Assassino Atemporal

Capítulo 752

Assassino Atemporal

(Enquanto isso, dentro do Jardim Eterno, ponto de vista de Veyr)

Após uma breve conversa com Veyr, Kaelith recuou novamente para a solidão, deixando-o livre para explorar o Jardim Eterno à vontade, sem impor qualquer restrição ao que pudesse ou não fazer.

Para Veyr, era uma espécie de liberdade estranha, que parecia menos misericórdia e mais uma experiência, como se o Grande Deus estivesse curioso para ver o que um mortal faria ao ser colocado no paraíso sem uma coleira visível em volta do pescoço.

O Jardim Eterno se estendia infinitamente ao seu redor, uma paisagem demasiado divina para pertencer à imaginação mortal.

Árvores altíssimas brilhavam com folhas translúcidas que refri­giam a luz em fitas de cores, enquanto rios de cristal serpenteavam entre campos de relva prateada que ondulava sob uma brisa que parecia cantar suavemente com mana. O ar carregava o aroma de frutas em flor e a doçura sutil da própria criação, como se aquele lugar nunca tivesse conhecido decadência.

Veyr vagou por um tempo, com os pés descalços tocando a relva encharcada de orvalho, seus sentidos sobrecarregados pela beleza.

As frutas aqui pendiam baixas e pesadas nos galhos das árvores, brilhando com a luz suave da divindade, e quando ele estendeu a mão para colher uma, ela se soltou com uma facilidade quase voluntária.

*Mordida*

Ao morder, a pele aquecia contra seus lábios, e seus olhos se arregalaram instantaneamente ao sabor explodir na língua, doce, intenso e cheio de vitalidade.

Era algo diferente de tudo que já tinha comido antes, uma fruta que não apenas enchia o estômago, mas parecia alimentar a alma.

Ele riu suavemente por baixo da respiração, um som que o assustou até a si mesmo, pois fazia tanto tempo desde que sentira qualquer traço de alegria.

Talvez Kaelith estivesse zombando dele de uma forma distorcida, oferecendo-lhe o sabor do paraíso antes de enviá-lo de volta para morrer no inferno.

Mesmo assim, zombaria ou não, Veyr se permitiu aproveitar. Comeu até a fome passar, deitou-se na grama e fechou os olhos, deixando a brisa tocar seu rosto enquanto uma rara sensação de paz começava a se instalar.

Era passageira.

Porque a paz, como sempre, nunca durava muito para ele.

Logo, uma leve tremedeira percorreu sua espinha — seu Sexto Sentido emitiu uma faísca inesperada, enquanto seus músculos se tensionaram instintivamente e ele rolou para o lado, seus olhos vasculhando a borda do bos­que divino, onde a luz escurecia um pouco mais.

Ele podia senti-lo agora. Uma presença. Calma, firme e extremamente poderosa, como o silêncio antes de uma estrela colapsar.

"Impressionante," disse uma voz atrás dele, suave, melódica, mas carregada de condescendência. "Mortais ao seu nível não deveriam conseguir me perceber."

Veyr virou bruscamente, apenas para ver Raymond parado a alguns passos, iluminado pela luz dourada pálida filtrada pelo dossel.

Sua postura era relaxada, sua expressão levemente amused, enquanto se aproximava casualmente de Veyr.

"A infame Lenda do Culto," disse Raymond, sorrindo de leve enquanto estendia a mão em sua direção. "Prazer em conhecê-lo."

Veyr olhou para a mão estendida, depois para o rosto do homem, sua expressão indecifrável. Após um longo silêncio, ele levantou o olhar só um pouco, seus olhos encontrando os de Raymond sem um pingo de medo.

Ele não se moveu, sua intenção claramente evidente, recusando-se a apertar a mão de Raymond, não importa o quê.

"Ah, então é assim que você quer jogar..."

disse Raymond, enquanto seu sorriso se expandia, uma risada baixa escapando dos lábios, enquanto balançava a cabeça incrédulo.

"Vocês Dragões do Culto e sua vaidade…"

Ele murmurou, retirando a mão, e em um instante, a aura assassina ao seu redor se inflamou, fazendo Veyr quase não terem tempo de reagir antes que o peso de sua presença divine tombasse sobre ele.

*TCHUUM*

A pressão caiu como uma montanha em colapso. Seus joelhos fraquejaram instantaneamente, seus pulmões recusaram-se a puxar ar enquanto a gravidade daquele poder divino o esmagava contra o chão.

Seu corpo tremia sob o esforço, sua visão turva, a terra sob ele rachava com a força que o prensava contra o solo.

Raymond avançou lentamente, ajoelhando-se ao seu lado. "Não confunda minha cortesia com fraqueza, mortal," falou suavemente, sem perder o sorriso. "Nem preciso mover um dedo para esmagar uma praga como você."

