Assassino Atemporal

Capítulo 753

Assassino Atemporal

(Dentro do Jardim Eterno, ponto de vista de Veyr)

Por um longo momento, Veyr permaneceu ali, simplesmente encarando Raymond com absoluta incredulidade, sua mente vazia enquanto a boca se recusava a formar palavras.

A proposta que acabara de sair dos lábios do Semideus soava absurda, até mesmo surreal, como se o homem estivesse brincando ou, pior ainda, testando-o.

Ele piscou uma, duas vezes, tentando juntar as peças do que acabara de ouvir, mas o silêncio que se seguiu só fez o ar parecer mais pesado.

'Será que posso confiar realmente nesse homem?' pensou, o olhar fixo com firmeza na face de Raymond. 'Que garantia eu tenho de que ele não vai me enganar e me deixar apodrecer no instante em que já tiver conseguido tudo o que precisa de mim?'

Sobrancelhas levemente franzidas, a suspeita se enrolava no peito como fumaça. Raymond permanecia ali calmamente, com os braços cruzados atrás das costas, sorrindo de leve, como se tivesse acabado de oferecer a Veyr o negócio mais natural do universo.

'Será que ele conhece sequer as técnicas secretas do Cult? Ou posso simplesmente enrolar para cima dele e dar um monte de papo furado?' pensou Veyr, estreitando os olhos enquanto estudava a expressão do Semideus, procurando qualquer sinal de engano.

Ele levantou uma sobrancelha, ainda em silêncio, relutante em romper o olhar.

'Não, provavelmente não consigo falsificar todas elas,' percebeu, o pensamento amargo na cabeça. 'Se eu fizer isso, ele vai perceber que algo está errado. Mas mesmo que eu queira ensiná-lo, nem eu mesmo conheço todas as quinze técnicas proibidas.'

Um suspiro silencioso escapou de seus lábios, os ombros relaxaram um pouco à medida que o peso da situação se aprofundava. Até que, finalmente, ele falou.

"Que garantia eu tenho," perguntou lentamente, "de que você não vai me trair assim que eu te der o que você quer? Não posso confiar na sua palavra."

O tom dele era firme, mas por baixo pairava uma leve provocação, como se desafiando Raymond a provar que ele estava errado.

Para sua grata surpresa, o Semideus não pareceu se ofender.

Ao invés disso, ele assentiu pensativamente, como se estivesse considerando a pergunta com seriedade genuína.

"Justa questão," disse finalmente.

"Que tal eu te mostrar um gesto de boa vontade para te ajudar a confiar mais em mim?"

Propôs, elevando a delicada flor ainda segurada entre os dedos e colocando-a suavemente na mão de Veyr.

"Isto," disse ele, "é a Flor do Eclipse Lunar. Caso você não conheça, ela só cresce aqui no Jardim Eterno. É bastante especial, tem cinco pétalas, cada uma capaz de alterar o destino de um monarca."

Veyr olhou para a flor. Suas pétalas brilhavam suavemente sob a luz divina, com um tom etéreo que oscilava entre azul e prata. A superfície de cada pétala parecia pulsar levemente, como se estivesse viva, ressonando com uma mana ancestral muito além de qualquer coisa encontrada nos reinos mortais.

Raymond sorriu de leve enquanto continuava, seu tom casual mas deliberado. "Você precisa de apenas uma pétala dessa flor para criar uma poção de Semideus. Então, em teoria, uma flor completa fornece material suficiente para fazer cinco dessas poções... desde que, é claro, você consiga obter os outros ingredientes raros que a alquimia exige."

Os olhos de Veyr se estreitaram em dúvida enquanto girava a flor levemente, examinando sua textura estranha entre os dedos. "Outros ingredientes?" perguntou, com a voz baixa, porém curiosa.

Ao ouvir a pergunta, o sorriso de Raymond se aprofundou, sua expressão ficando astuta.

Ele se inclinou mais perto, chegando próximo o bastante para que Veyr sentisse a tênue temperatura de sua aura pressionando suavemente contra sua pele.

"Ensine-me um movimento proibido," ele sussurrou, "e eu te conto tudo sobre eles."

Veyr o encarou, novamente em silêncio, enquanto Raymond recuava, claramente curtindo o momento.

"Até lá," acrescentou o Semideus, "mantenha essa flor bem perto de você, Dragão. Guarde-a em algum lugar seguro, talvez dentro de suas vestes. Normalmente, ninguém consegue arrancar uma Flor do Eclipse Lunar do Jardim Eterno sem que o Pai perceba, mas..." ele fez uma pausa breve, os olhos brilhando de traquinagem, "…encontrei uma maneira de burlar isso. Ele não perceberá que essa está faltando."

Veyr olhou novamente para a flor, incerto se ficava impressionado ou assustado. As pétalas ainda brilhavam fracamente na palma da mão, frias ao toque, mas irradiando uma calor divino profundo.

Raymond esticou a mão, dando um leve tapinha no ombro de Veyr, o gesto surpreendentemente casual considerando o peso da conversa.

"Pense nisso, Dragão," disse com um sorriso malicioso, o tom suave e confiante, como se já soubesse qual seria a resposta de Veyr. "Volto amanhã para sua decisão."

Antes que Veyr pudesse responder, a silhueta de Raymond começou a brilhar de leve, seu contorno distorcendo-se em fios de luz dourada que se dispersaram no ar, como vaga-lumes desaparecendo ao longe.

E então, ele se foi.

Aquele silêncio profundo foi interrompido apenas pelo suave zumbido do próprio Jardim, o sussurro dos ventos divinos movendo-se pelas folhas prateadas.

Veyr permaneceu ali por um tempo, ainda segurando a flor, cujo brilho tênue refletia em seus olhos enquanto pensamentos conflitantes giravam dentro de si.

Seria esse um gesto genuíno de boa vontade ou uma armadilha bem elaborada?

Ele não soube responder.

"A Poção do Salto do Semideus é extremamente importante para o futuro do Culto."

pensou, ao cuidadosamente guardar a Flor do Eclipse Lunar na dobra interior de suas vestes.

"Se realmente não dá para fazer a poção sem essa flor, então ela é um tesouro inestimável que precisa ser protegido a qualquer custo..."

Ele refletiu enquanto acomodava a flor com cuidado, a luz fracamente brilhando em sua mão, fria ao toque, mas irradiando uma calor divina profunda.

"Se há alguma verdade no que ele disse, então talvez, só talvez, eu tenha uma chance de escapar vivo daqui..."

Pensou, mesmo sem ter decidido ainda se confiava ou não em Raymond, sentindo que deveria continuar jogando esse jogo por um tempinho mais, até descobrir as verdadeiras intenções por trás da oferta do Semideus.

*Sussurro*

Um suspiro longo deixou seus lábios enquanto ele olhava para o céu belo acima, perguntando-se por que o destino estava jogando esse jogo cruel com ele e o que ele realmente queria.

Por mais que tentasse entender a questão, o céu não respondeu. No final, ele teria que fazer essa escolha sozinho.

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