabeça erguida com confiança, embora os olhos mantivessem respeito abaixados.
"Você me chamou… tio?"
Sua voz era equilibrada, seu tom calmo, embora carregasse uma reverência que nenhum membro da linhagem Skyshard poderia esconder completamente.
Os olhos de Leo se abriram lentamente, cinza-prateados e profundos como oceanos sob o céu estrelado, enquanto ele assentia uma vez, estudando seu sobrinho em silêncio por alguns segundos antes de falar.
"Você melhorou como guerreiro desde a última vez que te vi," disse, seu olhar percorrendo brevemente a postura, aura e ritmo de respiração do garoto. "Seu fluxo interno de mana está mais fluido. Mais estável do que antes."
Leonardo fez uma reverência breve, aceitando o elogio com humildade. "Obrigado, tio."
A última vez que se encontraram foi há seis meses, no funeral de sua avó—Elena Skyshard.
Ao pensar nisso, Leonardo notou as lágrimas quase surgirem em seus olhos por um instante.
Elena tinha falecido tranquilamente, enquanto dormia, sem dor, embora sua morte tenha sido uma surpresa para toda a família Skyshard.
Desde a morte de Jacob, dois anos atrás, sua solidão tinha se tornado insuportável aos poucos, e talvez, pensava Leonardo frequentemente, ela simplesmente escolheu segui-lo.
Seu túmulo agora ficava ao lado do de Jacob, sob o canteiro de flores perto da propriedade da família, exatamente como ela sempre quisera.
A expressão de Leo suavizou por um breve momento ao recordar, antes de falar novamente.
"Como tem estado a família?"
Leonardo respirou cuidadosamente antes de responder. "Eles sentem sua falta, tio. Principalmente a tia Amanda. Ela espera que você possa voltar para casa em breve… O quinto aniversário de Caleb está chegando."
Ao mencionar sua esposa e filhos, a postura de Leo vacilou, nem que fosse por um instante. Seus lábios se abriram ligeiramente, mas nenhuma palavra saiu, apenas uma sombra fugaz cruzou seu rosto.
Ele tinha dois filhos—Caleb e Mairon. Cinco e três anos, nas fases mais adoráveis de suas vidas.
Porém, infelizmente para ele, não podia segurá-los em seus braços, ou demonstrar qualquer afeto paterno, pois sua aura era instável demais para estar perto de crianças tão frágeis.
"Vou encontrar a Amanda no fim deste mês," disse Leo por fim, sua voz baixa. "E quanto às crianças… manda o meu amor para eles."
Leonardo assentiu, entendendo perfeitamente. Sabia por que seu tio mantinha distância. A aura de Leo, embora contida, era muito volátil agora. Uma única perda de controle poderia parar um coração, congelar sangue ou quebrar ossos. Estar perto de crianças cujo corpo ainda está em desenvolvimento era simplesmente perigoso demais.
O jovem cruzou as mãos atrás das costas. Apesar de ter apenas vinte e dois anos, Leonardo já tinha a postura de alguém duas vezes mais velho, moldada pela dureza deste mundo que não tem misericórdia dos fracos.
"Então por que exatamente me chamou, tio?" ele perguntou suavemente, rompendo o silêncio que começava a se estender entre eles.
Leo recostou-se um pouco, apoiando uma mão na testa, seu tom era contemplativo. "Diga-me, Leonardo… como está seu progresso na maestria da aura? Quantas cores você já viu?"
Leonardo hesitou antes de responder. "Ainda só duas, tio. Vermelho e azul. Não consegui perceber nenhuma outra ainda."
Leo assentiu, sabendo sem decepção. "Isso era de se esperar. Algumas cores levam anos para aparecer, outras exigem experiências além do normal para desencadear o reconhecimento. Não desanime. Mantenha os olhos abertos, e quando chegar a hora, a próxima cor surgirá naturalmente."
Leonardo fez uma breve reverência, seu respeito pelo tio crescendo a cada palavra.
Quando começou a trilhar o caminho da maestria da aura, não imaginava que seria tão difícil.