Veyr ficou com a visão escurecida enquanto a pressão se fechava ao redor de seu pescoço, seu rosto ficando pálido, depois azulada. Rasgou o chão com as unhas, os dedos cavando na terra enquanto se recusava a desfalecer completamente, mas tudo era inútil.

Contra o poder absoluto de Raymond, não podia fazer nada; somente quando Raymond aliviou a pressão ele conseguiu respirar novamente, sua consciência lentamente retornando.

*Esguichar de ar*

*Tossindo*

Veyr caiu para frente, com as mãos pressionadas contra a relva enquanto tossia violentamente, o gosto de sangue subindo pela garganta.

Raymond se ergueu, sacudindo a poeira imaginária do ombro, seu tom repentinamente leve, como se nada tivesse acontecido.

"Venha," disse, apontando para a trilha estreita à frente. "Vamos dar um passeio com seu primo."

Veyr ficou calado, embora seu olhar insistente demonstrasse claramente seu desprezo. Ainda assim, seguiu, mais por curiosidade do que por obediência.

Primeiro, ambos caminharam em silêncio, pelos caminhos sinuosos do Jardim, onde pétalas brilhantes flutuavam pelo ar e pequenas criaturas os observavam de longe.

Até que, finalmente, Raymond quebrou o silêncio.

"Me diga, primo," começou, seu tom de conversa, mas seus olhos afiados, "te ensinaram as técnicas secretas do Culto?"

Veyr olhou para ele, desinteressado. "E se ensinaram? E o que você quer com isso?"

Raymond riu, mexendo nervosamente os dedos enquanto uma flor próxima se desprendia da terra e flutuava suavemente em direção às mãos dele.

*Farejou*

Ele levou a flor ao nariz, respirando bem fundo, como se apreciasse seu aroma.

"Acontece que quero aprender essas técnicas com você," disse leve, com um tom que transmitia a falsa calma de alguém acostumado a conseguir o que quer. "Se puder me ensinar, ficarei muito… grato."

Ofereceu, enquanto Veyr bufava de leve.

"Por que não pergunta ao seu pai? Não é como se eu soubesse algo que ele não saiba."

Respondeu, momentaneamente, a face brincalhona de Raymond desaparecendo em um instante.

Parece que essa resposta tocou uma corda sensível em Raymond, pois ele rangeu a mandíbula, os olhos escurecendo, sua voz ficando alguns graus mais fria.

"Meu pai," disse calmamente, "não vai me ensinar esses golpes. Nem vai passar o conhecimento central que meu avô lhe confiou — conhecimentos de formações que derrotam deuses e técnicas de dilatação do tempo."

Ele tem medo de mim, você percebe. A paranoia corre forte nesta família. Depois de matar seu próprio pai, ele é cauteloso demais para confiar seu filho com o mesmo poder."

Veyr piscou, meio divertido, meio perplexo, enquanto olhava para a vasta e radiante extensão do Jardim Eterno.

"Você percebe que está dizendo tudo isso dentro da casa dele, né? Não tem medo de que ele esteja ouvindo?"

Raymond sorriu levemente e sacudiu a cabeça. "Apesar de não ser tão forte quanto ele, ainda sou um Semi-Deus. Não posso criar um domínio do tamanho deste, mas posso cavar um pequeno espaço de silêncio onde ele não possa espiar. Agora mesmo, estamos caminhando dentro dele. Então, fale livremente. Ele não vai escutar uma palavra."

Veyr levantou uma sobrancelha, desconfiado. "Vocês são malucos," murmurou baixo. "Problemas de família no nível divino. Que novidade."

Raymond ignorou a provocação, voltando o olhar para a frente, seu tom escurecendo mais ainda. "Vou ser direto então."

Ele parou de andar, sua sombra alongando-se na relva luminosa enquanto olhava para Veyr com olhos livres de dissimulação.

"Ensine-me todas as quinze técnicas proibidas do Culto nos próximos sessenta dias," disse, sua voz calma, mas firme, "e eu te ensinarei a escapar do Jardim Eterno sem ser detectado."

Veyr paralisou.

Por um momento, pensou que tinha entendido errado. Então, ao compreender o significado, seus olhos se arregalaram em descrença.

"Escapar?" repetiu em voz baixa.

Raymond assentiu uma vez. "Você me ouviu.""

Veyr o encarou, surpreso, o silêncio entre eles quebrado apenas pelo sussurrar suave do vento divino que varria a relva prateada.

Ele não conseguia distinguir se o Semi-Deus à sua frente estava bluffando, desesperado ou simplesmente louco.

Porém, como um homem desesperado sem outro caminho, ele se viu incapaz de rejeitar a oferta sem mais.

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