Porém, agora, após praticamente dois anos — tendo atingido o nível de Grande Mestre em controle de corpo, mente e mana — ele compreendia o quão difícil tinha sido para seu tio dominar esse manual, pois aprender a aura é bem mais complicado do que dominar habilidades difíceis.
Até então, sem ter trilhado esse caminho, não poderia reconhecer sua complexidade, mas agora sim, sabia o quão incrível seu tio era por ter concluído a maestria da aura e ascendido a Transcendente antes dos 25 anos.
"A razão por que te chamei aqui hoje é porque preciso de um favor…"
Leo falou por fim, com um tom sério e de grande importância.
Leonardo endireitou-se instantaneamente, sua postura vindo à de um soldado diante do comandante.
"Existe um lugar," começou Leo, sua voz ressoando suavemente na vasta câmara, "que tenho tentado localizar há duas décadas. Um lugar dito existir em alguma parte do Oceano Parado no Tempo. Marinheiros falam de uma ilha flutuante lá—um pedaço de terra que paira acima da água, invisível para a maioria, inalcançável para quem tenta encontrá-la."
Ele fez uma pausa, os olhos distantes, o tom quase analítico ao continuar. "Sempre que envio embarcações para aquela região, elas atravessam como se nada estivesse lá. Contudo, os marinheiros afirmam que conseguem enxergá-la com os próprios olhos debaixo, mas quanto mais se aproximam, mais ela desaparece até sumir completamente."
Leonardo franziu a testa, intrigado, apesar de si mesmo. "Uma ilha que desaparece quanto mais você se aproxima?"
"Sim," confirmou Leo. "Talvez seja um mito. Ou algo mais. Quero que descubra qual é."
Ele inclinou-se um pouco para frente, os olhos brilhando com convicção. "Você vai liderar uma expedição até aquela região. Se houver algo de valor lá, você saberá pelo seu aura. Uma tonalidade vermelha, azul ou dourada deve surgir se a ilha realmente existir. Você irá observar, confirmar e me informar via seu comunicador de cristal."
Leonardo ouviu atentamente, com as mãos cruzadas atrás das costas, enquanto o peso da missão começava a se estabelecer.
"Vou enviar dois Monarcas com você para proteção," acrescentou Leo. "Não arrisque além do necessário. Isso é uma missão de reconhecimento, não de conquista. Simplesmente não tenho tempo de verificar esses rumores sozinho. Mas, se a ilha for real… se algo estiver escondido lá, pode ser de importância profunda para nós."
Ele fez uma nova pausa, depois acrescentou calmamente: "Você é o único outro guerreiro na Guilda trilhando o caminho da aura. Por isso estou confiando essa missão a você. Você verá o que outros não podem."
Leonardo baixou a cabeça por um instante, sentindo o peso da confiança de seu tio como uma armadura. "Entendo. Farei de tudo para te fazer orgulho, tio."
"Sei que fará," disse Leo suavemente, sua voz mais calorosa agora, tocada por uma afeição rara. "Você é filho do seu pai, afinal."
Por um breve momento, o silêncio voltou, nem desconfortável, nem frio, mas cheio de compreensão tácita entre eles.
Leonardo virou-se para sair, seus passos silenciosos se dirigindo à saída. Mas antes de chegar à porta, a voz de Leo o chamou mais uma vez.
"Leonardo."
Ele parou e olhou para trás.
"Quando estiver no mar," disse Leo lentamente, com aquele mesmo tom sábio e grave que uma vez moldou nações, "lembre-se de que o mundo muitas vezes esconde suas verdades por trás de ilusões. Confie mais nos seus instintos do que nos seus olhos. Os instintos do nosso sangue verão mais do que os olhos de outros homens."
Leonardo fez uma reverência profunda. "Sim, tio."
E assim partiu, a luz tênue da mansão se apagando atrás de si enquanto ela se recuava para a fria e infinita penumbra do Mundo Parado no Tempo, seu coração batendo forte ao ser confiado com sua primeira grande aventura.